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sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Aos vencedores, a inveja

Rui Tavares.
Original aqui.

Os vencedores do golpe parlamentar no Brasil não fazem a mais pálida ideia do que fazer com a vitória.

Os vencedores mais avisados do golpe parlamentar no Brasil já devem, por estas horas, invejar Dilma Rousseff. Invejam-lhe a serenidade com que se defendeu no Senado Federal, a firmeza com que expôs os seus argumentos, o respeito que ganhou no Brasil e mundo fora pela distinção que há entre ela e os seus grotescos adversários no Congresso.



domingo, 13 de março de 2016

O último

Frente às manifestações deste domingo, 13 de Março de 2016, a constatação é inegável, por mais dolorosa que possa ser:  O governo Dilma acabou.

Acabou sem nunca ter começado de verdade. Acabou sem nunca ter tido sequer a chance de errar e acertar. Acabou dentro de, entre outras coisas, uma enorme injustiça. Mas acabou.

Porque um governo popular, que se volta para necessidades das pessoas, é capaz de resistir aos ataques da imprensa que lhe faz oposição sistemática, tendenciosa e, muitas vezes, verdadeiramente mentirosa. Também consegue resistir a um judiciário partidário, que prescinde de provas para condenar, que investiga, pune e prende de maneira seletiva, que permite "vazamentos" sempre nocivos ao governo. Também pode resistir ao ódio insuflado pela oposição, desonesta e oportunista, que faz circular boatos sem fundamento, faz as acusações mais esdrúxulas impune e sorrateiramente, que não demonstra a menor responsabilidade com as consequências de sua insanidade.

Mas um governo popular não pode resistir à impopularidade. Principalmente se, além dos fatores citados no parágrafo anterior, esta impopularidade também for causada por escolhas do próprio governo, que simplesmente virou as costas para as bandeiras que o elegeram. Para um governo assim, simplesmente não há possibilidade.



A culpa do fim do governo Dilma é da Imprensa, que levará anos para recuperar sua imagem arranhada. É da Justiça, flagrante e repetidamente demonstrando sua parcialidade. É da Oposição, e sua campanha irresponsável de ódio. Mas é do governo Dilma também. Porque escolheu conviver com os abutres, afastando-se dos que eram verdadeiramente seus. Esta é, talvez, a grande lição que vai ficar para a História.


sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

O tempo político de Dilma está se esgotando

Luis Nassif.

Original aqui.

Uma análise realista dos possíveis cenários futuros indicam que, em breve, o impasse político-econômico será rompido, ou com um governo de coalizão, ou com o caos.

As peças que compõem esse jogo são as seguintes:



Peça 1 – O tempo político de Dilma Rousseff encurtou consideravelmente.

domingo, 20 de dezembro de 2015

O STF tem razão.

A disputa entre governo e oposição pelo poder ganhou ares fratricidas, e porque não dizer, patricidas, ou "patriotricidas" a se ver os danos profundos à Economia e ao Tecido Social brasileiro.

A página mais recente dá conta da disputa, no STF, sobre o rito do Impeachment, que é o trâmite necessário desde a aceitação deste por parte do presidente da câmara até o afastamento total e definitivo da presidenta Dilma.

Luís Roberto Barroso: entendimento correto

O entender geral, antes da disputa do STF, rezava que, após o presidente ter recebido a denúncia, a Câmara formaria uma comissão para aprovar ou não o seguimento da abertura do processo. Apenas se esta comissão entender que o processo deve efetivamente ser aberto, é que a proposta segue para a assembleia da Câmara. Ali se decide se o processo é aberto ou não.

A partir daqui as coisas mudaram, após a interpretação do STF: o entendimento anterior dava conta de que o processo, então, era aberto, e a presidenta Dilma era imediatamente afastada. E o julgamento aconteceria no Senado.


domingo, 13 de dezembro de 2015

Desafios para as esquerdas, no presente e em futuro próximo

Roberto Bitencourt da Silva

Original aqui

O presente cenário político é demasiadamente desolador para as esquerdas. A correlação de forças é flagrantemente desfavorável ao campo popular-democrático.



Isso por conta de uma saliente capilaridade social de valores sintonizados com ideias neoliberais, do ponto de vista político e econômico, e conservadores, sob o ângulo da moralidade cotidiana.

Ademais, anos sucessivos de governos, naturalmente, tendem a desgastar a qualquer partido político. Escolhas adotadas para o exercício de governo podem, é claro, incrementar o desgaste.

domingo, 6 de dezembro de 2015

O dia da infâmia

Por Fernando Morais

Original aqui.

Minha geração testemunhou o que eu acreditava ter sido o episódio mais infame da história do Congresso. Na madrugada de 2 de abril de 1964, o senador Auro de Moura Andrade declarou vaga a Presidência da República, sob o falso pretexto de que João Goulart teria deixado o país, consumando o golpe que nos levou a 21 anos de ditadura.

Indignado, o polido deputado Tancredo Neves surpreendeu o plenário aos gritos de "Canalha! Canalha!".

No crepúsculo deste 2 de dezembro, um patético descendente dos golpistas de 64 deu início ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

A natureza do golpe é a mesma, embora os interesses, no caso os do deputado Eduardo Cunha, sejam ainda mais torpes. E no mesmo plenário onde antes o avô enfrentara o usurpador, o senador Aécio Neves celebrou com os golpistas este segundo Dia da Infâmia.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

O protesto de domingo morreu, tecnicamente, antes de nascer.


Paulo Nogueira
Original aqui.



A causa mortis foi a NOG, a Nova Ordem da Globo, aquela que tira formalmente o apoio ao golpe.

A Globo nunca entra num jogo se pode perder. Ela apoiou os golpistas de 64 porque a vitória era certa, garantida pelos militares e pelos americanos.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Uma direita fraca a caminho de uma derrota histórica

Apesar de parecer excessivamente otimista, esta análise de Ion de Andrade traz alguns fatos importantes: o Brasil não é mais o mesmo, e a Democracia de hoje é mais robusta, bem como as forças progressistas.

Se a Direita realmente endurecer o jogo, encontrará uma resposta muito mais dura do que em outros tempos.

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Ion de Andrade
Original aqui

Quando lidamos com um adversário que presumimos mais forte do que nós, uma reação bem esperável é fazer muito barulho. Ocorre quando o ser humano está ameaçado por animais selvagens, mas também em situações de ameaça de violência ou roubo nas cidades. As reações exageradas, barulhentas e espetaculosas costumam, portanto, ser um forte indício de inferioridade na correlação de forças. Servem, aliás, para esconder essa verdade e almejam uma vitória baseada no blefe e na covardia do oponente mais forte que pode não pagar para ver.



A febre pelas análises de conjuntura, de que a esquerda se tornou excessivamente dependente, dificultam qualquer análise mais larga que escape ao barulho produzido pelo adversário acuado e temeroso. A conjuntura nos leva a acreditar nas bravatas e nos faz esquecer de que quem é mais forte no cenário da política hoje são as forças nacionais democráticas que modelaram o Brasil contemporâneo.

domingo, 28 de junho de 2015

O tempo político de Dilma está prestes a esgotar

Luís Nassif

Original aqui.

O cenário político que se tem atualmente é o seguinte:

1. Estrangulamento gradativo de todas as ações de governo, ainda que à custa do comprometimento da economia. MPF (Ministério Público Federal) e Lava Jato se empenham em desmontar a cadeia produtiva de petróleo e gás. O TCU (Tribunal de Contas da União) mira suas armas nas hidrelétricas da Amazônia. O Congresso fuzila o ajuste fiscal. O torniquete continuará apertando enquanto o governo não recuperar legitimidade.

2. Polícia Federal e MPF impondo um cerco severo a todas as atividades do PT e de seus candidatos e o TCU ameaçando rejeitar as contas de Dilma. Esse cerco continuará aumentando.

3. Ampliação da recessão e do desemprego, agravados pela política monetária do Banco Central. Não há sinais de arrefecimento no horizonte. Vai piorar muito, antes de melhorar.

4. Incapacidade da presidente de articular um conjunto mínimo de propostas que se assemelhe a um programa de governo, de recriar algum sonho na opinião pública.




sexta-feira, 5 de junho de 2015

Como a fórmula Levy-Tombini-Rousseff não resolve

Luís Nassif
Original aqui

O jogo econômico é muito mais simples e objetivo do que supõe os livros e as teorias econômicas.

Na academia e na imprensa há uma disputa entre linhas econômicas que obedecem muito mais a conceitos ideológicos, disputas de espaço, conquista de reputação, do que à análise objetiva dos fatos econômicos.

É o que ocorre com essa tentativa de caracterizar os erros recentes de política econômica como inerentes ao que chamam de “nova matriz econômica”.




sexta-feira, 29 de maio de 2015

O pós-choque fiscal e a falta de reação de Dilma

Luis Nassif
Original aqui.

O cenário econômico para os próximos meses continua desafiador.

Segundo pesquisa IBOPE divulgada ontem, as expectativas negativas dos consumidores bateram no ponto mais baixo, em níveis similares aos do pré-real. Tinha-se na época a inflação como o grande inimigo e a bala de prata na agulha: o próprio Plano Real.

Agora o inimigo é a recessão. O consumidor ainda não sentiu os efeitos maiores desse vórtice. E não se vê à vista nem bala de prata nem de latão.


sábado, 4 de abril de 2015

Erros de Dilma, Lula e PT ameaçam projeto político

Ex-presidente já se preocupa em defender legado político

Kennedy Alencar
São Paulo
Original aqui.

O ex-presidente Lula tem consciência de que o fracasso do governo Dilma tende a inviabilizar a sua eventual candidatura à Presidência em 2018. Ele também está preocupado com o crescente desgaste do PT, que virou uma espécie de “Geni”. Razão: no cada vez mais provável cenário de alternância de poder daqui a quatro anos, sua herança política poderá ser desconstruída.

Diante da dura realidade, a única saída pública que Lula encontrou foi defender o governo Dilma, apontar alguns erros da sucessora e criticar os opositores e a imprensa. Esse roteiro foi seguido à risca, na terça-feira à noite, num evento partidário em São Paulo: em meio a alfinetadas nos tucanos e na mídia, o ex-presidente fez uma defesa enfática do PT, do governo e de Dilma Rousseff.

No entanto, convém lembrar que a oposição e a imprensa não inventaram o escândalo da Lava Jato nem foram responsáveis pela política econômica desastrada do primeiro mandato de Dilma.



O que Lula está fazendo deve ser entendido no contexto do debate político para tentar salvar o seu legado na Presidência e impedir que o PT definhe como uma das principais forças partidárias do Brasil. Carismático, está cumprindo o seu papel de líder inconteste de um campo de forças. É a política como ela é.

sexta-feira, 13 de março de 2015

Dia 15 vem aí

Estamos nos avizinhando de um dia histórico. O dia 15/03/2015 será marcante na história do Brasil. Parece que, pela segunda vez, os brasileiros estarão nas ruas para pedir a deposição de um presidente.

Eu, pessoalmente, estarei alheio a isso. Primeiro, porque não tenho qualquer simpatia pelo movimento “fora Dilma”, por motivos que explicarei abaixo. Segundo, porque haverá corrida de Fórmula 1 na madrugada, abertura da temporada. Isto provavelmente me deixará sonolento durante todo o dia.

Mas provavelmente minha ausência não será percebida pela maioria das pessoas.
Pressão intensa e crescente pela deposição de Dilma. Porque?
A legitimidade do movimento é inquestionável. Aliás, dos dois movimentos. É facultado, democraticamente, que se vá às ruas tanto para se manifestar favorável quanto para se manifestar contrário a qualquer causa. Isto é do Bê-A-Bá da Democracia.

quinta-feira, 5 de março de 2015

De pernas para o ar, Brasília assusta o Brasil


Ricardo Kotsho
Original aqui.

Em qualquer situação, ao fazer nossas escolhas, começamos sempre com 50% de chances de acertar e 50% de errar. É da natureza humana. Depende das opções que adotamos. Foge a esta regra o que acontece com o governo Dilma-2: desde a sua posse para o segundo mandato, isolada e autossuficiente, a presidente tem conseguido errar 100%.



Na montagem do ministério, no lançamento do pacote fiscal, na sua relação com os partidos da base aliada e com o Congresso Nacional, Dilma não acerta uma, não dá uma bola dentro. Conseguiu, em apenas dois meses, montar uma sólida unanimidade _ contra ela e seu governo.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Nenhum governo resiste ao vácuo de poder


Luís Nassif
Original aqui


Há um perigoso vácuo  de poder no governo Dilma Rousseff.

No dia seguinte à eleição de Dilma, a oposição inaugurou o terceiro turno, uma guerra implacável de desestabilização.

Criou-se um problema a mais em um cenário já complexo, com problemas fiscais, economia estagnada, contas externas deficitárias, o desemprego começando a se apresentar.

Dilma tem um conjunto de questões para administrar, divididas da seguinte maneira:

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Segundo mandato: perspectivas

Por Flávio Patrício Doro

Original aqui.

 Aí está. O processo eleitoral terminou, e Dilma foi reeleita. Se até agora não foram flores, a parte mais difícil vem agora.

Reeleita, agora vem a parte mais difícil da missão

Assim como foi em 2010, emerge das urnas uma situação inédita. Em 2010 a novidade era o perfil da nova presidente, eminentemente técnico e sem muito traquejo político. A ascensão ao poder de alguém assim, em um regime democrático, seria impossível em circunstâncias normais. O fator excepcional, claro, foi Lula.