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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

O Paradoxo da Roda



Este é um problema que conheci a pouco, a despeito de sua antiguidade. Na verdade, o filósofo grego Aristóteles teria observado este fenômeno lá pelo século IV A.C.

Aristóteles descreveu este fenômeno como o "Paradoxo da Roda".

O que Aristóteles observou, e já lá se vão mais de 2400 anos, é realmente intrigante. Suponha, leitor amigo, que uma roda gira sobre uma superfície qualquer. Por exemplo, a roda de um carro rodando sobre o asfalto de uma estrada. Consideremos que a roda descreveu uma volta completa (rotação) sobre si mesma. Assim, a distância total percorrida pela roda é exatamente igual ao seu perímetro (ou o aro do pneu).

O que Aristóteles observou foi que se houver uma roda interna (como por exemplo uma calota), ela necessariamente percorrerá a mesma distância que a roda externa, já que ambas estão viajando juntas. Mas ao mesmo tempo Aristóteles via, estupefato, que elas não poderiam percorrer a mesma distância, já que ambas descrevem uma rotação completa, sendo seus tamanhos são diferentes. Isto forçaria as rodas a percorrerem distâncias diferentes.

Um problema e tanto para o Filósofo.

Assim, ao mesmo tempo em que elas precisam percorrer a mesma distância, pois estão rotacionando juntas, elas precisam percorrer distâncias diferentes, pois o diâmetro de uma é menor do que o da outra.

A figura abaixo dá uma ideia do problema.




sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

O retrocesso democrático da lei antiterror

Uma articulação de senadores pressiona para que a chamada "lei antiterror" seja votada com urgência. Curiosamente esta mesma urgência não foi vista pelo senado para aprovar outros temas caros a população, como a reforma política. Como esta posta, a aprovação da lei antiterror pode colocar a própria democracia em risco.

Erick da Silva

Original aqui.

Após a morte do cinegrafista Santiago Andrade, da Band, atingido por um rojão durante uma manifestação no Rio de Janeiro, senadores tentam aprovar projeto para tipificar o crime de terrorismo no Brasil. O Projeto de Lei 499, de 2013 aponta como crime inafiançável “provocar ou infundir terror generalizado”, e estabelece penas de prisão de 30 anos para quem for enquadrado como "terrorista".


O PL 499, originalmente, nasceu sob a justificativa da Copa do Mundo e das Olimpíadas, os protestos de junho, e as ações radicalizadas que se seguiram, serviram de pretexto para acelerar as discussões. O texto do PL foi elaborado em Comissão Mista composta por senadores e deputados. O grupo de parlamentares foi encabeçado pelo senador Romero Jucá (PMDB-RR) e o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP).(1)

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

A Ilha de Plástico

Enquanto cada vez mais se avolumam as desconfianças científicas a respeito do aquecimento global, os ambientalistas esquecem de se debruçar sobre um problema concreto, verificável e irrefutável: o plástico.

Do Informação Incorrecta

A ilha de plástico


Aquecimento Global? Os problemas do planeta são outros.



Eu sou Nicoló Carnimeo, ensino na Universidade de Bari [Italia, ndt] mas também sou escritor e navegador; nos últimos três anos tenho feito uma longa viagem que me levou dos oceanos até o Mediterrâneo e quero contar-vos sobre isso.A minha viagem no mar de plástico começou em Londres, onde conheci quem descobriu a Grande Mancha de Lixo do Pacífico. O que é? É uma imensa ilha formada por todos os resíduos de plástico que lançámos nos últimos 50 anos. O mar, através das correntes, os faz convergir em alguns pontos, aí ficam e continuarão a ficar, talvez para sempre.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Camarão que dorme a onda leva

Wagner Iglecias

Original aqui.

Lula surgiu na cena pública brasileira não como político, mas como sindicalista, no final dos anos 70. Barbudo, carrancudo, nordestino e falando com língua presa um português “errado”. Trazia consigo um discurso que criticava a ditadura, os patrões e o sindicalismo tradicional. Desde logo ganhou a rejeição dos setores mais conservadores. Na campanha ao governo de São Paulo, em 1982, pedia votos dizendo que ele seria “um brasileiro igualzinho a você”, referindo-se aos eleitores. Numa época em que o Brasil não somente era ainda uma ditadura militar, mas na qual o preconceito contra nordestinos no Centro-Sul do país era extremamente forte. Ninguém na classe média paulista, por exemplo, queria se parecer com a empregada doméstica baiana ou com o porteiro cearense.

Isso tudo não o impediu, na primeira eleição presidencial pós-ditadura, em 1989, de superar o favorito Leonel Brizola no 1º turno e disputar o turno final contra Fernando Collor. Chegou a liderar pesquisas de opinião a poucos dias da eleição decisiva, mas acabou ultrapassado pelo adversário na reta final. Mesmo derrotado, Lula foi novamente candidato em 1994. Saiu disparado nas pesquisas. O preconceito contra ele continuava brabo, mas havia mudado um pouco de figura. Agora era acusado de não ter aproveitado aqueles cinco anos transcorridos desde a derrota para Collor para ir estudar. No exterior, de preferência. Muitos ainda o viam como o mesmo Lula radical e perigoso de 1982 ou 1989, e as críticas do petismo ao Plano Real não ajudavam a minimizar essa percepção. De fato devia ser duro falar em socialismo para um eleitorado que, com o fim da inflação, estava mais interessado em poder comer carne de frango ou saborear um iogurte. Corroborava-se assim a imagem de um Lula desatualizado, com pequena capacidade de compreender o novo Brasil que se anunciava. Como resultado final, a derrota para o PSDB de Fernando Henrique, que surfou inteligentemente no sucesso da estabilização econômica recém-construída e conquistou o voto popular.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Os Panicopas

O texto abaixo é de uma amiga, ex-vizinha dos tempos de universidade em Campina Grande, e ajudou a mudar minha própria opinião a respeito da Copa do Mundo no Brasil.

Por Fabiana Agra.

Original aqui.



Existe uma campanha em curso contra a Copa 2014 no Brasil. A “turma do contra” é pequena, mas está fazendo um barulho grande, pois estão tendo o apoio da mídia PIG e de alguns governos estaduais e municipais (o estado do Paraná e a prefeitura de Curitiba, por exemplo, abandonaram as obras da “Arena da Baixada”, praticamente comprometida como sede); há também a cartolagem da Fifa, que em nada está contribuindo para melhorar a situação.

No entanto, como diz o cientista político Antonio Lassance, ”a campanha anticopa não seria nada sem o bombardeio de informação podre patrocinado pelos profetas do pânico”. O objetivo desses falsos profetas não é prever nada, mas incendiar a opinião pública contra tudo e contra todos, inclusive contra o bom senso. E esses “panicopas” ou profetas do pânico da Copa, estão levando consigo muita gente boa, mas que anda desinformada em relação à Copa do Mundo no Brasil. E essas pessoas, infelizmente, ao entrarem nesse clima de desinformação, estão espalhando ódio e descrença na competência do Brasil sediar o evento. E os profetas do pânico na Copa agradecem.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Mujica e o Socialismo Real

Antonio Martins

Original aqui.
 
Mujica, teórico da transição pós-capitalista?

Cada vez mais popular tanto nas redes sociais como na mídia tradicional, o presidente do Uruguai, Pepe Mujica, arrisca-se a sofrer um processo de diluição de imagem semelhante ao que atingiu Nelson Mandela. Aos poucos, cultua-se o mito, esvaziado de sentidos — e se esquecem suas ideias e batalhas. Por isso, vale ler o diálogo que Pepe manteve, no final do ano passado, com o jornalista catalão Antoni Traveria. Publicada no site argentino El Puercoespín, a entrevista revela um presidente que vai muito além do simpático bonachão que despreza cerimônias e luxos.



sábado, 18 de janeiro de 2014

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Maria da Penha, da dor à lei

Fernanda Pompeu

Original aqui.

Fortaleza, Ceará. Maio de 1983. Um casal, com três filhas pequenas, chega em casa. O marido é economista e professor universitário. A mulher, farmacêutica bioquímica com mestrado em parasitologia. Ela põe as crianças para dormir. Ele vai para a sala e liga a TV. Ela toma banho e vai se deitar. De repente, acorda com um tiro nas costas. Imediatamente pensa: "Acho que meu marido me matou". Desmaia. Quando recobra a consciência, vê muitas pessoas à sua volta. São os vizinhos. Assustados, enquanto esperam a ambulância, comentam que houve uma tentativa de assalto. O marido está na sala com o pijama rasgado e uma corda enrolada no pescoço. Por enquanto, só ela sabe que o homem - que sempre agrediu a ela e às crianças - está fazendo um teatro. Mais tarde as investigações vão provar que o marido foi o autor do disparo. Mas o terror não acabou naquela noite. Depois de várias cirurgias e meses de hospital, presa para o resto da vida a uma cadeira de rodas, ela sofrerá um segundo atentado dentro do banheiro da casa. O marido tentará eletrocutá-la. Não consegue, pois ela grita e a babá das filhas aparece.

Maria da Penha, a própria.
O nome dele é Marco Antonio Heredia Viveros. O dela, Maria da Penha Maia Fernandes. Vinte e três anos depois do tiro nas costas, a mulher seria homenageada dando seu nome à Lei 11.340, assinada pelo presidente Lula, em 2006. A Lei Maria da Penha que responsabiliza autores de ameaças, agressões, assassinatos embaixo do guarda-chuva da violência doméstica. Mas Maria da Penha é uma entre uma multidão de outras que são submetidas à violência por parte de namorados, noivos, maridos, amantes atuais ou ex. O caso da farmacêutica demonstrou para a opinião pública que a violência doméstica ocorre em qualquer classe social e nível de escolaridade.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Dois homens, duas acusações, dois pesos e duas medidas.

Do Blog da Cidadania.

O ex-senador Demóstenes Torres foi flagrado mantendo relações com um chefe do crime organizado de Goiás. Há fartas provas materiais contra ele, inclusive gravações em que aparece se corrompendo.

Demóstenes foi flagrado por uma fonte deste blog desfrutando das delícias que o dinheiro pode comprar. A foto que o leitor vê acima foi tirada na cidade italiana de Firenze no primeiro dia deste ano.



José Genoino foi acusado de corrupção ativa e formação de guadrilha e condenado a 6 anos e 11 meses de prisão sem uma única prova material ou mesmo testemunhal. Para condená-lo, usaram a teoria de que seria “verossímil” que fosse culpado.

No mesma foto acima, Genoino aparece em prisão domiciliar, em Brasília, no dia 6 último, após a Justiça ter decidido lhe cobrar uma multa que vale mais do que a casa humilde em que reside, num bairro de periferia da grande São Paulo.

Os fatos acima resumem a Justiça brasileira. Abaixo, as fotos de como a elite judiciária trata a elite política deste país, que paira acima das leis enquanto debocha delas.

domingo, 5 de janeiro de 2014

A indústria do anticomunismo na disputa política

Luis Nassif

Original aqui.

Nos últimos anos, a indústria da mídia foi invadida por uma legião de anticomunistas que pareciam emergir das fraldas dos tempos, e de uma multidão de neoanticomunistas, atendendo à demanda aberta pelos grupos de mídia.

Explorei esse tema no artigo "Para melhor entender os amuos de FHC com Joaquim Barbosa".

É um anticomunismo de vestimenta nova. Vem na forma de combate ao chavismo, bolivarismo, castrismo e outras manifestações políticas absolutamente irrelevantes, no atual nível de desenvolvimento brasileiro.

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