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segunda-feira, 7 de julho de 2014

Campanhas se preparam para trincheira digital

De O Globo
Original aqui.

Patrulhas cibernéticas pretendem combater a desinformação, uma arma de guerra que agora é usada na internet para destruir reputações políticas




POR CHICO OTAVIO E CARINA BACELAR

RIO - A atração dos brasileiros pelas redes sociais, expressa nos mais de 67 milhões de perfis cadastrados só no Facebook, ameaça transformá-los em vítimas de uma guerra suja na internet: o uso da desinformação na campanha eleitoral para manchar a imagem dos candidatos. Protegidos pelo anonimato, os responsáveis farão das redes sociais um terreno fértil para a divulgação de conteúdo malicioso em perfis falsos. Apreensivos, os comitês de campanha apressaram-se em criar forças-tarefas para enfrentar os crimes digitais e tentar removê-los a tempo de evitar um desastre político.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Stephen Hawking teme que inteligência artificial possa ameaçar a humanidade

Considerado a maior mente científica da atualidade, o renomado físico Stephen Hawking demonstrou preocupação com o futuro da humanidade por conta do avanço da inteligência artificial. Em carta enviada ao jornal The Independent, Hawking fez algumas considerações a respeito dos potenciais impactos da IA, afirmando que “essa seria a maior conquista da humanidade até então e possivelmente a última”.

Parte das considerações do físico foram feitas em função do filme Transcendence, que trata justamente de um cenário envolvendo a inteligência artificial e sua relação com os seres humanos. “Olhando lá na frente, não há limites fundamentais para o que pode ser alcançado: não há lei da física que impeça partículas de serem organizadas em maneiras que possibilitem computações ainda mais avançadas do que as realizadas no cérebro humano”, afirmou o físico.



O cientista chama a atenção para um conceito criado em 1965, chamado “singularidade”, em que as unidades inteligentes entrariam em um processo de auto-aperfeiçoamento. “Uma transição explosiva e instantânea é possível, porém pode acontecer de maneira diferente do que aconteceu no cinema. Como Irving Good publicou em 1965, máquinas com inteligência superhumana poderiam melhorar seu design repetidamente, melhorando cada vez mais as suas funções e desencadeando o que Vernor Vinge chamava de 'singularidade' e que o personagem do filme Transcendence - A Nova Inteligência, estrelado por Johnny Depp, cita em alguns de seus diálogos”.

Para ele, o que poderia acontecer diante disso, seria o que foi mostrado no filme Matrix, de 1999, em que os seres humanos perderiam o controle sobre o planeta. “As máquinas poderão manipular mercados financeiros, seres humanos, desenvolver armas que nós não poderíamos entender e provavelmente provocariam o fim da nossa espécie se não aprendermos a controlar os danos”, adverte o físico.

Stephen Hawking afirma, ainda, que, ao mesmo tempo em que há pesquisas sérias sobre IA em todo o mundo, não há estudos com o que ele chama de “contra medidas”, que seriam meios de deter ou controlar o avanço autônomo da inteligência criada artificialmente por computador.

“Então, encarando os possíveis futuros com benefícios e riscos incalculáveis, os especialistas estão fazendo tudo que está ao alcance deles para garantir o melhor resultado, certo? Não é bem assim. Pouquíssimas pesquisas de contra medidas são desenvolvidas e levadas a sério fora de institutos não lucrativos como o Centro de Estudo de Riscos Existenciais de Cambridge, o Instituto do Futuro da Humanidade, o Instituto de Pesquisas de Inteligência das Máquinas e outros similares”.

“A questão é que todos nós deveríamos pensar um pouco mais a respeito dessa questão. Será que se criássemos inteligência artificial e essa inteligência decidisse viver, o desejo de viver seria algo irrelevante, pré-programado, mesmo que involuntariamente, ou algo espontâneo a ser respeitado? E o que as máquinas achariam disso?”, diz Hawking, autor do clássico “O Universo numa Casca de Noz”, de 2001.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Vitória do consumidor na aprovação do Marco Civil da Internet na Câmara

Do Blog Proteste

Original aqui.

PROTESTE acompanhará tramitação do projeto no Senado, que tem 45 dias para votar.

A PROTESTE Associação de Consumidores comemora a aprovação do Marco Civil da Internet, ontem (25), pela Câmara dos Deputados. Trata-se de uma grande conquista dos consumidores, que garante a democracia, a neutralidade das redes e a liberdade de expressão na Internet.



Mas a Associação espera a votação pelo Senado o quanto antes. Há prazo de 45 dias para apreciação do Projeto de Lei nº 2126/2011, após três anos em tramitação na Câmara. Se aprovado como está, o Marco Civil garantirá a neutralidade da rede, segundo a qual todo o conteúdo que trafega pela internet é tratado de forma igual.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Por que estudar Cálculo e Álgebra na Computação?

A nem sempre fácil relação entre estudantes e Matemática
Uma pergunta que intriga estudantes de Ciência da Computação em todo o mundo: porque estudamos tanto Cálculo, Álgebra, Estatística e eventualmente outras disciplinas da Matemática?

De fato, a imagem que um computeiro (não conheço expressão melhor) faz de si mesmo, bem como a que as pessoas usualmente fazem dele, é a de um expert em algoritmos. E, portanto, também em todo o ferramental técnico e teórico para lidar com eles. Por exemplo, hardware de placas (de rede, gráficas, de processamento, motherboards, etc) e suas características técnicas, protocolos de redes, técnicas de organização de dados e sistemas, engenharia de software, etc..

Claro que todo esse arcabouço científico é fundamental para um computeiro. Mas é necessário se ter em mente que a Universidade busca formar um Cientista, afinal de contas. O objetivo não é que o estudante deixe a Universidade como desenvolvedor de sistemas, administrador de redes ou de banco de bados. Embora evidentemente estas possibiulidades não estejam excluídas, o que se oferece ao estudante vai além. Forma-se um Cientista. E, como cientista, é necessário se conhecer ao máximo – respeitado o limite de espaço dos anos de graduação- as ferramentas da Ciência.

É aqui que entra o argumento principal: Matemática é uma excelente – talvez a melhor – ferramenta que a Ciência possui.

sábado, 27 de abril de 2013

A idade da Vida


Inegavelmente criativa, a pesquisa deixa mais perguntas que respostas.

1. Como se mede a complexidade dos organismos vivos? A Lei de Moore conta a quantidade de componentes por chip.

2. Como se determina uma geração de etapas da Evolução? A Lei de Moore conta o tempo médio em que as indústrias levam para lançar uma nova versão de seus chips.

Fora estas pequenas inconsistências, grandes incômodos para os pesquisadores, a idéia parece interessante.

A vida poderá ser mais velha que a própria Terra?

Original aqui.

Aplicando uma máxima de ciência da computação à biologia emerge uma possibilidade intrigante sobre se a vida existia antes da Terra existir e pode ter originado fora do nosso sistema solar, dizem cientistas.

Cena do filme "Prometheus" e a "polêmica": a Vida pode ter sido trazida para a Terra.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

TI e Bombons: porque pagar mais.


Há alguns anos se ouve reclamações dos profissionais da área de TI, a respeito das remunerações que lhes são oferecidas. Esta reclamação pode facilmente ser constatada nos anúncios de oferta de emprego e nas realidades salariais relatadas pelos profissionais do setor.
Profissional de TI: muito trabalho, muitas responsabilidades e remuneração baixa
Este sofrimento não discrimina ninguém: desenvolvedores, analistas de sistemas, analistas de suporte, administradores de redes e de bancos de dados. Todos padecem do mesmo problema: paga-se pouco e exige-se muito.

A pergunta que se posa é: porque está assim?

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Máquinas e Humanos


Numa recente entrevista à Folha (leia aqui), o inventor e pesquisador americano Ray Kurzweil, afirma que "as máquinas vão imitar indistinguivelmente o comportamento de uma pessoa". Mais audacioso,  Kurzweil marcou a data em que isto acontecerá: precisamente no ano de 2039.

Ray Kurzweil prevê máquinas indistinguíveis dos humanos em 2039

sábado, 25 de agosto de 2012

MS - Open Format

"Na próxima versão do Office adicionamos dois novos formatos de arquivo que podem ser usados: Open XML estrito e Open Document Format (ODF) 1.2. Também adicionamos suporte à abertura de arquivos PDF, que podem ser editados dentro do Word e salvos em qualquer um dos formatos suportados. Ao adicionar suporte a estes formatos de arquivo padronizados, o Microsoft Office 2013 dá aos usuários mais escolhas na interoperabilidade de documentos."
Jim Thatcher, responsável pelo suporte a padrões no Microsoft Office

Parece que a Microsoft deu um passo inédito em seu caminho corporativo. Pela primeira vez a empresa migrou seus aplicativos em direção a um padrão aberto, algo que geralmente só acontecia no sentido inverso: os outros aplicativos é que, buscando alguma penetração junto aos usuários, eram obrigados a incluir uma portabilidade para o “padrão” da empresa.

Do ponto de vista do usuário a mudança é simples de entender: a partir da próxima versão do Word, Power Point e Excel, será possível abrir e editar arquivos no formato ODF (Open Document Format), que é usado nos aplicativos Open Office e Libre Office, entre outros. Além disso, promete ainda a Microsoft que o usuário também terá o conforto de editar arquivos .PDF usando seu editor de textos.
Office 2013 adere ao padrão ODF

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

De Yorkshires, Meio Ambiente, Corrupção e Miséria...

Por Mathias Santos de Brito


Muitos debates tem sido travados no Facebook, percebe-se indignação, compaixão, raiva, amor e outros sentimentos incrustados nestes debates. Isso é ótimo, é a sociedade interagindo em um nível jamais visto. Tudo isso graças às redes sociais. Porém deixa-me perplexo como algumas causas parecem ser mais importante que outras para alguns. Ok, você adora animais, outro adora combater a corrupção, outro o meio ambiente. Mas o que me indigna é a tentativa de um ridicularizar a causa do outro dentro das redes sociais. Isso é uma vergonha!

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Guerra de Gigantes

Parece haver algumas simplificações questionáveis no texto. Mas é muito instrutivo e ilustra bem este mundo em que a Computação precisa ser integrável, componentizável e distribuída. Economicamente inclusive.

O original pode ser lido no Blog do Nassif. Aqui.

A estratégia dos gigantes do software


domingo, 2 de outubro de 2011

O problema das Moedas

Desde minha adolescência este problema me intrigou. Foi-me apresentado como desafio pelo meu irmão mais velho e, como se espera entre irmãos, tornou-se uma disputa. Depois, uma fascinação. Este problema, um desafio do ponto de vista lógico e algoritmico, é bastante discutido por matemáticos e cientistas da computação. Aqui vou apresentar uma versão muito particular, adaptando a história às  diferentes versões deste problema.

Num país distante, numa época remota, um Rei decidiu cunhar 9 moedas de ouro, em comemoração por uma vitória bélica qualquer. O seu ourives, porém, desonestamente cunhou uma moeda de prata e apenas oito de ouro. Adequadamente tingida, esta moeda falsa não era percebível a olho nu, mas naturalmente pesava um pouco mais que uma moeda verdadeira. Quando descobriu a falcatrua, o Rei condenou o ourives à forca. Ante seu pedido de clemência, o monarca resolveu dar-lhe uma chance. Pediu uma balança de pratos e, entregando-a junto com as 9 moedas visualmente idênticas, determinou.

"Tu serás perdoado se mostrares uma forma infalível de se encontrar a moeda falsa entre as nove, tendo à mão apenas as moedas e esta balança, que não poderá ser usada mais do que duas vezes.".


segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O mundo de Wozniak

Steve Wozniak, cofundador da Apple, acredita que “0 computador se tornará o melhor amigo das pessoas”. A matéria pode ser lida aqui.

Steve aponta um futuro em que os computadores estarão tão próximos de compreender e interagir naturalmente com os humanos que o mundo das pessoas se tornará indissociável do das máquinas. Steve espera que essa proximidade seja tão alta que chegará um dia em que haverá “um tipo de computador que, quando um aluno for para a escola, ele quer ficar com aquele computador como se fosse seu melhor amigo, que sabe tudo sobre ele, seus sentimentos, crenças e filosofias, mais do que um professor humano”.

Há questões de ordem filosófica, psicológica e sociológica embutidas nesta visão que Wozniak mostra. Questões importantes, que merecem o debate e a reflexão de todos.

Mas pessoalmente tenho uma reserva particular a esta hipótese; de ordem científica. Steve propõe que os algoritmos de reconhecimento de voz e imagens sejam tão evoluídos que um computador “poderá olhar no meu rosto e dizer se estou cansado”.

De meu modesto ponto de vista ele está falando de vários desafios diferentes, e misturando tudo numa salada um tanto quanto difícil de deglutir.

Por um lado ele aponta a iminente aposentadoria (parcial) do mouse e do teclado como elemento de interação homem-máquina. Estes passos estão efetivamente sendo dados pela Indústria, e os exemplos das novas formas de interação não param de surgir.

Todavia, a sofisticação dos algoritmos necessários para desenvolvermos esta máquina “melhor amigo” depende de uma série de fatores científicos totalmente em aberto, e que nada tem a ver com os dispositivos de interface, que em última análise se ocupam apenas das tarefas de entrada e saída de dados.

Caminhando na direção dessa máquina quase humana, esbarraramos inexoravelmente no famoso teste de Turing (aqui). Um problema cuja solução permanece em aberto ao longo das décadas, mesmo quando desconsideramos as limitações de hardware. O teste consiste em verificar a hipótese de haver um programa que possa interagir (conversar) com seres humanos de forma que estes últimos não consigam determinar se estão ou não falando com uma máquina. Este problema de ordem científica e filosófica foi explorado no filme Blade Runner (aqui).

Além disso, há mais problemas à vista. Os computadores, tal como os conhecemos, são comprovadamente incapazes de resolver alguns problemas que já foram formulados, como por exemplo o Problema da Parada (aqui). Steve não considera a hipótese, muito razoável aliás, de que nos deparemos com problemas desta natureza ao caminharmos na direção desta máquina “amiga do peito”.

Finalmente, considerando as especulações a respeito do fim da Lei de Moore (aqui), é forçoso considerar que talvez não consigamos evoluir muito significativamente no tocante à capacidade de processamento das nossas máquinas doravante. Ocorre que, ao mesmo tempo, todas as pesquisas de reconhecimento de linguagem natural apontam para algoritmos que demandam grandes capacidades de processamento.

Aliás, caso o fim da Lei de Moore realmente se verifique, então o todo desenvolvimento de programas sofrerá um duro golpe, tanto do ponto de vista científico - já que muitos programas simplesmente jamais poderiam ser implementados na prática, mais o fato de que a concepção dos algoritmos passaria a ser uma tarefa muito mais complexa e lenta – quanto do ponto de vista econômico, porque a evolução sucessiva das versões dos softwares se tornaria uma tarefa deveras custosa, e isso impactaria negativamente na atratividade do desenvolvimento de programas de computador como um negócio.

Dessa forma, por mais amedrontador ou auspicioso que seja o mundo proposto por Steve Wozniak, permanecem fortes os desafios científicos, tecnológicos e econômicos que nos separa dele.

Uma longa jornada. Que talvez jamais seja realizada.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

O problema das três portas

Também referido como o paradoxo de Monty Hall, este problema surgiu a partir de um concurso televisivo nos Estados Unidos, chamado Let’s Make a Deal, exibido na década de 1970.

O jogo consiste no seguinte: Monty Hall (o apresentador) apresentava 3 portas aos concorrentes, sabendo que atrás de uma delas está um prêmio e que as outras não tem prêmio nenhum. O jogo consistia de três etapas, a saber.

1. O concorrente escolhe uma porta (que ainda não é aberta);

2. Em seguida, Monty abre uma das outras duas portas que o concorrente não escolheu, sabendo de saída que o prêmio não se encontra ali;

3. Agora com duas portas apenas para escolher - pois uma delas já se viu, na 2ª etapa, que não tinha o prêmio - e sabendo que o prêmio ainda está atrás de uma delas, o concorrente tem que se decidir se permanece com a porta que escolheu no início do jogo e a abre, ou se muda para a outra porta que ainda está fechada para então a abrir.

A pergunta é: é melhor trocar de porta? Ou é melhor não trocar? Ou é indiferente?

Quando fui apresentado ao problema, imediatamente respondi: “Tanto faz!

Meu raciocínio, que provavelmente será o mesmo seu, caro leitor, é simples. Depois de mostrada uma porta, o meu universo era de duas portas. Uma premiada, outra não. Nesse caso eu teria 50% de chances de acertar, independente de trocar ou não a porta. Simples assim, não?

Ledo engano. Meu e seu, amigo!

O programa abaixo, em java, foi feito de maneira um tanto apressada. Mas dá uma boa evidência de que há diferenças entre as estratégias.

Para executá-lo, tendo o Java em seu computador, basta executar os comandos de compilação (javac Montyhall.java) e de execução (java Montyhall).

O programa basicamente repete o experimento 10.000 vezes, para diferentes estratégias. Numa primeira etapa, jamais trocando de porta; depois, sempre trocando de porta.

Os resultados possivelmente surpreenderão. Mas são esses mesmos, podem repetir. Em média, a estratégia de trocar a porta acerta 66,7% das vezes, enquanto a estratégia de não trocar a porta alcançará 33,3% de acerto.

O que é intrigante, sem dúvidas.

A explicação, porém, é um tanto prosaica. Pensemos em probabilidades: havendo três portas, a chance de a porta correta ser selecionada logo de início é de 33%, contra 67% de chances de iniciarmos com alguma porta errada.

Ora: notem que, se optamos pela estratégia “não trocar”, então certamente permaneceremos com a porta que iniciamos. Que tem 33,3% de chances de ser a correta. Logo, o esperado é efetivamente 33,3% de acerto.

Olhemos agora para o que ocorre quando a estratégia é “trocar”. Se selecionamos a porta correta a princípio, então certamente trocaremos por uma porta errada. Ou seja, erraremos com probabilidade igual à de escolhermos a porta correta, que é de 33%. Por outro lado, se escolhemos uma porta errada, e a outra porta errada é aberta (e não é mais selecionável), então certamente trocaremos uma porta errada pela porta correta. Como a chance de selecionarmos uma porta falsa é de 66,7%, temos que, com esta estratégia, nós acertaremos 2/3 das vezes a porta correta.

Copiem o programa daqui, perdoem os comentários em inglês e o pouco preciososmo na codificação, e divirtam-se com esse problema interessante, que propõe um paradoxo aos nossos cérebros.

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public class Montyhall {
String strategy; int number_of_tries, total_matches;

public Montyhall(String s, int n) {
strategy = s;
number_of_tries = n;
total_matches = 0;
}

public void test() {
System.out.println("Starting with strategy "+strategy);
for (int i=0;i
// monty allways starts by selecting the 0 door
int selected = 0;
// the correct door is randomly chosen between 0 and 2
int correct = (int) ((Math.random() * 3));
// the showed door is always other than the 0 and the correct door
int showed = choose_to_show(0, correct);
if ("change".equals(strategy)) { //in this case the selected door must be other one else than the 0 and the showed door
selected = 3 - showed;
}
if (selected == correct) {
total_matches++;
}
System.out.println("Selected the door "+selected+": correct door "+correct+": matches "+total_matches);
}
System.out.println("Done!");
}

public String result() {
return "Strategy: "+strategy+" Tries: "+number_of_tries+" Matches: " + total_matches+ ": "+ ((total_matches*100) / number_of_tries) + "% of success";
}

int choose_to_show(int i, int j) {
if (i==j) { //the chosen and the selected are equals to 0
return (int) (1+ (Math.random() * 2)); //random selection between 1 or 2
}
return 3 - j; //return 1 if j = 2 or 2 if j = 1
}

public static void main(String args[]){
Montyhall monty1 = new Montyhall("not change", 10000);
Montyhall monty2 = new Montyhall("change", 10000);
monty1.test();
monty2.test();
System.out.println(monty1.result());
System.out.println(monty2.result());
}
}

domingo, 12 de dezembro de 2010

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Os aliados do Wikileaks

Esta notícia eu li no Último Segundo (aqui). Parece que os Hackers organizados não vão abandonar a luta de Julian Assange, que constrangeu e denunciou abusos do governo dos Estados Unidos.

Assange, muito convenientemente, foi preso. Acusado de abuso sexual. Mas aparentemente a sua luta contaminou ciber-ativistas ao redor do Globo.

Hackers aumentam ataques contra sites que boicotam WikiLeaks

Sites da MasterCard, da Justiça sueca e do PostFinance são alvo da 'Operation:Payback', que defende os vazamentos pelo WikiLeaks

"Um grupo de hackers orquestrou uma ampla campanha nesta quarta-feira de apoio ao site de vazamentos WikiLeaks, que vem atraindo críticas pela divulgação de mais de 250 mil telegramas diplomáticos dos EUA e cujo criador, Julian Assange, está preso em Londres sob acusação de abusos sexuais.

Os alvos incluem a Mastercard.com, que parou de processar doações ao WikiLeaks; a Amazon.com, que retirou o site de seus servidores; o serviço de pagamento online PayPal, que suspendeu sua cooperação comercial; o advogado representando as duas suecas que acusaram Assange; e o PostFinance, braço de serviços financeiros do Correio suíço, que fechou a conta de Assange com o argumento de que ele forneceu informação falsa ao dizer que residia na Suíça.

Segundo o jornal britânico Guardian, o site da MasterCard está parcialmente paralisado no ataque. A empresa, porém, informou ao iG que o ataque não afeta as transações com cartões.

Anonymous, um grupo independente que prometeu retaliar contra qualquer organização que se opusesse ao WikiLeaks, alegou responsabilidade pelo ataque a Mastercard, e, segundo um ativista associado ao grupo, conduzia múltiplos outros ataques sob a chamada 'Operation: Payback' ('Operação: Acerto de Contas', em tradução em livre).

O ativista Gregg Housh disse em uma entrevista por telefone que 1,5 mil hackers estavam em fóruns online e em salas de bate-papo lançando repetidos ataques de 'negação de serviço' (DDos) [nota do blogueiro: é DoS] contra sites que atuaram contra Assange e o WikiLeaks em dias recentes.

Além da MasterCard, o PostFinance confirmou nesta quarta-feira que é vítima há três dias de ataques de DDos depois de fechar a conta de Assange na segunda-feira, quando justificou a medida afirmando que Assange forneceu 'dados falsos sobre seu domicílio'. 'Desde o fechamento da conta, vários grupos lançaram a operação 'Payback' com o objetivo de bloquear o PostFinance, simulando centenas de milhares de conexões com o site para sobrecarregá-lo', indicou.

A Justiça sueca anunciou nesta quarta-feira que apresentou uma denúncia à polícia após ter sofrido um ataque de hackers contra o site nas últimas horas. Por causa do ataque, o site ficou fora de serviço site desde terça-feira à noite até esta manhã e ocorreu depois uma sobrecarga no tráfego em direção a ela."

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Transparência Hacker

Um Hacker é uma pessoa que possui conhecimentos profundos sobre sistemas web service e sobre sistemas operacionais.

Nem tanto do ponto de vista tecnológico, já que o objetivo é desenvolver pequenas linhas de código que explorem bugs ou falhas de segurança nestes sistemas.

A expressão "Hacker" é associada a pessoas que desejam tirar vantagem das falhas dos sistemas de Rede de Computadores em proveito próprio. Hackers são acusados de violar informações alheias, acessar contas de e-mail, redes de relacionamento e até mesmo dados bancários de suas vítimas. Hackers já promoveram brincadeiras com governos, pessoas públicas e grandes corporações, deixando-os em saia justa.

Todavia há que ressaltarmos que nem todos os Hackers atuam meramente como irreverentes ou criminosos. Eles, os hackers, já atuam, em muitos casos, de maneira extremamente positiva.

É o caso dos wikileaks, que vem initerruptamente divulgando documentos, fotos e informações confidenciais, vazadas de governos ou empresas, sobre assuntos sensíveis. Ficaram famosos quando divulgaram uma grande massa de documentos secretos do exército dos Estados Unidos, reportando a morte de milhares de civis no guerra do Afeganistão, por militares norte-americanos.

Consultem o wikileaks aqui (twitter) ou aqui (espelho) porque o site original não está acessível.

E o Brasil possui o Transparência Hacker, que desenvolve uma série de aplicações com dados governamentais (públicos, que se diga) construindo pequenos datawarehouses e permitindo múltiplas visões e diversos tipos de cruzamento de dados.

Em 2009 eles clonaram o Blog do Planalto, com a diferença que, na versão hacker, o blog permitia que os cidadãos postassem comentários. Em São Paulo, hackeraram o serviço de reclamações da prefeitura e montaram um ranking de problemas municipais. Também invadiram o site da Câmara Municipal para publicar a prestação de contas de vereadores.

Wikileak, Transparência Hacker, e outros mais venham. É a Tecnologia da Informação deixando de ser propriedade exclusiva do Capital, e servindo a propósitos diversos. Para o bem de todos.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Ciência(?) da Computação

Deixa eu monologar um pouco sobre esse assunto, provocado que tenho sido já há tanto tempo: computação é ciência?

Tenho até algumas discussões acaloradas arquivadas em minha memória sobre isso; a imensa maioria delas com pessoas de ciências humanas que, invariavelmente, apontavam a Computação como uma "Engenharia" e estas como não sendo ciência.

Em primeiro lugar, é importante esclarecer que esse elitismo é sem sentido: não há a mínima vantagem, do ponto de vista prático, em ser classificada ou não como "ciência" segundo qualquer parâmetro. Mesmo as instituições de fomento tratam de tornar essa discussão menos relevante ao conceder financiamentos a programas de "ciência e tecnologia" indiscriminadamente. Fim da briga.

Mas em seguida ocorre o argumento que é apresentado para depor as engenharias do patamar de "Ciência": o engenheiro é detentor de um conhecimento técnico aprofundado, e atua como elemento de transformação, erigindo alguma coisa (o “engenho”) que seja do interesse das pessoas.

Com efeito, imaginar uma pessoa que possui um conhecimento e o utilize para engenhar (daí o nome engenharia) alguma coisa não é realmente ciência. Engenheiros não são cientistas. Mas, curiosamente, um pedagogo é detentor de conhecimento e o utiliza para engenhar coisas. O seu engenho são projetos pedagógicos, planos de ensino, currículos acadêmicos, etc. Um médico também engenha um diagnóstico, tratamento. Um psicólogo, um sociólogo, um biólogo. Todos costumam atuar construindo, engenhando, coisas. Por acaso não seriam a Pedagogia, a Medicina, a Psicologia, a Sociologia e a Biologia exemplares do "seleto" universo das ciências?

Entende-se ciência como "Um corpo formal e consistente de conhecimento sobre objeto bem definido" (Popper). Essa definição é muito criticada, pois o "formal" e o "consistente" é altamente questionável. Do ponto de vista de um físico, por exemplo, nada (ou quase nada) há de formal no conhecimento da Sociologia.

Bacon, e depois Popper, apontam que o avanço da ciência só pode se dar como resultado da hipótese submetida a experimentos, gerando afirmações falsificáveis. A submissão de uma hipótese, cujas premissas precisam ser conhecimento consolidado, a experimentos reprodutíveis que geram resultados é o que, grosseiramente, se chama "Método Científico".

Mas aqui também ficamos a ver navios... como falsificar teorias sociológicas ou históricas? E como experimentá-las, lembrando que os experimentos precisam ser "reprodutíveis"? A própria Teoria da Evolução, de Charles Darwin, é um conhecimento aceito e aplaudido não por ser experimentável; apenas por ser "do bom senso". É o tipo de pensamento que diz assim: é desse jeito, não há dúvidas, apenas porque nenhuma outra explicação é tão razoável e simples quanto essa. Invoca a Navalha de Occam.

Essa concepção não admitiria pensamentos dialéticos como resultados válidos da ciência. O fato de, em economia, inúmeras teorias simplesmente coexistirem não poderia ser possível, a princípio. Apenas uma delas não iria "falhar" frente a um experimento, e provar-se falsa. O pensamento científico de Popper precisou ser "extendido" por Foucault e outros, para abrigar, entre outras, a maior parte das ciências humanas.

É difícil, portanto, chegar a um consenso sobre o que é ciência, afinal de contas.

Tomemos de novo o exemplo acima, confirmando que de fato um engenheiro não é um cientista. Ele é um tecnólogo, que detém um conhecimento e o utiliza para gerar algo novo, e útil. O mesmo se dá para um pedagogo, que produz (ou reproduz) o processo educacional para as pessoas, ou para um médico, num diagnóstico e prognóstico, ou para um biólogo, etc.

E, claro, um "computeiro" que esteja projetando o cabeamento e a rede de uma corporação, ou desenvolvendo um sistema de informações, também não é um cientista. É um tecnólogo.

Mas tomando a engenharia como exemplo, particularmente a engenharia civil, e fazendo uma breve visita à História, podemos constatar que, de fato, segue-se todo o rigor do método científico para que a técnica possa evoluir. Isso a caracteriza, de fato, como uma ciência. Pelo menos segundo Bacon e Popper. Senão vejamos.

Olhando para uma construção do início do século passado, uma "obra d'arte" (pontes, túneis, etc.), veremos que se utilizava técnicas que hoje não são mais empregadas. O metrô de Londres, Moscou ou Paris são quase totalmente subterrâneos; o de Tóquio tem muito de sua estrutura externa, em obras elevadas. Hoje eles são feitos assim mesmo. Porque houve a mudança?

O que ocorreu é que novas alternativas para construção de obras dessa natureza foram sendo apresentadas ao longo do tempo, permitindo que a técnica evoluísse. Materiais que são empregados, estruturas geométricas, organização de trabalho, etc. mudaram. E não evoluíram aleatoriamente, mas segundo uma orientação rigorosa, com levantamento de hipóteses, experimentação, teorização.

Para se fazer pontes da forma que se faz hoje, uma série de hipóteses foram testadas, experimentadas, e daí se tira uma conclusão, validando ou refutando. E esta afirmação é falsificável, pois pode-se fazer experimentos a respeito (e aí a ponte pode cair!). Esse processo de evolução da técnica é, efetivamente, o método científico sendo posto à prova (há considerações sobre a validade do método científico em si, mas vou ater-me por ora). Não fica em nada a dever à definição de ciência proposta por Carl Popper. Não se pode, portanto, negar à engenharia o status de ciência. Aliás, é precisamente por esse motivo que hoje se produz engenhos que não eram possíveis outrora, ou eram a custos maiores, ou em mais tempo.

A engenharia aeronáutica, genética e de materiais são exemplos muito claros de corpos de conhecimento semelhantes e, certamente, qualquer engenharia pode ser encaixada nesse universo; um corpo de conhecimento, uma hipótese, o método científico, a validação/refutação da hipótese, o corpo de conhecimento evolui.

E a computação também se encaixa aí, mesmo se for vista apenas como uma engenharia, o que é uma maneira extremamente limitada e simplória de compreendê-la; cada melhoria no processo de produção de um artefato computacional, cada ampliação do horizonte de coisas computáveis, cada resultado registrado do ponto de vista da complexidade, é resultado de um processo rigorosamente científico, partindo de um corpo consolidado de conhecimento, tecendo uma hipótese, gerando experimento reprodutível (tipicamente programas... e como alguns são fáceis de reproduzir, via pirataria, não?), e validando/refutando a hipótese considerada.

A Computação, porém, assim como a Matemática, possui uma vertente de considerações puramente filosóficas, onde podemos fazer comparações com organismos vivos, e com fenômenos como inteligência, linguagem, evolução (não estou falando de paradigmas computacionais, mas da correlação da Computação com fenômenos biológicos e naturais), na tentativa de interpretar até que ponto a computação efetivamente modela, ou mesmo reproduz, fenômenos dessa natureza. Essa fronteira é menos explorada, e naturalmente carece de mais fundamentação científica. Não há teoria nem experimentação suficiente para isso. Não há, provavelmente, nenhum conhecimento científico. Ainda.

Mas há pensamento.

Filosofia.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

O Negócio Google

Nos séculos XX e XXI (este ainda um embrião), uma avalanche de evoluções tecnológicas permitiu e forçou sucessivas mudanças nos paradigmas dos negócios neste mundo Capitalista.

A estrutura produtiva foi alvo de revoluções com Ford e Taylor, e depois com o “toyotismo”. A tecnologia dos transportes e das telecomunicações permitiu que as pessoas estivessem em vários lugares num intervalo muito pequeno de tempo, e que os fatos, as notícias e as inovações fossem conhecidas quase que instantaneamente.

Foram tantas as mudanças de paradigma que já há os que argumentem que o paradigma definitivo é esse: ausência de paradigmas.

Encontrou-se valor para um novo bem: Informação. E em seguida para o Conhecimento, já que, com a Internet e com o Google, a informação em si não é mais privilégio de ninguém.

E esse pessoal que, inspirado num número igual a 1 seguido de 100 zeros, batizado de “googol” pelo matemático Milton Sirotta (Google também é um monstro de história infantil), bolou uma empresa que oferecia um serviço gratuito: busca por informação.

De lá para cá o negócio vem crescendo rapidamente, e novas e impressionantes funcionalidades vão sendo agregadas ao Google original, como as buscas por imagens, ferramentas de idiomas, o Google Maps, o Google Earth, o GMail, o YouTube, etc.

Virtualmente os internautas estamos todos satisfeitos em sermos clientes dessa corporação que revolucionou o planeta. Certo?

Errado.

Não discutirei se estamos satisfeitos com o Google. Eu estou, e acho que 99% das pessoas que o usam está também. Eles promoveram uma verdadeira Democratização da Informação, universalizando o acesso como jamais antes. Em minha modesta opinião, apenas os adventos da escrita e da imprensa superam o feito “googliano”.

O ponto é outro: por incrível que possa parecer, nós na verdade não somos clientes do Google.

Mais ainda: provavelmente nós, os internautas, estamos mais próximos de sermos o Produto que o Google vende.

Vamos examinar o “Negócio Google” mais atentamente: quando fazemos uma consulta, o resultado vem quase que instantaneamente encher as páginas de nosso navegador. Mas a ordem que os endereços aparecem não é aleatória. O Google “vende” cada palavra de busca, de forma que quanto maior for o valor pago por uma palavra, maior será a probabilidade de aparecer entre os primeiros endereços quando aquela palavra for consultada.

Então, o serviço que o Google presta é, na verdade, um serviço de publicidade. Eles vendem nossa atenção, nós que estamos pesquisando, para empresas que querem se mostrar para nós. Em outras palavras, eles vendem a nós, os internautas.

Pode parecer genial, e provavelmente o é. Mas não é nada original essa idéia do pessoal da Google. A Televisão aberta, que oferece programação gratuita para as pessoas, faz algo semelhante. O mesmo se dá com o rádio. A idéia, então, remonta o início do século XX.

A grande sacada do Google foi o direcionamento: pessoas que buscam no Google estão interessadas em um assunto específico. Isso aumenta muito a probabilidade de sucesso de um anúncio.

Por exemplo: uma empresa que quer vender pacotes de férias para Ilhéus pode anunciar no Jornal Nacional, da Rede Globo. E seu anúncio será visto por inúmeras pessoas, algumas das quais efetivamente estarão interessadas em viajar a Ilhéus.

Mas quando o anúncio está associado à palavra “Ilhéus” no Google, a probabilidade de a pessoa que ler se interessar pelo anúncio é muito mais alta. Esta pessoa tem um motivo, algum interesse, que o levou a digitar “Ilhéus” no seu teclado. O anúncio é provavelmente muito mais efetivo.

E isso ficou bastante claro para os especialistas em publicidade, que não tardaram em buscar os serviços do Google como canal de anúncio aos clientes potenciais, pagando por palavras que lhe interessassem.

E assim os milhões de dólares também não tardaram em aparecer nos cofres da outrora pequena empresa fundada por dois estudantes da universidade de Stanford. Aqueles que resolveram oferecer Informação para atrair a atenção das pessoas, e então vender isso para as empresas.

Campus II da Google

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Noam Chomsky

Chomsky nasceu na cidade da Filadélfia, no estado da Pensilvânia, nos Estados Unidos da América, filho de um estudioso do hebraico e professor, William Chomsky. Em 1945, começou a estudar Filosofia e Linguística na Universidade da Pensilvânia com Zellig Harris, professor com cuja visão política ele se identificou. Antes de receber seu doutoramento em Linguística pela Universidade da Pensilvânia em 1955, Chomsky realizou a maior parte de sua pesquisa nos quatro anos anteriores na Universidade de Harvard como pesquisador assistente. Na sua tese de Ph.D., um trabalho de mais de mil páginas, desenvolveu a sua abordagem original às ideias linguísticas, tendo um resumo sido publicado no seu livro de 1957 Syntactic Structures (Estruturas Sintácticas), numa editora holandesa, por recomendação de Roman Jakobson. A recensão crítica desta obra por Robert Lees teve um papel fundamental na sua divulgação e reconhecimento como trabalho revolucionário.

Depois de receber o doutoramento, Chomsky leciona no MIT há mais de 40 anos consecutivos, sendo nomeado para a "Cátedra de Línguas Modernas e Linguística Ferrari P. Ward". Durante esse período, Chomsky tornou-se publicamente muito empenhado no activismo político e, a partir de 1964, protesta activamente contra o envolvimento americano na Guerra do Vietname. Em 1969, publica o livro American Power and the New Mandarins (O Poder Americano e os Novos Mandarins), um livro de ensaios sobre essa guerra. Desde então Chomsky tornou-se mundialmente conhecido pelas suas idéias políticas, dando palestras por todo o mundo e publicando inúmeras obras. A sua ideologia política, classificada como socialismo libertário, rendeu inúmeros seguidores dentro do campo da "esquerda" mas também muitos detratores em todos os lados do espectro político. Durante este tempo, Chomsky continuou a pesquisar, a escrever e a ensinar, contribuindo regularmente com novas propostas teóricas que virtualmente definiram os problemas e questões centrais da investigação linguística nos útimos 50 anos.

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Chomsky é famoso por pesquisar vários tipos de linguagens formais procurando entender se poderiam ser capazes de capturar as propriedades-chave das línguas humanas. A hierarquia de Chomsky divide as gramáticas formais em classes com poder expressivo crescente, por exemplo, cada classe sucessiva pode gerar um conjunto mais amplo de linguagens formais que a classe imediatamente anterior. De maneira interessante, Chomsky argumenta que a modelagem de alguns aspectos de linguagem humana necessita de uma gramática formal mais complexa (complexidade medida pela hierarquia de Chomsky) que a modelagem de outros aspectos. Por exemplo, enquanto que uma linguagem regular é suficientemente poderosa para modelar a morfologia da língua inglesa, ela não é suficientemente poderosa para modelar a sintaxe da mesma. Além de ser relevante em linguística, a hierarquia de Chomsky também tornou-se importante em Ciência da Computação (especialmente na construção de compiladores) e na Teoria de Autômatos.

Seu trabalho seminal em fonologia foi The sound pattern of English, que publicou juntamente com Morris Halle. Este trabalho é considerado ultrapassado (embora tenha sido recentemente reimpresso). Chomsky não pesquisa nem publica mais na área de fonologia.

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Crítica da Ciência

Chomsky tem refutado fortemente o deconstrucionismo e as críticas do pós-modernismo à Ciência:

"Tenho passado muito tempo da minha vida a trabalhar em questões como estas, a utilizar os únicos métodos que conheço e que são condenados aqui como 'ciência', 'racionalidade', 'lógica' e assim por diante. Portanto, leio esses artigos com certa esperança de que eles me ajudassem a 'transcender' estas limitações, ou talvez me sugerissem um caminho inteiramente diferente. Temo ter me desapontado. Reconheço que isso pode se dever às minhas próprias limitações. Muito frequentemente meus olhos se esgazeam quando leio discursos polissilábicos de autores do pós-estruturalismo e do pós-modernismo. Penso que tais textos são, em grande parte, feitos de truísmos ou de erros, mas isso é apenas um pequeno pedaço dessa coisa toda. É verdade que há muitas outras coisas que eu não entendo: artigos nas edições atuais dos periódicos de Matemática e de Física, por exemplo. Mas existe uma diferença: neste último caso, eu sei como entendê-los, e tenho feito isto em casos de particular interesse para mim; e eu também sei que outras pessoas que trabalham nestes campos podem me explicar seu conteúdo em meu nível, de modo que possa obter uma compreensão (embora às vezes parcial) que me satisfaça. Em contraste, ninguém parece ser capaz de me explicar que o último artigo 'pós-isto-e-pós-aquilo' não seja (em sua maior parte) outra coisa que não truísmos, erros ou balbúcios, de maneira que eu não sei o que fazer para prosseguir com eles."

Chomsky nota que as críticas à "ciência masculina branca" são muito semelhantes aos ataques antissemitas e politicamente motivados contra a "Física judaica" usada pelos nazistas para minimizar a pesquisa feita pelos cientistas judeus durante o movimento Deustche Physik:

"De fato, por si só a ideia de uma 'ciência masculina branca' me lembra, eu temo, a ideia de uma "Física judaica". Talvez seja outra inaptidão minha, mas quando leio um artigo científico, eu não consigo dizer se o autor é branco ou se é homem. O mesmo é verdade para o problema do trabalho ser feito em sala de aula, no escritório, ou em qualquer outro lugar. Eu duvido que os estudantes não-masculinos, não-brancos, amigos e colegas com quem que trabalho não ficassem deveras impressionados com a doutrina de que seu pensamento e sua compreensão das coisas seria diferente da 'ciência masculina branca' por causa de sua 'cultura ou gênero ou raça'. Suspeito que 'surpresa' não seria bem a palavra adequada para a reação deles."

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Visão sobre o socialismo

Chomsky se opõe profundamente ao sistema de "capitalismo de estado da grande empresa" praticado pelos Estados Unidos da América e seus aliados. Ele apóia as idéias anarquistas (ou "socialistas libertários") de Mikhail Bakunin e exige liberdade econômica além do "controle da produção pelos próprios trabalhadores e não por proprietários e administradores que os governem e tomem todas as decisões".

Chomsky refere-se a isto como o "socialismo real" e descreve o socialismo no estilo soviético como semelhante, em termos de controle totalitário, ao capitalismo no estilo norte-americano. Ambos os sistemas se baseiam em tipos e níveis de controle mais do que em organização ou eficiência. Na defesa desta tese, Chomsky refere por vezes que a filosofia da administração científica proposta por Frederick Winslow Taylor foi a base organizacional para o maciço movimento de industrialização soviético e, ao mesmo tempo, o modelo de empresarial norte-americano.

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A visão sobre o terrorismo

Chomsky difere da abordagem convencional pelo fato de ver o Terrorismo de Estado como o problema mais predominante, em oposição ao terrorismo praticado por movimentos políticos marginais. Ele distingue claramente entre o ato de matar civis do ato de atacar pessoal militar e suas instalações. Ele demonstra daí que as causas, as razões e os objetivos não justificam atos de terrorismo. Para Chomsky, o terrorismo é objetivo, não relativo. Ele afirma: "Assassinato de civis inocentes é terrorismo, não guerra contra o terrorismo"

"Primeiro, temos o fato de que o terrorismo funciona. Ele não falha. Ele funciona. Violência geralmente funciona. Essa é a história do mundo. Em segundo lugar, é um erro de análise muito sério dizer, como comumente é dito, que o terrorismo é a arma dos fracos. Como outros meios de violência, ela é, surpreendentemente e principalmente, na verdade uma arma dos fortes. Tem-se como verdade que o terrorismo é principalmente uma arma dos fracos porque os fortes também controlam os sistemas doutrinários e estes afirmam que o terror dos fortes não conta como terror. Agora, isso está perto de ser universal. Eu não consigo achar uma exceção histórica, mesmo os piores assassinos em massa viam o mundo desta maneira. Veja o caso dos nazistas. Eles não estavam a realizar terror quando estavam ocupando a Europa. Eles estavam a proteger a população local do terrorismo dos partisans. E, à semelhança de outros movimentos de resistência, o que existia era terrorismo. E o que os nazistas estavam a praticar era o contra-terrorismo".

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Contribuições científicas

Linguística

Syntactic Structures foi uma destilação do livro Logical Structure of Linguistic Theory (1955) no qual Chomsky apresenta sua idéia da gramática gerativa. Ele apresentou sua teoria de que os "enunciados" ou "frases" das línguas naturais devem ser interpretados em dois tipos de representação distintas: as "estruturas superficiais" correspondendo à estrutura patente das frases, e as "estruturas profundas", uma representação abstracta das relações lógico-semânticas das mesmas.

Esta distinção conserva-se hoje, na diferenciação entre Forma Lógica e Forma Fonética, embora o processo de derivação transformacional com regras específicas tenha sido substituído pela operação de princípios gerais. Na versão de 1957/65 da teoria de Chomsky, as regras transformacionais (juntamente com regras de sintagmáticas, phrase structure rules e outros princípios estruturais) governam ao mesmo tempo a criação e a interpretação das frases. Com um limitado conjunto de regras gramaticais e um conjunto finito de palavras, o ser humano é capaz de gerar um número infinito de frases bem formadas, incluindo frases novas.

Chomsky sugere que a capacidade para produzir e estruturar frases é inata ao ser humano (isto é, é parte do patrimônio genético dos seres humanos): a "gramática universal". Não temos consciência desses princípios estruturais assim como somos não temos consciência da maioria das nossas outras propriedades biológicas e cognitivas. Chomsky diz que os princípios gramaticais subjacentes às linguagens são completamente fixos e inatos e que as diferenças entre as várias línguas usadas pelos seres humanos através do mundo podem ser caracterizadas em termos da variação de conjuntos de parâmetros (como o parâmetro pro-drop, que estabelece se um sujeito explícito é obrigatório, como no caso da língua inglesa, ou se pode ser opcionalmente deixado de lado (suprimido ou elidido), como no caso do português, italiano e outras).

As evidências que sustentam sua tese baseiam-se na rapidez espantosa com a qual as crianças aprendem línguas, pelos passos semelhantes dados por todas as crianças quando estão a aprender línguas e pelo fato que as crianças realizarem certos erros característicos quando aprendem sua língua-mãe, enquanto que outros tipos de erros aparentemente lógicos nunca ocorrem. Isto sucede precisamente, segundo Chomsky, porque as crianças estão a empregar um mecanismo puramente geral (isto é, baseado em sua mente) e não específico (isto é, não baseado na língua que está sendo aprendida).

Hierarquia de Chomsky

Chomsky é famoso por pesquisar vários tipos de linguagens formais procurando entender se poderiam ser capazes de capturar as propriedades-chave das línguas humanas. A hierarquia de Chomsky divide as gramáticas formais em classes com poder expressivo crescente. Por exemplo, cada classe sucessiva pode gerar um conjunto mais amplo de linguagens formais que a classe imediatamente anterior. De maneira interessante, Chomsky argumenta que a modelagem de alguns aspectos de linguagem humana necessita de uma gramática formal mais complexa (complexidade medida pela hierarquia de Chomsky) que a modelagem de outros aspectos. Por exemplo, enquanto que uma linguagem regular é suficientemente poderosa para modelar a morfologia da língua inglesa, ela não é suficientemente poderosa para modelar a sintaxe da mesma. Além de ser relevante em linguística, a hierarquia de Chomsky também tornou-se importante em Ciência da Computação (especialmente na construção de compiladores) e na Teoria de Autômatos.

Fonte: Wikipedia