O termo, uma redundância sarcástica, foi cunhado pelo genial Nélson Rodrigues.
É "óbvio e ululante" o argumento que alguns defendem a respeito dos problemas no aeroporto de Ilhéus e, mais recentemente, da iminente decisão das maiores empresas aéreas, Gol e TAM, que devem passar a operar em Comandatuba.
Dizer que "as empresas aéreas estão indo operar em Comandatuba porque lá é mais lucrativo do que operar no Jorge Amado" é mesmo uma constatação inegável. Vê-se logo a verossimilhança desta frase, e como ela se sustenta pelos fatos e indícios. É o que Nelson Rodrigues chamaria de "óbvio ululante". Eu mesmo já havia comentado sobre isso (leia aqui).
Mas a pergunta que ninguém, nem na ANAC, nem na Infraero, nem no Governo do Estado e nem no Governo Federal responde satisfatoriamente é a seguinte: porque não se envidam esforços a fim de tornar interessante para estas empresas a operação no aeroporto Jorge Amado?
Há soluções, que dependem de decisões administrativas - algo que passa adiante das palavras, e precisa da ação. Basta instalar os instrumentos adequados, como o VOR/DME ou o ILS. Também já tive o desprazer de comentar sobre isso em meu blog, como se pode ler aqui, aqui e aqui.
Promessas, todas vazias, algumas até maldosas, não faltaram. Eu mesmo tive a infeliz oportunidade de comentar algumas (leia aqui, aqui e aqui).
Assim, dizer que as empresas aéreas buscam maximizar o lucro, e por isso passarão a operar em Comandatuba, não isenta os gestores (ANAC, Infraero, Governo Estadual e Governo Federal) de suas responsabilidades: cabe-lhes, em respeito à população de Ilhéus e região, tornar o aeroporto Jorge Amado seguro e, com isso, economicamente viável para operação das grandes companhias. É tecnicamente possível. Mas precisa estar na lista de prioridades.
Nesse sentido sobraram promessas, incluindo aí as do Governador Wagner e do Presidente Lula. Mas inexistiram ações práticas.
O aeroporto de Ilhéus é viável, e pode plenamente operar com segurança e lucratividade pelas grandes companhias aéreas até que seja substituído pelo novo aeroporto (que, aliás, até o momento também não passa de uma promessa). Mas para isso acontecer, depende de investimento, e de decisões estratégicas por parte da Infraero.
Depende de vontade política.
E a cada dia parece mais que é exatamente aí que está o problema.
Notícias e Reflexões sobre Ilhéus, Automobilismo, Computação e o que mais for de noticiar ou de refletir
Pesquisar
quarta-feira, 10 de março de 2010
terça-feira, 9 de março de 2010
O Artista e sua Arte
Peguei no blog de Flávio Gomes (aqui).

Este é Ayrton Senna. Um dos maiores talentos que o automobilismo já viu. Neste ano, Ayrton completaria 50 primaveras.
Na foto, um belo fragrante de Senna em seu estilo: arrojo puro. E velocidade. Quem mais guiaria um Kart dessa forma? "Era impossível batê-lo", dizem os que competiram contra Ayrton naquele tempo.
De fato, se o Kart aguentasse o "tranco", Ayrton era mesmo invencível. E seu estilo, de puríssimo arrojo, fica muito bem ilustrado nesta bela foto.

Este é Ayrton Senna. Um dos maiores talentos que o automobilismo já viu. Neste ano, Ayrton completaria 50 primaveras.
Na foto, um belo fragrante de Senna em seu estilo: arrojo puro. E velocidade. Quem mais guiaria um Kart dessa forma? "Era impossível batê-lo", dizem os que competiram contra Ayrton naquele tempo.
De fato, se o Kart aguentasse o "tranco", Ayrton era mesmo invencível. E seu estilo, de puríssimo arrojo, fica muito bem ilustrado nesta bela foto.
segunda-feira, 8 de março de 2010
DIA UNIVERSAL DA MULHER (MÁRIO QUINTANA)
Sesteava Adäo quando, sem mais aquela,
se achega Jeová e diz-lhe, malicioso:
"Dorme, que este é o teu último repouso!"
E retirou-lhe Eva da costela...
---------------------------------------------------------------
Se assim (tudo esquecer talvez!)
E ir andando, pela névoa lenta,
Com a displicência de um fantasma inglês..
---------------------------------------------------------------
Dali a três quadras o mundo acabava.
Dali a três quadras, numvalo profundo...
Bem junto com a rua o mundo acabava.
Rodava a ciranda no meio do mundo...
--------------------------------------------------------------
Cidadezinha cheia de graça...
Täo pequenina que até causa dó!
Com seus burricos a pastar na praça...
Sua igrejinha de uma torre só...
------------------------------------------------------------
E as horas lá se väo, loucas ou tristes...
Mas é täo bom, em meio às horas todas,
Pensar em ti...saber que tu existes!
--------------------------------------------------------------
O banho de luz, täo puro,
Na paisagem familiar:
Meu chäo,meu poste, meu muro,
Meu telhado e minha nuvem,
Tudo bem no seu lugar.
-----------------------------------------------------------
Ah, e eu pudesse, tardezinha pobre,
Eu pintava trezentos arco-íris
Eu pintava trezentos arco-íris
Nesse tristonho céu que nos encobre!...
------------------------------------------------------
Este silêncio é feito de agonias
E de luas enormes, irreais,
Dessas que espiam pelas gradarias
Nos longos dormitórios de hospitais.
------------------------------------------------------
Da vez primeira em que me assassinaram
Perdi umjeito de sorrir que eu tinha...
Depois, de cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha...
---------------------------------------------------------
se achega Jeová e diz-lhe, malicioso:
"Dorme, que este é o teu último repouso!"
E retirou-lhe Eva da costela...
---------------------------------------------------------------
Se assim (tudo esquecer talvez!)
E ir andando, pela névoa lenta,
Com a displicência de um fantasma inglês..
---------------------------------------------------------------
Dali a três quadras o mundo acabava.
Dali a três quadras, numvalo profundo...
Bem junto com a rua o mundo acabava.
Rodava a ciranda no meio do mundo...
--------------------------------------------------------------
Cidadezinha cheia de graça...
Täo pequenina que até causa dó!
Com seus burricos a pastar na praça...
Sua igrejinha de uma torre só...
------------------------------------------------------------
E as horas lá se väo, loucas ou tristes...
Mas é täo bom, em meio às horas todas,
Pensar em ti...saber que tu existes!
--------------------------------------------------------------
O banho de luz, täo puro,
Na paisagem familiar:
Meu chäo,meu poste, meu muro,
Meu telhado e minha nuvem,
Tudo bem no seu lugar.
-----------------------------------------------------------
Ah, e eu pudesse, tardezinha pobre,
Eu pintava trezentos arco-íris
Eu pintava trezentos arco-íris
Nesse tristonho céu que nos encobre!...
------------------------------------------------------
Este silêncio é feito de agonias
E de luas enormes, irreais,
Dessas que espiam pelas gradarias
Nos longos dormitórios de hospitais.
------------------------------------------------------
Da vez primeira em que me assassinaram
Perdi umjeito de sorrir que eu tinha...
Depois, de cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha...
---------------------------------------------------------
E esse belo vídeo. Minha homenagen à Rainha Guerreira que é em cada Mulher
domingo, 7 de março de 2010
sábado, 6 de março de 2010
Geração de Empregos
A administração de Jacques Wagner no governo do estado tem sido, modestamente, por mim avaliada como regular.
Seria melhor se não fossem as promessas não cumpridas, além de alguns erros de gestão, principalmente em níveis de médio escalão.
O Tomógrafo do Hospital Regional de Ilhéus, que foi comprado e permanece sem funcionar há vários meses é um bom exemplo disso. Seria algo como uma pessoa que não tem computador conseguir juntar dinheiro e comprar um. Mas mantê-lo na caixa. Inconcebível.
Mas há resultados. E há belíssimas campanhas publicitárias enaltecendo-os.
Aqui uma peça de publicidade muito bonita, que me emocionou. Propaganda politico-eleitoral, é verdade. Mas não é mentira. 170 mil empregos é um recorde, e a "parte boa" do governo da Bahia tem muito a ver com isso.
Seria melhor se não fossem as promessas não cumpridas, além de alguns erros de gestão, principalmente em níveis de médio escalão.
O Tomógrafo do Hospital Regional de Ilhéus, que foi comprado e permanece sem funcionar há vários meses é um bom exemplo disso. Seria algo como uma pessoa que não tem computador conseguir juntar dinheiro e comprar um. Mas mantê-lo na caixa. Inconcebível.
Mas há resultados. E há belíssimas campanhas publicitárias enaltecendo-os.
Aqui uma peça de publicidade muito bonita, que me emocionou. Propaganda politico-eleitoral, é verdade. Mas não é mentira. 170 mil empregos é um recorde, e a "parte boa" do governo da Bahia tem muito a ver com isso.
sexta-feira, 5 de março de 2010
Descentralização, finalmente?

Esta imagem eu copiei do Blog "Pensar Grande" (leia aqui) na postagem intitulada "Ciclo de debates prepara a Bahia para o futuro".
Durante décadas os governos da Bahia pouco ou nada faziam para desenvolver o estado por inteiro. A Bahia, em termos de desenvolvimento econômico, parecia resumir-se à Zona Metropolitana de Salvador e parte do Recôncavo.
Para o resto do estado algumas migalhas, como os investimentos em fruticultura na região de Juazeiro e na produção de grãos no extremo oeste, ou alguns "milagres", muitas vezes efêmeros, como o Café na região de Vitória da Conquista ou o Cacau, no Sul do estado.
Resultados que surgiram muito mais pelo acaso do que por ação coordenada do governo estadual. Tanto que nunca se planejou a produção e o escoamento das frutas do extremo norte, e muito menos os grãos, que viajam em caminhões pelas rodovias - normalmente em estado precário - que cortam o estado de um lado a outro. Os custos de transporte e as perdas (frutas apodrecem, grãos caem de carrocerias de caminhões, acidentes, etc.) tornam o negócio inteiro apenas um esboço do que ele efetivamente pode ser.
O Mapa acima, ainda que (mais uma vez) trate-se de uma mera promessa, pelo menos mostra uma visão holística do estado inteiro. Uma área de produção de grãos, e outra área de produção de minério. Um sistema ferroviário, cujo transporte é mais seguro e mais barato, corta as duas áreas, em direção a um porto com capacidade para assegurar a logistica de exportação de toda esta produção. No Extremo sul, a produção de Celulose ainda carece de uma infra-estrutura adequada para escoamento. O mesmo se dá com a fruticultura do extremo Norte.
Para esta última, há o Rio São Francisco, que pode ser revitalizado e tornado navegável. A Celulose ainda precisará, pelo que se vê, da velha BR 101 e de um Porto - este pode ser de porte menor - na região de Porto Seguro.
Não sei se tudo isso vai se realizar. Como disse, trata-se de promessas do governo do Estado. E eu, muito pessoalmente, decidi que desconfio de todas as promessas feitas por todos os governos.
Mas é fato que sonhar não custa nada e, ao menos em planejamento (e promessas), pela primeira vez o Governo da Bahia se torna mais do que o Governo da Região Metropolitana de Salvador.
Tomara que não seja um sonho.
Ou então que a gente não acorde mais.
quinta-feira, 4 de março de 2010
Brincando com Fogo
O projeto de equipe Campos, que virou Campos-Meta, e agora recentemente foi rebatizado de Hispania (o nome deve mudar ainda) é candidato a ser o maior fracasso da história da Fórmula 1.
E levará consigo o nome Senna, pois o único piloto confirmado na equipe é o sobrinho do Tri-campeão.
Ter um piloto com um bom currículo, embora inexperiente (jamais disputou um GP de Fórmula 1), é alguma coisa.
O problema é que, a menos de três semanas para o início do mundial, esta é a única coisa que a equipe tem.
Os carros serão (serão mesmo?) entregues pela Dallara já para o GP do Bahreim. Isso significa que a primeira experiência dos pilotos (se houver um outro piloto) com o carro já serão os testes para a corrida. Antes disso, sequer o motor do carro funcionou numa garagem.
Pode ser engraçado de se ver, pois a equipe deverá protagonizar atos performáticos como Rodadas ineperadas, falhas de equipamento e erros de pilotos - que não podem ser culpados pois absolutamente desconhecem o carro.
Caso consigam alinhar os carros no Barheim, deverão ficar a uma dezena de segundos do melhor tempo. Isso os levará, no improvável caso de algum dos seus carros terminar a corrida, a completar 8,9 ou talvez 10 voltas a menos que o vencedor.
Isso seria a parte engraçada. Vê-los bancar os palhaços. A fórmula 1 é um circo, e todo circo precisa de palhaços.
Mas a preocupação, externada pelo líder da GPDA (Grand Prix Drivers Association - Associação dos pilotos de Grande Prêmio, em livre tradução minha), Mark Webber, é consistente (leia aqui). Os carros da equipe Hispania (ou sei lá que nome terão) podem acabar sendo menos cômicos do que trágicos.
Por um lado, o cockpit pode se revelar uma verdadeira cadeira elétrica. Bruno Senna sabe, por antecedências familiares pessoais, o que uma falha mecânica pode fazer a um piloto dentro de um carro de Fórmula 1 a mais de 300 Km/h. E nesta nova equipe não há nada testado: freios, direção, suspensão, motor, câmbio, sistemas eletrônicos. Tudo será montado e testado pela primeira vez já no Bahreim. Já prá valer.
E mesmo que não seja, por algum capricho favorável do destino, uma cadeira elétrica para seus próprios pilotos, ainda assim os carros serão um perigo ambulante, pois estarão muito mais lentos do que os demais, e sujeitos a reações imprevistas, como perda de direção ou de velocidade, o que põe em extremo risco os outros carros da pista.
Há restrições contratuais, e há a mancha recente causada pela propalada equipe USF1, que seria a dominação Ianque na categoria, mas que no final não passou de um site na Internet. Isso força a FIA e a Campos, ou Campos-Meta, ou Hispania, a alinhar (ou pelo menos tentar alinhar) seus carros no circuito do Barheim.
Mas talvez, e esta é uma lição que o circo da Fórmula 1 insiste em não aprender, seja o caso de rasgarem-se contratos e regulamentos em prol da segurança.
Tomara que eu esteja errado, e que a equipe consiga andar bem no Bahreim. Pelo bem de Bruno Senna, pelo bem da segurança, pelo bem da Fórmula 1.
Mas eu duvido muito.
E levará consigo o nome Senna, pois o único piloto confirmado na equipe é o sobrinho do Tri-campeão.
Ter um piloto com um bom currículo, embora inexperiente (jamais disputou um GP de Fórmula 1), é alguma coisa.
O problema é que, a menos de três semanas para o início do mundial, esta é a única coisa que a equipe tem.
Os carros serão (serão mesmo?) entregues pela Dallara já para o GP do Bahreim. Isso significa que a primeira experiência dos pilotos (se houver um outro piloto) com o carro já serão os testes para a corrida. Antes disso, sequer o motor do carro funcionou numa garagem.
Pode ser engraçado de se ver, pois a equipe deverá protagonizar atos performáticos como Rodadas ineperadas, falhas de equipamento e erros de pilotos - que não podem ser culpados pois absolutamente desconhecem o carro.
Caso consigam alinhar os carros no Barheim, deverão ficar a uma dezena de segundos do melhor tempo. Isso os levará, no improvável caso de algum dos seus carros terminar a corrida, a completar 8,9 ou talvez 10 voltas a menos que o vencedor.
Isso seria a parte engraçada. Vê-los bancar os palhaços. A fórmula 1 é um circo, e todo circo precisa de palhaços.
Mas a preocupação, externada pelo líder da GPDA (Grand Prix Drivers Association - Associação dos pilotos de Grande Prêmio, em livre tradução minha), Mark Webber, é consistente (leia aqui). Os carros da equipe Hispania (ou sei lá que nome terão) podem acabar sendo menos cômicos do que trágicos.
Por um lado, o cockpit pode se revelar uma verdadeira cadeira elétrica. Bruno Senna sabe, por antecedências familiares pessoais, o que uma falha mecânica pode fazer a um piloto dentro de um carro de Fórmula 1 a mais de 300 Km/h. E nesta nova equipe não há nada testado: freios, direção, suspensão, motor, câmbio, sistemas eletrônicos. Tudo será montado e testado pela primeira vez já no Bahreim. Já prá valer.
E mesmo que não seja, por algum capricho favorável do destino, uma cadeira elétrica para seus próprios pilotos, ainda assim os carros serão um perigo ambulante, pois estarão muito mais lentos do que os demais, e sujeitos a reações imprevistas, como perda de direção ou de velocidade, o que põe em extremo risco os outros carros da pista.
Há restrições contratuais, e há a mancha recente causada pela propalada equipe USF1, que seria a dominação Ianque na categoria, mas que no final não passou de um site na Internet. Isso força a FIA e a Campos, ou Campos-Meta, ou Hispania, a alinhar (ou pelo menos tentar alinhar) seus carros no circuito do Barheim.
Mas talvez, e esta é uma lição que o circo da Fórmula 1 insiste em não aprender, seja o caso de rasgarem-se contratos e regulamentos em prol da segurança.
Tomara que eu esteja errado, e que a equipe consiga andar bem no Bahreim. Pelo bem de Bruno Senna, pelo bem da segurança, pelo bem da Fórmula 1.
Mas eu duvido muito.
terça-feira, 2 de março de 2010
O Greenpeace e o Complexo Intermodal
Eu gosto muito do Greenpeace. Sou, inclusive, um modesto contribuinte desta organização internacional que defende radicalmente a defesa do Meio Ambiente.
Nem sempre concordo com os pleitos e os objetivos do Greenpeace, mas entendo que é muito salutar para todo mundo que existam vozes radicais em defesa do Meio ambiente.
O Greeenpeace que impediu a realização de um teste nuclear do governo francês usando o simples expediente de colocar seu navio sobre as águas onde o teste seria executado (eu, pessoalmente, achei uma medida pouco prudente... mas acho ótimo que existam pessoas assim). E funcionou.
O Greenpeace que atravessa suas frágeis embarcações à frente de navios baleeiros japoneses, denunciando a pesca predatória.
O Greenpeace que tingiu de verde os visons que vivem numa área de caça predatória, usando uma tinta inofensiva, mas tornando sua pele inútil para os fabricantes de casacos.
O Greeenpeace que martelou pregos enormes, atravessando o tronco de árvores em uma área de reserva florestal nos Estados Unidos, tornando a madeira imprestável para uso industrial, mas sem comprometer as funções vitais das plantas.
O Greenpeace cujos ativistas tantas vezes escalaram, acorrentaram-se, abraçaram, gritaram em defesa radical pelo meio ambiente.
Não me surpreenderia se o Greenpeace se posicionasse contra o Complexo Intermodal: esse é o papel deles. Mas, segundo o blog Sarrafo (leia aqui), eles permanecem à distância, como observadores atentos.
Tenho certeza de que quando houver qualquer suspeita, ou o menor descuido com relação aos cuidados que o projeto terá com o meio ambiente, eles estarão lá para denunciar, para protestar, para brigar.
Mas ainda não é o caso, aparentemente.
Mesmo que eventualmente gritando por causas sem fundamento, é bom que exista a voz dissonante, o contraditório. O Greenpeace não dita as regras da sociedade, e sabem muito bem disso. Mas a servem como vigilantes atentos, sempre dispostos a dar o alarme.
Nem todas as vezes o cão que ladra no quintal o faz porque há perigo para a casa.
Mas com certeza é melhor tê-lo latindo do que mudo.
Nem sempre concordo com os pleitos e os objetivos do Greenpeace, mas entendo que é muito salutar para todo mundo que existam vozes radicais em defesa do Meio ambiente.
O Greeenpeace que impediu a realização de um teste nuclear do governo francês usando o simples expediente de colocar seu navio sobre as águas onde o teste seria executado (eu, pessoalmente, achei uma medida pouco prudente... mas acho ótimo que existam pessoas assim). E funcionou.
O Greenpeace que atravessa suas frágeis embarcações à frente de navios baleeiros japoneses, denunciando a pesca predatória.
O Greenpeace que tingiu de verde os visons que vivem numa área de caça predatória, usando uma tinta inofensiva, mas tornando sua pele inútil para os fabricantes de casacos.
O Greeenpeace que martelou pregos enormes, atravessando o tronco de árvores em uma área de reserva florestal nos Estados Unidos, tornando a madeira imprestável para uso industrial, mas sem comprometer as funções vitais das plantas.
O Greenpeace cujos ativistas tantas vezes escalaram, acorrentaram-se, abraçaram, gritaram em defesa radical pelo meio ambiente.
Não me surpreenderia se o Greenpeace se posicionasse contra o Complexo Intermodal: esse é o papel deles. Mas, segundo o blog Sarrafo (leia aqui), eles permanecem à distância, como observadores atentos.
Tenho certeza de que quando houver qualquer suspeita, ou o menor descuido com relação aos cuidados que o projeto terá com o meio ambiente, eles estarão lá para denunciar, para protestar, para brigar.
Mas ainda não é o caso, aparentemente.
Mesmo que eventualmente gritando por causas sem fundamento, é bom que exista a voz dissonante, o contraditório. O Greenpeace não dita as regras da sociedade, e sabem muito bem disso. Mas a servem como vigilantes atentos, sempre dispostos a dar o alarme.
Nem todas as vezes o cão que ladra no quintal o faz porque há perigo para a casa.
Mas com certeza é melhor tê-lo latindo do que mudo.
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Debatendo
Cravo sem Canela questionou (leia aqui) algumas coisas a respeito do Complexo Intermodal. Eu decidi, depois de pensar bastante, que deveria contribuir com alguns centavos para a discussão.
Porque o Blogueiro de Cravo Sem Canela é um cara inteligente e gentil.
Porque seus questionamentos são recorrentes, muitos o fazem. No caso, ele cita um texto anônimo, e grifa as partes que ele julga serem relevantes para o debate. Vamos, então.
A parte entre aspas são os questionamentos. O texto seguido de R. são as respostas.
"Exploração de minério é um recurso não renovável. Eles querem criar uma estrutura gigantesca para explorar algo que vai durar quanto tempo? 15, 20, 30 anos?????"
R. "Eles" não são burros. A Estrutura será usada, e muito bem. São empresários, não jogariam um centavo fora. Usarão a estrutura por um período de tempo limitado, é verdade. Mas que sejam 15, 20 ou 30 anos como alardeiam (sem nenhuma fundamentação) alguns. Depois disso, os exploradores de Minério podem até se ir, mas não levarão consigo o Porto, o Aeroporto e a Ferrovia. Esses equipamentos não serão destruídos. Permanecerão anexados à infra-estrutura da região. O Sul da Bahia tem, portanto, 15, 20 ou 30 anos para encontrar alternativas de diversificação de sua economia e terá, nesse intervalo, os valiosos instrumentos do Complexo Intermodal.
Turismo, exportação e importação, Pólo de Informática, parque Industrial, ... é infinita a quantidade de setores que sairão diretamente fortalecidos com o uso dessa infra-estrutura. Fora os empreendimentos indiretos.
"(...) danos ambientais serão irreversíveis"
R. Todo empreendimento humano gera impacto ambiental. Mesmo um "puxadinho" que uma pessoa faz em sua casa. A discussão não é se haverá impacto ao meio ambiente. É o verdadeiro tamanho desse impacto (que muitas vezes são tratados como o colapso da Mata Atlântica), bem como as alternativas de minimização e compensação.
Os estudos já determinaram tamanho real do impacto, bem como as alternativas tecnológicas que podem minimizá-los e as ações compensatórias que podem ser empreendidas para que outras áreas sejam recuperadas e/ou protegidas. Cabe à sociedade, e ao poder público, investigar. Mas o saldo de dano ambiental do empreendimento será nulo, ou talvez positivo (note que não estou dizendo que não há impacto ambiental).
"(...) vão acabar com o turismo na região. Turismo este que vem atraindo grandes investimentos devido a impressionante beleza da região"
R. Compare isto com o que está escrito abaixo:
"(...) um porto, o de Aratu, que tem todas as condições para abrigar o projeto que querem para o Porto Sul."
R. Agora pensemos juntos: se o projeto for levado para lá acabará com o Turismo de Salvador? O Porto de Aratu acabou com o turismo em Salvador? Ou, pelo contrário, Salvador tem se fortalecido a cada dia como um dos destinos turísticos mais importantes do país? Porque o Porto de lá não atrapalha o Turismo (pelo contrário, o fortalece) e o Porto daqui vai "acabar com o turismo na região"? Não parece haver uma pequena incoerência?
"É verdade que é mais distante das minas de ferro, (...) Aratu já tem modal ferroviário ligado ao sudoeste, e está situado na maior baía sub-tropical do mundo. As condições de navegabilidade são excepcionais, calado natural e imensa área para logística, retro-área e etc."
R. Todos esses requisitos são atendidos pela região onde será instalado o novo Porto. A pergunta é: devemos ser um estado que continua, como até tempos recentes, pensando em investimento e desenvolvimento somente para a região metropolitana de Salvador e esquecendo todos os outros municípios, ou devemos olhar para as (enormes) carências do interior do estado?
"Porque cometer esse crime ambiental tendo outras opções"
R. Porque, como discutido acima, não há "crime ambiental" sendo cometido. Há um empreendimento que, como qualquer outro, impacta o meio ambiente, mas cujos estudos já apontam medidas de minimização e compensação. É um tanto exagerado, para dizer o mínimo, os discursos inflamados de que o projeto "vai acabar com os ecossistemas", "destruir a Lagoa Encantada" ou coisa parecida. Não há o menor fundamento.
Haverão impactos? Sim, evidentemente. Mas haverão ações compensatórias. Outras áreas serão recuperadas e protegidas. O saldo, para o meio-ambiente, provavelmente será positivo. Onde está o "crime ambiental" aí?
C' est ça.
Porque o Blogueiro de Cravo Sem Canela é um cara inteligente e gentil.
Porque seus questionamentos são recorrentes, muitos o fazem. No caso, ele cita um texto anônimo, e grifa as partes que ele julga serem relevantes para o debate. Vamos, então.
A parte entre aspas são os questionamentos. O texto seguido de R. são as respostas.
"Exploração de minério é um recurso não renovável. Eles querem criar uma estrutura gigantesca para explorar algo que vai durar quanto tempo? 15, 20, 30 anos?????"
R. "Eles" não são burros. A Estrutura será usada, e muito bem. São empresários, não jogariam um centavo fora. Usarão a estrutura por um período de tempo limitado, é verdade. Mas que sejam 15, 20 ou 30 anos como alardeiam (sem nenhuma fundamentação) alguns. Depois disso, os exploradores de Minério podem até se ir, mas não levarão consigo o Porto, o Aeroporto e a Ferrovia. Esses equipamentos não serão destruídos. Permanecerão anexados à infra-estrutura da região. O Sul da Bahia tem, portanto, 15, 20 ou 30 anos para encontrar alternativas de diversificação de sua economia e terá, nesse intervalo, os valiosos instrumentos do Complexo Intermodal.
Turismo, exportação e importação, Pólo de Informática, parque Industrial, ... é infinita a quantidade de setores que sairão diretamente fortalecidos com o uso dessa infra-estrutura. Fora os empreendimentos indiretos.
"(...) danos ambientais serão irreversíveis"
R. Todo empreendimento humano gera impacto ambiental. Mesmo um "puxadinho" que uma pessoa faz em sua casa. A discussão não é se haverá impacto ao meio ambiente. É o verdadeiro tamanho desse impacto (que muitas vezes são tratados como o colapso da Mata Atlântica), bem como as alternativas de minimização e compensação.
Os estudos já determinaram tamanho real do impacto, bem como as alternativas tecnológicas que podem minimizá-los e as ações compensatórias que podem ser empreendidas para que outras áreas sejam recuperadas e/ou protegidas. Cabe à sociedade, e ao poder público, investigar. Mas o saldo de dano ambiental do empreendimento será nulo, ou talvez positivo (note que não estou dizendo que não há impacto ambiental).
"(...) vão acabar com o turismo na região. Turismo este que vem atraindo grandes investimentos devido a impressionante beleza da região"
R. Compare isto com o que está escrito abaixo:
"(...) um porto, o de Aratu, que tem todas as condições para abrigar o projeto que querem para o Porto Sul."
R. Agora pensemos juntos: se o projeto for levado para lá acabará com o Turismo de Salvador? O Porto de Aratu acabou com o turismo em Salvador? Ou, pelo contrário, Salvador tem se fortalecido a cada dia como um dos destinos turísticos mais importantes do país? Porque o Porto de lá não atrapalha o Turismo (pelo contrário, o fortalece) e o Porto daqui vai "acabar com o turismo na região"? Não parece haver uma pequena incoerência?
"É verdade que é mais distante das minas de ferro, (...) Aratu já tem modal ferroviário ligado ao sudoeste, e está situado na maior baía sub-tropical do mundo. As condições de navegabilidade são excepcionais, calado natural e imensa área para logística, retro-área e etc."
R. Todos esses requisitos são atendidos pela região onde será instalado o novo Porto. A pergunta é: devemos ser um estado que continua, como até tempos recentes, pensando em investimento e desenvolvimento somente para a região metropolitana de Salvador e esquecendo todos os outros municípios, ou devemos olhar para as (enormes) carências do interior do estado?
"Porque cometer esse crime ambiental tendo outras opções"
R. Porque, como discutido acima, não há "crime ambiental" sendo cometido. Há um empreendimento que, como qualquer outro, impacta o meio ambiente, mas cujos estudos já apontam medidas de minimização e compensação. É um tanto exagerado, para dizer o mínimo, os discursos inflamados de que o projeto "vai acabar com os ecossistemas", "destruir a Lagoa Encantada" ou coisa parecida. Não há o menor fundamento.
Haverão impactos? Sim, evidentemente. Mas haverão ações compensatórias. Outras áreas serão recuperadas e protegidas. O saldo, para o meio-ambiente, provavelmente será positivo. Onde está o "crime ambiental" aí?
C' est ça.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Audiência
Amanhã é o dia da audiência pública em Ilhéus, para debate e argumentação sobre a construção da Ferrovia Oeste-Leste.
Eu acho que esta é uma ótima oportunidade para que os argumentos sejam mostrados. Os verdadeiros argumentos. Pois há mais coisas em jogo, no projeto, que infelizmente não serão postos à mesa.
Há interesses de grandes empresas, tanto as construtoras quanto as exportadoras, que tem interesses financeiros reais e imediatos no empreendimento. Não interesses coletivos, apenas interesses individuais. Legítimos. Mas inconfessáveis em debates desta natureza.
Há também interesses econômicos de proprietários de terras e alguns empresários do ramo turístico, que verão seus negócios serem prejudicados com a passagem da Ferrovia e a posterior construção do Porto e do Aeroporto. São interesses legítimos, mas igualmente inconfessáveis, dadas as circunstâncias.
Todos se esconderão. Ou atrás do argumento do desenvolvimento econômico, ou atrás do argumento da preservação do meio-ambiente.
Que são os únicos argumentos realmente válidos nesta discussão. E é nesse ponto que, em meu modesto entender, cometem um erro de estratégia os que levantam a bandeira do meio-ambiente.
Porque é muito fácil mostrar que a construção e operação da Ferrovia gerarão impactos ambientais. Mas ocorre que todo e qualquer empreendimento promovido por seres humanos gera impacto ambiental. O argumento, portanto, não só é desgastado pelo uso repetitivo, como também é ilógico: a única maneira de os seres humanos não causarem impacto ambiental é não promoverem nenhuma ação. O que é totalmente sem sentido.
Logo, posto que o impacto ambiental é inevitável, tanto neste quanto em qualquer outro tipo de empreendimento, a discussão precisa se focar em dois pontos: minimização e compensação.
E neste sentido a discussão se torna difícil para os defensores do meio-ambiente. Porque é certo que todas as tecnologias que minimizem os danos ambientais podem ser empregadas na construção da Ferrovia. E é certo também que ações compensatórias, de proteção e recuperação de áreas degradadas, serão tomadas. Isto sim, precisa ser garantido e fiscalizado pelos governos e pela própria sociedade.
Assim, fica vazio o argumento da preservação ambiental. E é por este motivo que esconder-se atrás dele não parece ser uma decisão muito sábia do ponto de vista estratégico.
Por outro lado, o argumento do desenvolvimento econômico ganha força com uma simples observação a respeito dos índices de desenvolvimento humano, desemprego, violência, pobreza e renda média dos trabalhadores do Sul da Bahia. A Região ex-cacaueira empobrece rápida e inexoravelmente. Não há nenhuma outra alternativa ao binômio turismo-cacau, que há décadas vem mostrando que são incapazes de promover qualquer tipo de desenvolvimento duradouro e sustentável, exceto o empreendimento do Complexo Intermodal.
Esconder-se atrás desse argumento é, do ponto de vista estratégico, muito mais seguro. As evidências estão aí, os fatos falam por si mesmos, não há como negar: o Complexo Intermodal, no qual a Ferrovia está integrada é a única alternativa viável e concreta que se apresenta.
Não obstante, independente de haverem interesses escondidos tanto atrás da preservação ambiental quanto do desenvolvimento econômico, é muito salutar que a audiência esteja pautada pelo debate entre essas duas correntes. Por dois motivos.
Primeiro, porque há pessoas que estão legitimamente preocupadas com a preservação ambiental. Assim como há os que apostam no desenvolvimento econômico a ser promovido pelos empreendimentos ora em debate. Estes serão debatedores francos.
Segundo porque, do ponto de vista da comunidade, estes são os argumentos que interessam: mais do que quem está defendendo o que, e por qual motivo, interessa às pessoas de Ilhéus e região saber qual o impacto ambiental que o projeto efetivamente gerará (alguns discursos alardeiam como se fosse o fim da biosfera), como este impacto será minimizado e compensado. Além disso, quanto desenvolvimento econômico será promovido, e de que forma isso será repartido, gerando riqueza e distribuição de renda.
Que venha a audiência, então. E que venham os debatedores, mesmo com interesses escondidos, e que tragam todos os seus argumentos. Mas apenas os argumentos.
É a Razão, e não os ânimos exaltados, que promovem o bom debate.
Eu acho que esta é uma ótima oportunidade para que os argumentos sejam mostrados. Os verdadeiros argumentos. Pois há mais coisas em jogo, no projeto, que infelizmente não serão postos à mesa.
Há interesses de grandes empresas, tanto as construtoras quanto as exportadoras, que tem interesses financeiros reais e imediatos no empreendimento. Não interesses coletivos, apenas interesses individuais. Legítimos. Mas inconfessáveis em debates desta natureza.
Há também interesses econômicos de proprietários de terras e alguns empresários do ramo turístico, que verão seus negócios serem prejudicados com a passagem da Ferrovia e a posterior construção do Porto e do Aeroporto. São interesses legítimos, mas igualmente inconfessáveis, dadas as circunstâncias.
Todos se esconderão. Ou atrás do argumento do desenvolvimento econômico, ou atrás do argumento da preservação do meio-ambiente.
Que são os únicos argumentos realmente válidos nesta discussão. E é nesse ponto que, em meu modesto entender, cometem um erro de estratégia os que levantam a bandeira do meio-ambiente.
Porque é muito fácil mostrar que a construção e operação da Ferrovia gerarão impactos ambientais. Mas ocorre que todo e qualquer empreendimento promovido por seres humanos gera impacto ambiental. O argumento, portanto, não só é desgastado pelo uso repetitivo, como também é ilógico: a única maneira de os seres humanos não causarem impacto ambiental é não promoverem nenhuma ação. O que é totalmente sem sentido.
Logo, posto que o impacto ambiental é inevitável, tanto neste quanto em qualquer outro tipo de empreendimento, a discussão precisa se focar em dois pontos: minimização e compensação.
E neste sentido a discussão se torna difícil para os defensores do meio-ambiente. Porque é certo que todas as tecnologias que minimizem os danos ambientais podem ser empregadas na construção da Ferrovia. E é certo também que ações compensatórias, de proteção e recuperação de áreas degradadas, serão tomadas. Isto sim, precisa ser garantido e fiscalizado pelos governos e pela própria sociedade.
Assim, fica vazio o argumento da preservação ambiental. E é por este motivo que esconder-se atrás dele não parece ser uma decisão muito sábia do ponto de vista estratégico.
Por outro lado, o argumento do desenvolvimento econômico ganha força com uma simples observação a respeito dos índices de desenvolvimento humano, desemprego, violência, pobreza e renda média dos trabalhadores do Sul da Bahia. A Região ex-cacaueira empobrece rápida e inexoravelmente. Não há nenhuma outra alternativa ao binômio turismo-cacau, que há décadas vem mostrando que são incapazes de promover qualquer tipo de desenvolvimento duradouro e sustentável, exceto o empreendimento do Complexo Intermodal.
Esconder-se atrás desse argumento é, do ponto de vista estratégico, muito mais seguro. As evidências estão aí, os fatos falam por si mesmos, não há como negar: o Complexo Intermodal, no qual a Ferrovia está integrada é a única alternativa viável e concreta que se apresenta.
Não obstante, independente de haverem interesses escondidos tanto atrás da preservação ambiental quanto do desenvolvimento econômico, é muito salutar que a audiência esteja pautada pelo debate entre essas duas correntes. Por dois motivos.
Primeiro, porque há pessoas que estão legitimamente preocupadas com a preservação ambiental. Assim como há os que apostam no desenvolvimento econômico a ser promovido pelos empreendimentos ora em debate. Estes serão debatedores francos.
Segundo porque, do ponto de vista da comunidade, estes são os argumentos que interessam: mais do que quem está defendendo o que, e por qual motivo, interessa às pessoas de Ilhéus e região saber qual o impacto ambiental que o projeto efetivamente gerará (alguns discursos alardeiam como se fosse o fim da biosfera), como este impacto será minimizado e compensado. Além disso, quanto desenvolvimento econômico será promovido, e de que forma isso será repartido, gerando riqueza e distribuição de renda.
Que venha a audiência, então. E que venham os debatedores, mesmo com interesses escondidos, e que tragam todos os seus argumentos. Mas apenas os argumentos.
É a Razão, e não os ânimos exaltados, que promovem o bom debate.
Assinar:
Postagens (Atom)
