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quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Depois dos médicos, a hora da gestão na saúde

Luis Nassif

Original aqui.

Está na hora de retomar os conceitos de gestão para a área da saúde.

O país já dispõe de tecnologia de gestão, especialistas, métodos consagrados para aplicar em toda rede pública e ajudar na rede privada.

O primeiro passo é pensar prospectivamente o setor. O Brasil está envelhecendo. Essa mudança demográfica trará impactos expressivos sobre a saúde pública. Há que se desenvolver e deflagrar políticas de prevenção.

O segundo passo é ter uma visão sistêmica do setor.

É evidente que faltam médicos, médicos são essenciais e devem ser procurados onde estiverem disponíveis, seja em Cuba ou na Espanha.

Mas é evidente, igualmente, que os problemas da saúde não se resumem à falta de médicos.

Fila para atendimento no SUS

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Qual o problema da saúde? Só se saberá se buscar dados na ponta, nos usuários do sistema.

Em toda cadeia da saúde, além do Programa Saúde da Família, os dois únicos pontos de contato com os clientes são hospitais e prontos socorros. Os problemas efetivos da saúde são aqueles que impactam diretamente o universo dos usuários.

Na ponta, percebe-se falta de médicos mas, também, falta de leitos.

Pode-se melhorar a oferta de leitos por meio de investimentos – com recursos escassos – ou de gestão. Essa é a questão.

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Recentemente foi feito um trabalho em dois hospitais públicos de emergência de Maceió. Doentes se acumulavam nos corredores, morrendo sem atendimento. Naqueles hospitais, portanto, o problema era de falta de leitos e de atendimento.

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Procedeu-se inicialmente a um levantamento estatístico. Mostrou-se que o tempo médio de permanência de cada paciente era de 12,5 dias por doente/leito. No sul, a média é de quatro dias. Trazer o número para quatro dias significaria triplicar a oferta de leitos sem nenhum investimento adicional. Mas como reduzir o prazo sem afetar o atendimento?

O segundo passo foi identificar os fatores de atraso na liberação dos pacientes.

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Uma das razões era o fato do doente estar pronto para ser liberado mas depender da baixa dada pelo médico. Se o médico se ausentasse do hospital na sexta-feira, a alta só era concedida na segunda.

Outro fator de atraso era na documentação interna dos hospitais. Antes de liberar, o hospital precisa levantar todas as despesas efetuadas, conferir o estoque de remédios para saber se havia pendências, em procedimentos que levavam vários dias.

Em alguns casos, não aparecia um familiar para levar o paciente embora.

Em suma, uma infinidade de pequenos problemas que, somados, levavam a uma média absurda de tempo de internação.

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Localizado o problema, foram montados indicadores para cada uma das causas e, junto com os funcionários do hospital, montado um plano de ação para resolver os problemas, um a um.

Em seis meses, a média de internação caiu para 6,5 dias. Ou seja, dobrou-se a oferta de leitos sem dispender um tostão a mais de investimento e de aumento nos custos operacionais.

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Esses modelos precisam ser expandidos para todo o país.

Primeiro, a análise dos problemas na ponta do atendimento. Depois, o mapeamento de todo o modelo de saúde até chegar nos poderes públicos municipal, estadual e federal.

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