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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

A Cassetada



Ao contrário de muitos, não achei surpreendente o vídeo acima. Reflete precisamente o tom do programa, que é até interessante em alguns momentos, diga-se de passagem. Muito apropriadamente chamado de "Manhattan Conection", conta com a presença quase initerrupta de pessoas como Diogo Mainardi (leia algo sobre ele aqui) sendo um exemplo a mais das absurdas distorções que a Liberdade de Imprensa pode gerar.

Para quem já leu a coluna de Mainardi na Veja ou já assistiu o programa no GNT não é surpresa nenhuma.

Naturalmente há que se defender a liberdade da Globo em manter seu canal orientado da forma que achar melhor. Não é esse o caso.

Contudo, ao mesmo tempo se pode observar duas coisas muito importantes: primeiro que, apesar das ofensas contundentes, o humorista não aponta uma única crítica real ao governo. Sua fala é apenas uma coleção de frases feitas, que são repetidas ininterruptamente por inúmeras pessoas naquele programa, sem nenhum conteúdo crítico prático.

Em segundo lugar, olhando atentamente, tem-se a sensação de que Marcelo Madureira está um pouco aéreo, fora de si. Talvez sob efeito de algum medicamento, ou coisa parecida. Não parece mesmo saber exatamente o que está fazendo.

Ou então é impressão minha.

Deve ser por isso que, segundo o Blog do Nassil (leia aqui) tanto nas reprises quanto no site oficial do canal GNT a fala do "Casseta" foi cortada.

Já tenho temido os caminhos a que as relações entre esta Imprensa e este Governo nos levará.

Tomara que todos tenham mais juízo.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

É fácil escolher agora

Segundo Turno.

Dava para prever, e eu mesmo comentei sobre isso (aqui) frente à pressão da Mídia, cujo poder vem sendo gradativamente minado, mas ainda não foi totalmente vencido. Provavelmente jamais o será.

Também por conta de certa soberba por parte da direção de campanha de Dilma Roussef, que subestimou a força dos adversários, os de dentro e os de fora do jogo, bem como a capacidade de seus “aloprados” meterem os pés pelas mãos.

Mas pessoalmente sinto que a maior fraqueza, ou falta de força, que o PT mostrou nessas eleições foi sua militância. Hoje a militância não é sombra do que foi outrora.

Em nome da governabilidade o PT fez uma série de alianças com grupos muito pouco afinados com a então história do partido, a se ver o PP, onde se abriga Paulo Maluf, ser hoje aliado do governo Lula. A governabilidade também fez o PT ir além, de encontro a um tanto de suas próprias lutas: reforma da previdência tirando direitos dos trabalhadores, intervenção da executiva nacional nas executivas regionais, privatização de rodovias e aeroportos, etc. Não é mais o mesmo PT. Bônus: a governabilidade. Ônus: não tem mais a mesma militância.

E esta fez falta ontem.

A disputa fica mais uma vez entre o PT e seus aliados, alguns dos quais merecem desconfiança geral, versus PSDB e seus aliados, muitos dos quais merecem desconfiança geral. É a disputa entre dois projetos, ambos já experimentados no Brasil. Pessoalmente não gosto muito do projeto do PT, que deveria ser mais ousado, avançar mais. Mas efetivamente gosto menos ainda do projeto do PSDB.

Apesar dos avanços com o Plano Real, bem como algumas mini-reformas necessárias, a gestão PSDB/PFL (hoje DEM) ficou restrita a isso. Não houve nenhum avanço para o Brasil que pulou da 8ª para a 14ª posição no ranking das economias globais durante os anos de gestão tucana.

Época das privatizações mal explicadas e mal conduzidas. Época da PetrobraX, uma tentativa quase infantil de descaracterizar uma marca para posterior venda, aquela que hoje é a segunda maior petrolífera do mundo, potencialmente. Época do salário mínimo de 70 dólares, que mal dava para uma cesta básica. Época em que o Brasil era tão respeitado que um Ministro de Estado tirou os sapatos para ser revistado ao entrar nos Estados Unidos. Época de desemprego rondando os 10%, às vezes 15%. Época de crescimento abaixo de 3%. Época dos juros de até 48%. Época do Apagão, e de nenhum investimento em rodovia, energia ou qualquer tipo de infra-estrutura. Época de programas sociais pífios e sem alcance. Época de Universidades Federais sucateadas. Época sem aumentos para o funcionalismo. Época do Estado sem concursos, sem investimentos. Época em que o Estado Brasileiro praticamente inexistia.

Confrontar isso com a gestão do PT é fácil, e o resultado é uma sonora diferença da água para o vinho. É ver o salário mínimo passando de 200 dólares, comprando quase três cestas básicas. É a economia avançando, com o Brasil ocupando cada vez mais destaque e respeito internacional. São programas sociais fundamentais (com os quais tenho discordâncias, mas sem que lhes diminua a importância) para a elevação do nível de renda da população. São investimentos em infra-estrutura: rodovia, ferrovia, portos, aeroportos, energia, comunicações, etc. em patamares jamais alcançados antes. É o Brasil que, pela primeira vez, começa a deixar de ser o “País do Futuro”, como sempre se ouviu. Apesar de todos os percalços, hoje temos cada vez mais um Brasil do Presente. Dos estudantes, dos trabalhadores, dos professores, dos agricultores. Um Brasil que não se envergonha de assumir que precisa de políticas sociais para a população carente, mas que se orgulha dos resultados destas políticas.

Claro que há problemas de corrupção. De malversação do erário. Este, entre muitos, é mais um dos males que a gestão do PT não atacou, e evidentemente isso deve ser denunciado e cobrado.

Mas ou muito me falha a memória ou o escândalo do SIVAM, aconteceu na gestão do PSDB/PFL. Também a CPI dos Bancos, que foi legitimamente engavetada pelo então Procurador da República, não é lá uma página que deixe orgulhosos os tucanos. E há mais, muito mais: as denúncias de propinas para a privatização, os supostos 200 mil reais por deputados para aprovar a emenda da reeleição, as ligações entre Luiz Carlos Mendonça de Barros, então ministro das Comunicações, e André Lara Resende, então presidente do BNDES, articulando o apoio da Previ para beneficiar o consórcio do banco Opportunity na privatização das Telecomunicações, a desvalorização do Real, já que para FHC se reeleger em 1998, o seu governo manteve a quase paridade entre o real e o dólar até passar o pleito. Tudo isso para que, depois, se descobrisse o nome de vários bancos que lucraram muito com a mudança cambial, enquanto a economia do Brasil ficava literalmente na bancarrota.

A lista é imensa, e pode ser conferida pelos que não tenham boa memória, ou não eram atentos à política naqueles anos. (leia aqui).

Questionar o apoio do governo do PT ao presidente da Venezuela, Equador, Bolívia, Honduras, todos democraticamente eleitos é possível? Sim. Mas é estranho quando as críticas partem dos mesmos que se aliaram a elementos verdadeiramente sombrios da História recente da América do Sul, como Fujimori, Menem e Cia. a fim de descaracterizar o Mercosul em total subserviência aos interesses dos Estados Unidos e da Europa.

Há uma lista enorme de motivos, pode-se até os continuar elencando. Fato porém é que, nesse segundo turno, no que pese o fato de nenhum dos dois candidatos ser pessoalmente o de minha preferência, há uma clara diferença entre um projeto que não é o ideal, mas traz avanços, e outro projeto que sempre se revelou lamentavelmente abaixo das expectativas e das possibilidades do Brasil.

É fácil escolher agora.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Ficha suja, ficha limpa

Essa eu peguei no Blog Molotov (aqui).



Em tempos que vemos a Lei da Ficha Limpa quase sendo desprezada exatamente pelos que deveriam zelar por ela.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Segundo Turno

O pessoal da Campanha de Dilma Roussef já pode dar como certa a nova realidade: haverá segundo turno nas eleições presidenciais.

A aposta é minha, pessoal. E não é uma torcida. Apenas uma constatação.

A estratégia da denúncia funcionou. A Imprensa jogou pesado, e os primeiros sinais de que as coisas estavam fugindo do controle foram dados pelo próprio Presidente Lula, que desceu do pedestal e chamou a Imprensa para a briga.

No que ele está em seu direito. Se a Imprensa pode falar o que deseja dele e de seu governo, porque ele não pode se defender e criticar a Imprensa? Lula jogou pesado, acusou a Imprensa de ser parcial e de ter candidato. Como de fato tem, já comentei sobre isso (leia aqui).

Todavia, independente de a Imprensa ser parcial ou não, as pesquisas mostraram que as denúncias alcançaram seu êxito: os índices de Dilma imediatamente pararam de subir e agora ganham uma tendência de queda. Primeiro entre os eleitores de renda maior, e agora entre os eleitores de renda menos generosa (leia aqui).

É uma bola de neve. Que em determinado instante se estagnará, mas até então provocará, e já está provocando, grandes prejuízos.

Efetivamente não falta muito para haver segundo turno. E não há nada que Lula e sua candidata possam fazer a essas alturas. A Imprensa baterá mais uma semana no caso da Ministra Erenice e no Domingo teremos a constatação de que José Serra e Dilma Roussef vão prolongar a disputa por mais um mês.

Pode não acontecer? Pode. Mas eu duvido.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O fim da "Imparcialidade"

O jornal O Estado de São Paulo de hoje veio com um editorial em que assume publicamentre que apóia o candidato José Serra para presidente da república. Leia aqui.

Muitos já haviam cantado a bola: a imprensa precisa assumir que tem candidato. Até o Presidente Lula já havia dito isso publicamente. O Estadão assumiu: eles apóiam José Serra.

Como já havia feito Carta Capital também. A revista apóia Dilma Roussef.

Não que isso seja grande novidade. Até no reino mineral, como diz Mino Carta, já se sabia que os jornais possuem suas preferências eleitorais, que tomam partido, que trabalham sua linha editorial contra ou a favor de certos candidatos. O Estadão e Carta Capital apenas assumiram o que já se sabia de longa data.

Todavia, esses dois eventos determinam um Marco na história da imprensa brasileira. Agora é oficial: a imprensa tem partido. Pelo menos O Estadão e Carta Capital têm.

Ocorre que é fácil ver que as demais mídias que se alinham na mesma linha de um (Estadão) ou outro (Carta Capital) também tem candidato. Mesmo que não assumam. Veja, Folha, O Globo. Todos orientam suas matérias e sua linha editorial da mesma forma que O Estadão. Logo, se O Estadão tem preferência política, então os demais também tem.

Simples assim.

Cai por terra o discurso da imparcialidade. Derrama-se um pouco da hipocrisia vigente na grande imprensa. Porque o que antes era percebido por muitos, denunciado por alguns e aceito por poucos agora é fato inexorável. Não há jornalismo imparcial. Carta Capital apóia Dilma. O Estadão apóia Serra. Carta Capital se alinha com o PT enquanto O Estadão se alinha com o PSDB. Outros podem até apoiar diferentes candidaturas, mas não se pode mais deixar de ver que efetivamente não existe neutralismo. Todo mundo está de algum lado.

O Estadão mais uma vez faz história. Merece ser parabenizado pela coragem assumir seu engajamento político, ainda que não seja uma grande novidade. Coragem mesmo, ao assumir que é contra um governo que tem 80% de popularidade. Se todos o seguirem, se essa coragem se espalhar pelos demais jornais, revistas e emissoras, então prestar-se-á um grande serviço à Democracia no Brasil.

O fim da “Imparcialidade”.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Ameaça à Ficha Limpa!

Ontem o placar ficou, pasmem, em 5 a 5.

Ou seja, 5 ministros do Supremo Tribunal Federal consideraram que a Ficha Limpa não deve ter validade para estas eleições.

Uma vitória, sem dúvidas.

Vitória dos fichas-suja.

Vitória dos que atrasaram o projeto de Lei no Congresso, para que ele fosse colocado em suspeição por conta dos trâmites exíguos.

Vitória do Ilícito, do Imoral, do Condenável e dos Condenados.

Vitória de Gilmar Mendes, que votou contra o projeto. Contra o anseio de todo um país.

Derrota de Joaquim Barbosa, que votou a favor.

Derrota de quem se mobilizou pela moralização da política no Brasil.

Derrota do anseio democrático de um povo.

Derrota da vontade das pessoas por um país melhor.

Cabe lamentar. Ainda há uma esperança no fim do túnel, mas ela é apenas um tênue fio de luz: com a nomeação de um 11o membro para o STF, então pode ser que ele vote e desempate esta contenda, a favor pelo Brasil. Mas isso não acontecerá por ora.

Por enquanto temos 5 juízes contrários à aplicação imediata do Ficha Limpa: os ministros Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Marco Aurélio, Celso de Mello e Cezar Peluso.

Mas também temos 5 juízes que se entrincheiraram junto à vontade do Brasil: ministros Ayres Britto, Cármen Lúcia, Joaquim Barbosa, Ricardo Lewandowski e Ellen Gracie.

É isso. Triste dia para todos os brasileiros.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Ameaça à Democracia?

Um grupo de intelectuais e artistas lançou ontem, em São Paulo, um "manifesto em defesa da democracia". O texto do referido manifesto segue abaixo.

Em minha modesta opinião é um manifesto que, resumidamente, diz assim: "é uma pena que o Presidente seja vil a ponto de não reconhecer os feitos de seus antecessores. É lamentável que um presidente use os espaços oficiais para se defender das acusações contra seu governo. É revoltante que um presidente não fique o tempo todo acuado pela Imprensa. É inaceitável que um presidente emita opiniões desqualificando a Mídia".

Não precisa ser bidu para adivinhar que essas pessoas estão se referindo às falas do Presidente Lula a respeito da grande imprensa.

Deixemos de lado o "quem tem razão". Porque se a imprensa tem o direito de levantar quantas e quais denúncias quiser contra o Presidente, também o mandatário tem o legítimo direito de emitir suas opiniões a respeito da imprensa.

Não há nada ameaçando a Democracia nisso. Apenas o livre, e democrático, direito ao exercício da livre expressão. De parte a parte.

Mesmo que de forma grotesca, insultando todo um país, como fez a Revista Veja ao publicar uma capa com a Bunda do Presidente "marcada" por uma botinada.

Lamentável, mas lícito. E curiosamente não foi encarado como uma ameaça à democracia.

Porque então a emissão, por parte do Presidente, de sua livre opinião a respeito da imprensa seria uma "ameaça à Democracia"? Porque as chacotas e as denúncias sem fundamento não são "ameaças" também?

Já comentei antes e reitero agora. Temo que todos estejam ultrapassando limites bem perigosos nessas eleições. Temo que o Governo e (boa parte da) Imprensa não consigam conviver num futuro próximo. Um dos dois perecerá.

E isso sim, provavelmente não será nada bom para a Democracia. Ou por se inviabilizar um governo democraticamente eleito, ou por se ter destruída a credibilidade do quarto poder, aquele que não é constitucionalmente estabelecido, mas que cumpre uma tarefa fundamental na manutenção da Democracia.

Tomara que todos tenham juízo a partir de agora. Porque o fim dessa história pode ser a repetição trágica de outros momentos semelhantes que vivemos no passado.

E então, de fato, a Democracia estará em risco.

Vejam o "manifesto".

"MANIFESTO EM DEFESA DA DEMOCRACIA

Em uma democracia, nenhum dos Poderes é soberano.

Soberana é a Constituição, pois é ela quem dá corpo e alma à soberania do povo.

Acima dos políticos estão as instituições, pilares do regime democrático. Hoje, no Brasil, os inconformados com a democracia representativa se organizam no governo para solapar o regime democrático.

É intolerável assistir ao uso de órgãos do Estado como extensão de um partido político, máquina de violação de sigilos e de agressão a direitos individuais.

É inaceitável que a militância partidária tenha convertido os órgãos da administração direta, empresas estatais e fundos de pensão em centros de produção de dossiês contra adversários políticos.

É lamentável que o Presidente esconda no governo que vemos o governo que não vemos, no qual as relações de compadrio e da fisiologia, quando não escandalosamente familiares, arbitram os altos interesses do país, negando-se a qualquer controle.

É inconcebível que uma das mais importantes democracias do mundo seja assombrada por uma forma de autoritarismo hipócrita, que, na certeza da impunidade, já não se preocupa mais nem mesmo em fingir honestidade.

É constrangedor que o Presidente da República não entenda que o seu cargo deve ser exercido em sua plenitude nas vinte e quatro horas do dia. Não há “depois do expediente” para um Chefe de Estado. É constrangedor também que ele não tenha a compostura de separar o homem de Estado do homem de partido, pondo-se a aviltar os seus adversários políticos com linguagem inaceitável, incompatível com o decoro do cargo, numa manifestação escancarada de abuso de poder político e de uso da máquina oficial em favor de uma candidatura. Ele não vê no “outro” um adversário que deve ser vencido segundo regras da Democracia , mas um inimigo que tem de ser eliminado.

É aviltante que o governo estimule e financie a ação de grupos que pedem abertamente restrições à liberdade de imprensa, propondo mecanismos autoritários de submissão de jornalistas e empresas de comunicação às determinações de um partido político e de seus interesses.

É repugnante que essa mesma máquina oficial de publicidade tenha sido mobilizada para reescrever a História, procurando desmerecer o trabalho de brasileiros e brasileiras que construíram as bases da estabilidade econômica e política, com o fim da inflação, a democratização do crédito, a expansão da telefonia e outras transformações que tantos benefícios trouxeram ao nosso povo.

É um insulto à República que o Poder Legislativo seja tratado como mera extensão do Executivo, explicitando o intento de encabrestar o Senado. É um escárnio que o mesmo Presidente lamente publicamente o fato de ter de se submeter às decisões do Poder Judiciário.

Cumpre-nos, pois, combater essa visão regressiva do processo político, que supõe que o poder conquistado nas urnas ou a popularidade de um líder lhe conferem licença para rasgar a Constituição e as leis. Propomos uma firme mobilização em favor de sua preservação, repudiando a ação daqueles que hoje usam de subterfúgios para solapá-las. É preciso brecar essa marcha para o autoritarismo.

Brasileiros erguem sua voz em defesa da Constituição, das instituições e da legalidade.

Não precisamos de soberanos com pretensões paternas, mas de democratas convictos.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

FIOL para os descrentes

O Candidato ao senado Walter Pinheiro soltou um verdadeiro torpedo contra muitos que, como eu, puseram em dúvida a execução da FIOL, Ferrovia Integração Oeste-Leste. Leia aqui e veja como Pinheiro declarou que a licitação da ferrovia é uma "resposta aos descrentes".

Bem, ponho minha mão à palmatória. De fato, licitados os primeiros trechos, parece que realmente a obra será levada a cabo. Em breve teremos a FIOL, o que favorecerá sobremaneira a economia da região sul da Bahia.

Eu não tinha realmente tanta convicção, mas agora passo a ter. Tomara que eu erre assim outras vezes. Terei prazer em retificar. Parabéns aos governos estadual e federal pelo empenho em cumprir a promessa.

É que o início das obras da Ferrovia impõe a necessidade de algum porto para escoar o produto do transporte ferroviário. Ou isso, ou a Ferrovia vai dar em lugar nenhum.

Pode ser o mesmo porto que será usado pela empresa de mineração. Pode não ser. Mas que haverá um porto, com certeza haverá.

Portanto os Governos Lula/Wagner dão indícios suficientes de que o tripé do Complexo Intermodal não será apenas uma promessa. Será uma Promessa Cumprida. O que, convenhamos, já não era sem tempo.

E será muito bom para bafejar a economia desta região com um impulso, permitindo que se retome a rota do crescimento.

Mas não consigo me esquecer: ainda falta alguma coisa.

E estranhamente todos se calam a respeito. Porque não há mais nada sendo dito a respeito do Aeroporto Internacional?

Porque o aeroporto de Vitória da Conquista já está prestes a ser iniciado e o de Ilhéus não tem nem projeto ainda?

É fato conhecido que governos só funcionam sob pressão. Isso é a essência da própria Democracia. Por isso, é necessário incessantemente vigiar e cobrar.

Estamos vendo a Ferrovia. Conseguimos ver o Porto. Mas não se vislumbra o Aeroporto. E é aí que está o problema.

Quem não vê não crê.

sábado, 18 de setembro de 2010

Comentário Inteligente

No Blog do Nassif eu li um comentário que ilustra muito bem o atual momento da política do Brasil.

A mim impressiona a voracidade com que setores da mídia se agarram na repercussão de manchetes totalmente vazias e sem fundamento, na ânsia de reverter uma eleição que parece decidida.

Matérias são distorcidas, pessoas são citadas, fatos se misturam com conjecturas gerando o mais verdadeiro jornalismo.

Jornalismo Marrom.

Ocorre que talvez essa raiva proporcione que se vençam limites perigosos. Não mais os da ética e do jornalismo. Esses já foram há muito.

São os da convivência.

Acho cada vez mais difícil a Revista Veja e o próximo governo coexistirem no mesmo Brasil. Um dos dois perecerá.

A matéria pode ser lida aqui.

"A revista da Editora Primeiro de Abril já havia criado:

. O grampo sem áudio do presidente do STF

. O vídeo sem imagem de Lina Vieira no Planalto

. O dossiê sem recheio do "grupo de inteligência"

. O contrato sem assinatura do falso empresário

Esta semana o jornalismo investigativo da Veja volta a inovar com:

. O intermediário de monopólio - um tipo que recebe propina para obrigar o Ministério da Saúde a comprar um remédio diretamente do único fabricante, desde que o fornecedor faça um abatimento considerável no preço.

. O off gravado – um amigo do tal tipo contou essa história para o repórter, que gravou tudo mas não pode revelar a fonte, se é que a fonte sabe que foi gravada.

. O favorecimento futuro – o sujeito tem uma empresa que vai bombar quando alguém fizer um decreto que pode modificar uma regra, que pode abrir para a empresa a oportunidade de se adaptar a um setor de serviços que pode vir a existir. Também conhecido como antecipação fraudulenta.

Um abraço do seu leitor"