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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Réquiem

Inesquecível Mercedes!





Saudades para sempre da voz de toda uma América Latina!

sábado, 3 de outubro de 2009

Meninos, eu Vi!

Mensalões, ambulâncias, cooptação de caseiros, pressão em secretárias da Receita, fraudes no ENEM à parte. Não que essas coisas sejam defensáveis. Tampouco que eu acredite desvairadamente em cada denúncia. Contudo, e apesar de tudo, estava hoje fazendo uma reflexão a respeito das coisas que eu nunca pensei que viveria para ver.

O Brasil ser considerado “credor” da dívida externa. Aquela que parecia “impagável” em outros tempos.

O Presidente do Brasil ser recebido como presença de honra na Inglaterra (aquele que é convidado a se sentar ao lado da Rainha) destacando-se num encontro dos líderes dos países mais ricos do mundo.

Aliás, o Brasil participar de um encontro entre os países mais ricos do mundo.

O Brasil se tornar auto-suficiente em petróleo, e possivelmente vir a ser a maior potência energética do planeta.

Diminuição efetiva e irrefutável – dados do IBGE e da ONU – dos índices de pobreza e miséria.

Estação de seca no Nordeste sem as velhas manchetes dando conta de milhares e milhares de pessoas vivendo à base de Calango assado e Palma cozida.

O Brasil parar de tomar dinheiro emprestado, sujeitando-se às determinações e ingerências do FMI.

O Brasil emprestar dinheiro ao FMI para socorrer economias de outros países.

Frente à maior crise econômica mundial desde 1929, que devastou economias pelo mundo inteiro, o Brasil foi um dos últimos países a entrar em recessão, e um dos primeiros a sair dela. Eu sou do tempo em que uma pequena crise na Argentina ou no México fazia a economia brasileira derreter (ou, como se dizia: se a Argentina "espirra", o Brasil "pega uma Tuberculose").

O Brasil sediar uma Copa do Mundo.

O Brasil sediar os Jogos Olímpicos.

Devo ter esquecido alguma coisa.

Eu sou um crítico contumaz do governo do presidente Lula. Muitas dessas “conquistas” que listei acima eu, pessoalmente, nem considero vantajosas, porque não estou convencido de que estrategicamente foram compensatórias.

E não me esqueço de inúmeras mazelas e problemas que este governo criou, ou não resolveu.

Mas não se pode negar: durante os quase 7 anos de governo do Presidente Lula, do PT e de sua coligação – que muitas e muitas críticas e suspeitas merecem – tenho visto coisas que realmente jamais pensei que veria em minha vida.

Um dia terei cá minhas memórias, da forma do velho Timbira, que vive em “I-Juca-Pirama”, de Gonçalves Dias. E lembrarei desta época, assim como o velho índio se lembra do “moço guerreiro Tupi” e suas façanhas.

E direi para meus filhos e filhas, ou para os netos que um dia terei: “Meninos, eu vi!”.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Dia do Idoso

O dia do Idoso. Esta data era celebrada no dia 27 de Setembro. Todavia, desde a promulgação do Estatuto do Idoso em 1º de Outubro, o dia do idoso foi transferido para hoje de acordo com a lei número 11.433 de 28 de Dezembro de 2006.

Portando hoje é o Dia do Idoso.

Dever-se-ia dizer "Dia da Melhor Idade", pois a cada dia mais, devido aos avanços da Ciência e da tomada da consciência, por cada vez mais pessoas, de que ficaremos velhos – se tivermos sorte – a vida do idoso vem melhorando.

Emociona muito saber de histórias como a de dona Enedina Pereira da Silva, que completava 100 anos no dia em que concluía seu curso de alfabetização, encerrando o TOPA (Todos Pela Alfabetização), um dos mais importantes programas do governo do estado da Bahia.

De fato, não se pode negar que viver na “melhor idade” tem sido de fato cada vez melhor. A Ciência tem proporcionado longevidade às pessoas e, além disso, pesquisas em Bioquímica, Medicina Preventiva e Geriatria permitem cada vez mais que os nossos queridos velhinhos possam gozar (literalmente às vezes!) dos prazeres da vida por muitos e muitos anos. Mudanças legislativas modificaram as relações da sociedade com os idosos, garantindo-lhes mais dignidade e respeito, ressaltando um dos mais sábios entendimentos da Lei: que não se pode tratar com igualdade pessoas que são desiguais. Os idosos merecem as conquistas que vão obtendo. Isso é algo que a humanidade inteira tem que comemorar.

Mas ainda é pouco. Por exemplo, no estatuto do idoso se estabelece que eles tem o direito de não aguardar o mesmo tempo que os mais jovens pelo atendimento em filas de bancos, estabelecimentos comerciais, autarquias, etc. O espírito da Lei é óbvio: com músculos e ossos mais envelhecidos, é justo que os velhinhos e as velhinhas não fiquem tanto tempo quanto os demais em posição desconfortável – normalmente de pé – esperando por um atendimento qualquer. O desejável, e o que motivou a Lei, é que jovens aguardem mais para que velhos tenham prioridade.

Mas eis que surgem as “filas preferenciais” para Idosos, gestantes e portadores de deficiência física!

Não conheço o texto exato da Lei a esse respeito. Portanto, não cometeria aqui a leviandade de declarar ser a “fila preferencial” uma solução ilegal. Mas uma coisa se vê facilmente: as tais “filas preferenciais” afrontam humilhantemente o Espírito da Lei. Pois os idosos que pegam a “fila preferencial” acabam esperando pelo seu atendimento, e sofrendo com o desconforto, da mesma forma que os demais usuários. Algumas vezes até mais.

Por exemplo, certa vez, numa agência bancária, fiz uma conta bem simples: havia um caixa atendendo a “fila preferencial”. E haviam 12 idosos de pé nesse fila. Os demais clientes, que eram atendidos pela “fila não preferencial”, somavam 21 pessoas. E haviam 3 caixas para atende-los. Assim, na média, havia 7 pessoas para cada atendente na fila dos clientes “não preferenciais” e 12 idosos para cada atendente na fila “preferencial”. Isso sem considerar o fato de que, devido às inerentes dificuldades de audição e visão, o tempo médio de atendimento de cada um dos idosos é maior do que o dos demais clientes.

Pode até não ser contra a lei. Mas a “Fila Preferencial” é uma clara afronta ao direito dos idosos. É uma maneira de as empresas e organizações em geral atenderem ao que está disposto no Estatuto do Idoso, mas sem arcar, de fato, com o ônus de conceder o tratamento que o idoso merece: um atendimento de fato diferenciado.

Naturalmente, esse procedimento de “fila preferencial” não se resume a bancos: supermercados, repartições públicas, autarquias, etc. costumam seguir o mesmo procedimento.

Talvez este protesto aqui não passe de uma grande bobagem, mera perda de tempo, pois não há nada legal que possa ser feito. Mas permitamo-nos o direito de refletir, protestar e denunciar.

Os nossos velhinhos, que vivem sua “melhor idade” têm muito a comemorar e merecem que comemoremos com eles, a cada conquista. São, em metáfora (e realmente também), os pais, tios, avós, bisavós de todos nós. Merecem amor e respeito.

Mas ainda há muito a conquistar, para que se possa dizer que concedemos a dignidade merecida a quem já viveu uma vida inteira, e agora têm o direito de verdadeiramente gozar uma Melhor Idade.

Mais do que uma Lei, é preciso que tenhamos o coração sempre repleto de carinho e respeito por eles.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Soneto

A Rosa

Flor que nunca esquecerei
Lá do meio do jardim
Mais que bela e que o odor
Pecou, Pétala, em mim

Teu perfume, tão suave
Faz feliz quem perceber
O que guarda sepalado
Mil surpresas de prazer

Flor a mais que, num jardim
Me espetou, cicatrizou
Deixou sua marca em mim

Dói-me um pouco, Flor formosa
Não seguir teu caminhar
Sê Feliz, então, minha Rosa!

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

O que não se quer ver

Há, naturalmente, pessoas que não aceitam ver. Mas, indiferente às preferências individuais de cada um, a Parada Gay, ou melhor dizendo, a Parada do Orgulho Gay, tradicionalmente é um movimento de forte matiz político-ideológico. Trata-se de um sonoro brado dos homossexuais, bissexuais e simpatizantes, denunciando, a seu modo, todo o preconceito de que são vítimas.

Um legítimo direito democrático, que sempre foi exercido pelos manifestantes fazendo absoluta questão de usar o mínimo possível tanto de discrição quanto de violência.

Há os que são indiferentes ao movimento. Há os que consideram a passeata uma “agressão à moral e aos bons costumes”. Há os que, como eu, defendem e apóiam o exercício do direito de liberdade de expressão dos Gays pois são eles quem, afinal, sabem onde lhes doem os calos.

O que não pode acontecer em nenhuma hipótese são as cenas de violência que foram vistas no último desfile do orgulho gay em Ilhéus (leia aqui). As matérias dão conta de tiroteio, correria, feridos... cenas lamentáveis que ninguém gostaria ou mereceria ver.

Falharam a Polícia Militar – tanto por conta do mau aparelhamento dado pelo Governo do Estado quanto por conta da falta de um mínimo de planejamento – e os organizadores do evento, consortes com a prefeitura, que precisam se precaver, considerando a possibilidade, a cada dia mais provável, de ocorrerem incidentes violentos em eventos públicos dessa natureza.

Mas essa não é a lição mais importante. O que realmente fica como alerta é o sinal, mais um, do empobrecimento de uma cidade e de uma região.

Que não restem mais ilusões: a falta de oportunidades para se engajar no processo econômico formal força as pessoas a tomar um dos três caminhos: a) buscar a informalidade, tornando-se camelôs ou negociantes de produtos de origem duvidosa, b) mudar-se, em busca de um lugar com melhores oportunidades de vida ou c) migrar para a marginalidade, onde sempre há uma chance de encontrar um modo de viver, e talvez de morrer.

E numa cidade cuja economia caminha para o colapso, como o caso de Ilhéus, não é de se surpreender que fenômenos assim estejam ocorrendo: diminuição da população, já que as pessoas buscam oportunidades em outros lugares, aumento do número de comerciantes “informais” que negociam produtos mais informais ainda e, infelizmente, o crescimento de todos os índices de violência.

Acumulam-se, para todos os lados que se volta o olhar, as evidências de que Ilhéus, bem todo o Sul da Bahia, precisa o quanto antes mudar o rumo de sua economia. Abrir novas oportunidades. Aceitar novos desafios. Romper com amarras do atraso.

Essa realidade, embora dura, está aí, piscando aos olhos de todos. Brilha mais do que o desfile do Orgulho Gay.

Mas há, naturalmente, pessoas que não aceitam ver.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

"Pimenta na Muqueca" não ficou calado

A foto é de duas meninas, uma com 14 e outra com 16 anos. Fazem "ponto" no viaduto do cruzamento das BR 415 e BR 101 - a menos de 2 km do posto da Polícia Rodoviária Federal. Usam o dinheiro que recebem para sustentar o vício do Crack.

A Matéria pode ser lida no "Pimenta na Muqueca", que está de parabéns pela denúncia. Clique aqui.



Foto de Oziel Aragão, um belo instantâneo de uma das faces mais cruéis da pobreza que já compõe a paisagem no Sul da Bahia.

É preciso mudar o rumo da economia desta região. Urgentemente.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Para não ficarmos calados

Protejamos nossas crianças.

Sempre!

Em cidades que recebem muitos turistas temos que ter ainda mais atenção.





Quem não denuncia também é criminoso.

Não perca a oportunidade de poupar sofrimento a uma criança. Disque 100.


20 Anos!




Parece que foi ontem!

Depois de vencer as 500 milhas de Indianápolis, e dominar amplamente a temporada, Emerson Fittipaldi saltava o Atlântico, e se tornava campeão mundial da Formula Indy, a categoria que então rivalizava com a Fórmula 1.

A Vitória no oval de Nazareth garantiu o título por antecipação, e o brasileiro tornou-se um dos únicos pilotos do mundo a conquistar os campeonatos mundiais de Fórmula 1 e Fórmula Indy.

Salve Emmo, que havia conquistado o mundo, e então conquistava a América.

Cumpria sua sina, abrindo os caminhos do automobilismo norte-americano aos pilotos brasileiros. Como já fizera no automobilismo europeu.

20 anos atrás. Completos exatamente hoje.