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domingo, 9 de dezembro de 2012

Just Drive

Uma homenagem honesta, mostrando os acertos e os erros, as ações grandiosas e mesquinhas, o esportista e o homem. Que fez muito, tanto mais que qualquer outro.


domingo, 10 de janeiro de 2010

Quem era ele?

Para alguns desavisados que me mandaram e-mails indignados, referindo-se a Michael Schumacher como o cara que venceu "apenas por ter o melhor carro" ou então "sempre usando as estratégias de paradas de box".

Uma falta de respeito com a história e a verdade.

Como disse na postagem anterior (leia aqui), não sei se ele ainda é o grande Michael Schumacher. Mas que não se ponha dúvidas sobre seu tamanho: o Maior de Todos.

Um mero exemplo. Mas para entendê-lo é necessário que se situe o contexto.

Grande Prêmio da Bélgica, 1995. Michael guiava uma Benetton, e Damon Hill, contra quem Michael que disputava prova a prova o título da temporada, seguia a bordo de uma Williams.

A corrida seguia normalmente, com Damon abrindo vantagem sobre Michael, impotente em seu equipamento inferior. Até que São Pedro resolveu por pimenta - aliás água - na disputa.

Alguns momentos de chuva. Que apenas umedeceram a pista. Damon Hill escolheu usar a vantagem que havia conseguido enquanto a pista estava seca e trocar os pneus, saindo dos boxes com compostos para pista molhada. Schummy, por sua vez, resolveu arriscar.

A partir daí virou um jogo direto: como a chuva estava passando, era uma questão de tempo até a pista secar novamente. Cabia a Damon Hill aproveitar as voltas em que a pista estava molhada para, usando seus pneus de pista molhada, ultrapassar Schumacher e, em seguida, abrir vantagem. Damon teria que ultrapassá-lo rápido para que pudesse conseguir distanciar-se o suficiente para que, quando a pista secasse, pudesse fazer uma nova parada, substituindo seus pneus pelos de pista seca, e ainda voltar à frente do rival.

Ao mesmo tempo, cabia a Michael a tarefa de, com pneus para pista seca e guiando no molhado, atrasar ao máximo a ultrapassagem de Damon Hill, de forma que ele não tivesse tempo para abrir o suficiente após superá-lo.

Vejam do que era capaz esse Michael Schumacher.



No final, devido à volta e meia perdida atrás de Michael, Damon não conseguiu abrir a vantagem necessária, e quando a pista secou teve de parar nos boxes novamente. Schummy venceu, com Hill em segundo.

Foi mais um Show de Michael Schumacher!

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Será que ele (ainda) é?

A recente confirmação de Michael Schumacher na equipe Mercedes-Petronas (ex Brawn) para a temporada 2010 deixou muitos surpresos, outros felizes, outros frustrados.

Surpresos pelo retorno de um multi-campeão, que já conquistou tudo o que um piloto poderia sonhar na carreira e que, em tese, não deveria estar mais motivado a entrar num carro e acelerar de verdade.

Felizes os que compõem a enorme legião de fãs do maior piloto que o mundo viu guiando na Fórmula 1 nos últimos 50 anos. Comparável apenas ao argentino Juan Manuel Fangio.

Frustrados os que desejam ver a renovação da Fórmula 1, com o surgimento de novos gênios, talentos a serem lapidados e desenvolvidos. Se o tedesco continuar sendo o “velho” Michael, então não vai sobrar espaço pra ninguém. Como não sobrava, enquanto ele destruía todos os adversários e quebrava todos os recordes.

Mas uma pergunta fica sem resposta, pelo menos até a primeira volta classificatória para o GP do Bahrein, que acontecerá dia 13 de Março próximo. Será que esse Michael ainda é o Grande Schumacher?

Quanto a idade já relativamente avançada, os três anos de inatividade e o acidente sofrido numa corrida de motocicletas no início de 2009 poderão afastar este Schumacher daquele que o mundo aprendeu a admirar, aplaudir amar e, em alguns casos, tolerar e até odiar?

Há precedentes interessantes. Niki Lauda, por exemplo, abandonou a Fórmula 1 em 1979, quando guiava um fraquíssimo Brabham e via um jovem e inexperiente piloto chamado Nelson Piquet andando tão rápido quanto ele. Mas eis que, anos depois, o Austríaco recebe um convite da McLaren para voltar às pistas em 1982. Após apenas 2 corridas de adaptação, Lauda venceria pela McLaren em Long Beach e ainda venceria uma segunda prova, o Grande Prêmio da Inglaterra. Mais do que isso, em 1984 conseguiu alcançar mais um campeonato mundial, com meio ponto de vantagem sobre um talentoso e jovem piloto chamado Alain Prost, com quem Lauda também dividia a equipe.

Não obstante, os tempos são outros. A Fórmula 1 é outra, exigindo muito mais dos pilotos tanto no aspecto físico quanto no conhecimento técnico dos carros – eles mudaram radicalmente nos últimos anos. Schumacher terá, seguramente, muito mais dificuldades do que Niki Lauda para se tornar competitivo de novo.

Sem dúvida nenhuma, a volta de Michael tempera o campeonato de 2010. Propõe aos outros pilotos mais que um adversário ser batido. Schumacher é uma lenda. Pode-se ver brilhando nos olhos a vontade de jovens talentos como Vettel e Hamilton em dividir as pistas, disputando contra o Maior de Todos.

Esperemos então para ver o tamanho desse velho Michael, e saber se ele ainda é capaz de ser o Schumacher que o Mundo conheceu.