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quinta-feira, 15 de julho de 2010

O Negócio Google

Nos séculos XX e XXI (este ainda um embrião), uma avalanche de evoluções tecnológicas permitiu e forçou sucessivas mudanças nos paradigmas dos negócios neste mundo Capitalista.

A estrutura produtiva foi alvo de revoluções com Ford e Taylor, e depois com o “toyotismo”. A tecnologia dos transportes e das telecomunicações permitiu que as pessoas estivessem em vários lugares num intervalo muito pequeno de tempo, e que os fatos, as notícias e as inovações fossem conhecidas quase que instantaneamente.

Foram tantas as mudanças de paradigma que já há os que argumentem que o paradigma definitivo é esse: ausência de paradigmas.

Encontrou-se valor para um novo bem: Informação. E em seguida para o Conhecimento, já que, com a Internet e com o Google, a informação em si não é mais privilégio de ninguém.

E esse pessoal que, inspirado num número igual a 1 seguido de 100 zeros, batizado de “googol” pelo matemático Milton Sirotta (Google também é um monstro de história infantil), bolou uma empresa que oferecia um serviço gratuito: busca por informação.

De lá para cá o negócio vem crescendo rapidamente, e novas e impressionantes funcionalidades vão sendo agregadas ao Google original, como as buscas por imagens, ferramentas de idiomas, o Google Maps, o Google Earth, o GMail, o YouTube, etc.

Virtualmente os internautas estamos todos satisfeitos em sermos clientes dessa corporação que revolucionou o planeta. Certo?

Errado.

Não discutirei se estamos satisfeitos com o Google. Eu estou, e acho que 99% das pessoas que o usam está também. Eles promoveram uma verdadeira Democratização da Informação, universalizando o acesso como jamais antes. Em minha modesta opinião, apenas os adventos da escrita e da imprensa superam o feito “googliano”.

O ponto é outro: por incrível que possa parecer, nós na verdade não somos clientes do Google.

Mais ainda: provavelmente nós, os internautas, estamos mais próximos de sermos o Produto que o Google vende.

Vamos examinar o “Negócio Google” mais atentamente: quando fazemos uma consulta, o resultado vem quase que instantaneamente encher as páginas de nosso navegador. Mas a ordem que os endereços aparecem não é aleatória. O Google “vende” cada palavra de busca, de forma que quanto maior for o valor pago por uma palavra, maior será a probabilidade de aparecer entre os primeiros endereços quando aquela palavra for consultada.

Então, o serviço que o Google presta é, na verdade, um serviço de publicidade. Eles vendem nossa atenção, nós que estamos pesquisando, para empresas que querem se mostrar para nós. Em outras palavras, eles vendem a nós, os internautas.

Pode parecer genial, e provavelmente o é. Mas não é nada original essa idéia do pessoal da Google. A Televisão aberta, que oferece programação gratuita para as pessoas, faz algo semelhante. O mesmo se dá com o rádio. A idéia, então, remonta o início do século XX.

A grande sacada do Google foi o direcionamento: pessoas que buscam no Google estão interessadas em um assunto específico. Isso aumenta muito a probabilidade de sucesso de um anúncio.

Por exemplo: uma empresa que quer vender pacotes de férias para Ilhéus pode anunciar no Jornal Nacional, da Rede Globo. E seu anúncio será visto por inúmeras pessoas, algumas das quais efetivamente estarão interessadas em viajar a Ilhéus.

Mas quando o anúncio está associado à palavra “Ilhéus” no Google, a probabilidade de a pessoa que ler se interessar pelo anúncio é muito mais alta. Esta pessoa tem um motivo, algum interesse, que o levou a digitar “Ilhéus” no seu teclado. O anúncio é provavelmente muito mais efetivo.

E isso ficou bastante claro para os especialistas em publicidade, que não tardaram em buscar os serviços do Google como canal de anúncio aos clientes potenciais, pagando por palavras que lhe interessassem.

E assim os milhões de dólares também não tardaram em aparecer nos cofres da outrora pequena empresa fundada por dois estudantes da universidade de Stanford. Aqueles que resolveram oferecer Informação para atrair a atenção das pessoas, e então vender isso para as empresas.

Campus II da Google

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

As ameças à hegemonia do Google

Extraído do Blog do Nassif (leia aqui).


Do Caderno Link, do Estadão
As ameças à hegemonia do Google, o cão de um truque só

por Pedro Doria

Conversa inteligente, ainda mais sobre tecnologia, não se vê todo dia. Pois nesta semana que passou o New York Times hospedou uma em seu site. O moderador foi John Markoff, veterano repórter que cobre o Vale do Silício já faz quatro décadas. A ele se juntaram Fred Wilson, investidor em uma penca de empresas no Vale, e Ken Auletta, outro repórter de longa experiência, que escreve na revista New Yorker e que publicou faz pouco mais de um mês o livro Googled. Os três trataram, ora, do próprio Google.

Tanto Wilson quanto Auletta enxergam um mesmo sinal de alerta para o site de buscas favorito de todos. “Se você procura uma câmera”, pergunta o repórter, “vai preferir 20 mil links de resposta no Google ou as sugestões cuidadosas de 20 amigos em quem confia?” Segue o capitalista de risco: “Meu blog recebe mais tráfego vindo do Twitter do que do Google; Perez Hilton recebe mais visitas via Facebook do que por buscas.”

Perez Hilton é o rei da fofoca, um dos blogueiros mais populares dos Estados Unidos. E não é à toa que o Google tentou comprar o Twitter há pouco mais de um ano.

Sem esconder o mau humor, o presidente da Microsoft, Steve Ballmer, gosta de dizer que o Google é “cachorro que só conhece um truque”. Faz buscas como ninguém e, com seu sistema de propaganda direcionada, aprendeu a faturar fortunas um clique por vez.

Mas as ondas da internet pós-busca, o Google perdeu-as todas. GoogleVideo não deu certo, tiveram de comprar o YouTube. Compraram o Blogger porque não perceberam os blogs surgindo. Quando as redes sociais pareciam o futuro da web, lançaram o Orkut. Este pode até parecer muito grande quando visto cá da Marginal Tietê. Mas o sucesso no Brasil e na Índia só acentua o evidente: perdeu a corrida mundial em duas rodadas. Na primeira, para o MySpace; na segunda, para o campeão definitivo, Facebook.

Quando os olhos atentos do governo americano, sempre preocupado com monopólios, começaram a mexer com a IBM, ela já estava sendo passada para trás por companhias jovens do Vale. O mesmo ocorreu com a Microsoft, uma gigante que apenas 10 anos atrás parecia imbatível e hoje é uma distante segunda.

Sim, como não dizê-lo: o Google parece imbatível, hoje. Um portento que ameaça todas as empresas de mídia: gravadoras, estúdios de cinema, jornais, TVs. Parece destinado a comandar o mundo.

É só que o céu, no Vale do Silício, muda de configuração toda hora. Ao que parece, a maneira como as pessoas se informam na internet está mudando. Fazem menos buscas, ouvem mais indicações pelas redes sociais. A mudança é lenta no princípio, mas se concretiza num repente.

Para quem trabalha com conteúdo, a notícia é boa. As redes sociais são várias, este é um jogo no qual não há um único dominando. Variedade é bom.