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domingo, 28 de setembro de 2014

Bloqueio a Cuba próximo do fim?

Hillary Clinton reconhece que política norte-americana é erro histórico. População concorda, mostram pesquisas. Agora, só direita e Obama parecem sustentar embargo


Por Ignacio Ramonet | Tradução João Victor More Ramos

Original aqui.

No livro que se acaba de publicar sobre suas experiências como secretária de Estado, durante o primeiro mandato (2008-2012) do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, intitulado Decisões difíceis (1), Hillary Clinton escreve, a propósito de Cuba, algo fundamental: “ao terminar meu mandato, pedi ao presidente Obama que reconsiderasse nosso embargo contra Cuba. Não cumpre nenhuma função e obstrui nossos projetos com toda America Latina”.

O embargo parece cada vez mais sem sentido para os próprios americanos
Pela primeira vez, uma personalidade que aspira à presidência dos Estados Unidos afirma publicamente que o bloqueio imposto por Washington – desde mais de cinquenta anos! – à maior ilha do Caribe não cumpre “nenhuma função”. Isto é, não se tem permitido submeter esse pequeno país apesar. do grande sofrimento injusto que se tem causado a sua população. Nesse sentido, o fundamental, na constatação de Hillary Clinton, são dois aspectos:

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Correndo em Cuba

Falar de Cuba sem falar de médicos cubanos, em tempos atuais, parece difícil. Todavia, indiferente às questões políticas, um piloto é um cara que gosta de carros, de pista, de velocidade.

David Coulthard, aposentado da Fórmula 1, aceitou um convite para ir a Cuba e, na Ilha, disputar uma corrida muito interessante, com carros clássicos. O único tipo de corrida que pode ser disputado ali.

David exercitou o que mais gosta: carros, velocidade, disputas. A nós, resta apenas este pequeno documentário.

sábado, 31 de agosto de 2013

Um pouco de humanismo e bom senso

Um pouco de alento. Muito bom senso e humanidade. De fato, os médicos estrangeiros podem fazer uma grande diferença para muita gente. Mesmo portando "apenas" um esfignomanômetro e um estetoscópio.

Mas trata-se, teme-se, de um profissional diferenciado. Que trabalhou nos Médicos Sem Fronteiras. Que conheceu realidades tão diversas das dos consultórios antissépticos dos grandes centros médicos das grandes cidades.


David Oliveira de Souza: de Medecins Sans Frontiers ao Sírio Libanês.
Carta aos Médicos Cubanos

Original aqui.

Por David Oliveira de Souza*

Bem-vindos, médicos cubanos. Vocês serão muito importantes para o Brasil. A falta de médicos em áreas remotas e periféricas tem deixado nossa população em situação difícil. Não se preocupem com a hostilidade de parte de nossos colegas. Ela será amplamente compensada pela acolhida calorosa nas comunidades das quais vocês vieram cuidar.

A sua chegada responde a um imperativo humanitário que não pode esperar. Em Sergipe, por exemplo, o menor Estado do Brasil, é fácil se deslocar da capital para o interior. Ainda assim, há centenas de postos de trabalho ociosos, mesmo em unidades de saúde equipadas e em boas condições.

Caros colegas de Cuba, é correto que nós médicos brasileiros lutemos por carreira de Estado, melhor estrutura de trabalho e mais financiamento para a saúde. É compreensível que muitos optemos por viver em grandes centros urbanos, e não em áreas rurais sem os mesmos atrativos. É aceitável que parte de nós não deseje transitar nas periferias inseguras e sem saneamento. O que não é justo é tentar impedir que vocês e outros colegas brasileiros que podem e desejam cuidar dessas pessoas façam isso. Essa postura nos diminui como corporação, causa vergonha e enfraquece nossas bandeiras junto à sociedade.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Os médicos, as galinhas e os cubanos



Victor Lisboa


Original aqui.

1. Desordem no galinheiro


Breve cena da vida privada. Pela manhã, escuto no rádio que chegaram os primeiros médicos estrangeiros. No trabalho, colegas conversam a respeito. Um sugere que é estratégia para dar grana ao Fidel. Penso em replicar que as coisas são mais complexas mas, nesse momento, liga minha mãe.

Chorosa, pergunta se eu poderia ajudar a fazer uma denúncia contra um médico que desmarcou sua consulta por duas vezes e, na terceira, deixou-a esperando duas horas até ser atendida. No sábado, soube de uma menina que, atropelada, faleceu após aguardar três horas por atendimento em um hospital.

Breve cena da história. Logo após a Primeira Guerra, um naturalista norueguês chamado Thorlief Schjelderup-Ebbe decidiu passar uns tempos na fazenda de seus pais. Ao cuidar do galinheiro, notou que ali havia hierarquia: algumas galinhas comiam primeiro os grãos despejados em um pote; saciadas, abriam espaço àquelas no segundo nível da hierarquia; por fim, quem estava na base ficava com as sobras. Tudo bem ordeiro.

Ele chamou essa estrutura de “ordem de bicadas” (pecking order).

sábado, 24 de agosto de 2013

De estranhos e estrangeiros

Prof. Clóvis F. Ramaiana M. Oliveira


 Original aqui.

Mainha dizia que toda vez que via um jaleco de médico por perto, subia-lhe a pressão. Não era para menos; a velha tabaroa, que falava fluentemente a língua das plantas, via, nos médicos, invasores. Seres que vinham questionar os saberes acumulados nas folhas, nos caules, nas raízes e que circulavam nas melodias das oralidades. Pensava neles de maneira xenófoba.

Lembro sempre dela quando rola o debate sobre os médicos cubanos. Para a velha, bastava usar o jaleco branco.

E para mim?

Vou tentar seguir outros caminhos.

Tenho, na minha família, duas médicas, ambas muito boas no mister que escolheram para suas vidas. Uma delas, minha irmã, sempre foi, como profissional e estudiosa, um dos faróis da minha vida. Também tenho bons amigos que são bons médicos. Um deles, meu cardiologista, me impressiona pela simplicidade e capacidade de sentir, em si, as dores dos seus pacientes. Portanto, nada tenho contra médicos em geral, assim como não tenho contra historiadores, minha profissão. Poderia apontar, nos dois grupos de trabalhadores, práticas degradantes e sujeitos ruins, mas nunca na atividade propriamente.

Por isso gostaria de deslocar meu olhar para outra perspectiva, nunca da qualidade ou não de médicos daqui ou dali.

Quem é, de fato, estrangeiro?

Os Cubanos estão vindo!

Caluda! Os cubanos vêm aí


Luciano Martins Costa

Original aqui.

Os jornais foram surpreendidos pela decisão do governo de importar de Cuba 4 mil médicos para ocupar postos em lugares críticos, onde não há serviço público ou particular de saúde. Os primeiros 400 deverão chegar já na próxima semana e serão enviados para cidades ou bairros que não despertaram interesse de profissionais brasileiros ou do exterior na primeira fase das inscrições no programa Mais Médicos, 84% dos quais no Norte e Nordeste.
Médicos cubanos para amenizar uma carência crônica de
profissionais no Brasil

O noticiário dá conta de que, ao todo, 3.511 municípios se inscreveram no programa, o que revela uma demanda de 15.460 vagas. Apenas 15% desse total haviam sido completados até quarta-feira (21/8). Cada médico contratado custará aos cofres públicos R$ 10 mil de salários mensais, mais os custos da mudança e pagamento de moradia e alimentação.
O convênio que permitirá a contratação de médicos cubanos foi feito pelo governo brasileiro com a Organização Pan-americana de Saúde (OPAS), que tem um acordo com governos de vários países, inclusive Cuba, para atender casos de emergência e carência crítica.

Os jornais de quinta-feira (22/8) explicam que 84% dos profissionais que virão de Cuba têm mais de 16 anos de experiência, 30% são pós-graduados, muitos trabalharam em países onde se fala a língua portuguesa, principalmente na África, e todos são especialistas em saúde da família.

Ainda assim, dirigentes de entidades médicas do Brasil fazem declarações à imprensa condenando a iniciativa. Representantes do Conselho Federal de Medicina e da Associação Médica Brasileira dão a volta nas informações oficiais sobre o convênio firmado com a OPAS e declaram que o programa é apenas uma jogada eleitoral. Um desses dirigentes chegou a afirmar que o contrato para trazer médicos cubanos tem “características de trabalho escravo”. No extremo do destempero, o presidente do Conselho Federal de Medicina opinou que a iniciativa do governo “poderá causar um genocídio”.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Sobre Medicina, Brasil e Cuba

Um médico cubano fala. Para nos fazer refletir sobre Medicina, sobre respeito entre os povos, sobre a recentemente tão difamada medicina cubana.

Vale à pena ler.

Original aqui.

“Meu nome é Juan Carlos Raxach, cubano, que desde 1998 escolhi o Brasil como meu país de residência, e sinto o maior orgulho de ter me formado, em 1986, como médico em Havana, Cuba.

É com tristeza e dor que vejo as notícias publicadas pela mídia e nas redes sociais, a falta de respeito e de solidariedade proveniente de alguns colegas brasileiros, profissionais ou não da área da saúde, que atacam e desvalorizam os médicos formados em Cuba como uma forma de justificar a sua indignação às medidas tomadas pelo governo brasileiro no intuito de melhorar a qualidade dos serviços do SUS.

sábado, 6 de julho de 2013

Medo Médico

Por um lado há uma série de críticas a respeito das condições de trabalho. Os governos tem muito a ver com isso, em todas as esferas. De fato, nem sempre há a quantidade e a qualidade desejada de equipamentos e materiais para se promover uma boa saúde pública. Disso os médicos tem toda a razão em reclamar.

Mas há as ausências nos plantões, as concentrações em áreas ricas a despeito de regiões carentes e, principalmente, a simples constatação de que a Medicina preventiva, que não necessita de grandes investimentos em infra-estrutura. Resolver cada um desses pormenores pode amenizar e muito as mazelas da saúde pública brasileira.

Tudo isso torna razoável a vinda dos estrangeiros. Se os médicos daqui não desejam ir para o interior, morar em cidades pequenas (os dados estão abaixo), e se há um grupo de médicos ávidos por isso, que decisão o governo deve tomar?

Por que o CFM tem medo dos médicos cubanos?


terça-feira, 14 de maio de 2013

Médicos Cubanos no Brasil


Carta do médico Pedro Saraiva, enviada para o jornalista Luis Nassif.

Original aqui.

Por Pedro Saraiva

Olá Nassif, sou médico e gostaria de opinar sobre a gritaria em relação à vinda dos médicos cubanos ao Brasil.

Bom, como opinião inteligente se constrói com o contraditório, vou tentar levantar aqui algumas informações sobre a vinda de médicos cubanos para regiões pobres do Brasil que ainda não vi serem abordadas.

O principal motivo de reclamação dos médicos, da imprensa e do CFM seria uma suposta validação automática dos diplomas destes médicos cubanos, coisa que em momento algum foi afirmado por qualquer membro do governo. Pelo contrário, o próprio ministro da saúde, Alexandre Padilha, já disse que concorda que a contratação de médicos estrangeiros deve seguir critérios de qualidade e responsabilidade profissional. Portanto, o governo não anunciou que trará médicos cubanos indiscriminadamente para o país. Isto é uma interpretação desonesta.

Médicos cubanos atendem 15 milhões de pessoas no Haiti
Acho estranho o governo ter falado em atrair médicos cubanos, portugueses e espanhóis, e a gritaria ser somente em relação aos médicos cubanos. Será que somente os médicos cubanos precisam revalidar diploma? Sou médico e vivo em Portugal, posso garantir que nos últimos anos conheci médicos portugueses e espanhóis que tinham nível técnico de sofrível para terrível. E olha que segundo a OMS, Espanha e Portugal têm, respectivamente, o 6º e o 11º melhores sistemas de saúde do mundo (não tarda a Troika dar um jeito nesse excesso de qualidade). Profissional ruim há em todos os lugares e profissões. Do jeito que o discurso está focado nos médicos de Cuba, parece que o problema real não é bem a revalidação do diploma, mas sim puro preconceito.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Quem financia Yoani?

É assustador como, em pleno século 21, ainda possa haver quem sustente que não se dê espaço ao contraditório, ao debate. Isto põe sob suspeita qualquer governo que proceda assim, por motivos óbvios e justos.

Yoani Sanchez e a intolerância com o contraditório

Não são os EUA que financiam Yoani; é a esquerda arcaica


Cynara Menezas, de Carta Capital

Original aqui.

Tão risível quanto achar que aqueles meninos militantes de movimento estudantil que fizeram os protestos são “orquestrados por Cuba”, como perpetraram alguns jornalistas brasileiros, é achar que é culpa dos Estados Unidos que Yoani Sánchez, uma mera blogueira, tenha se tornado a principal voz da oposição ao regime dos Castro. Sorry, mas a história não é bem essa.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Bons ventos sopram de Cuba


Bons ventos os levem, e também  tragam de volta, exercitando seus direitos de ir e vir. Cubanos agora podem, a partir de hoje, sair de seu país sem autorização expressa do governo.

Cubanos poderão viajar ao exterior sem pedir autorização ao governo

Aeroporto José Martí, em Havana, deve passar a ser mais movimentado
Original aqui.

HAVANA (AFP) – Os cubanos terão a partir da próxima segunda-feira 14 o direito de viajar ao exterior sem pedir autorização ao governo pela primeira vez em décadas. Entra em vigor neste dia uma reforma migratória decidida pelo presidente Raúl Castro e longamente aguardada pela população.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

O Fim da Revolução Cubana?

O jornal The Economist fez uma análise sobre a atual condição do comunismo de Cuba. Considerando informações colhidas dentro e fora da ilha, e mais uma série de aspectos conjunturais, as conclusões são interessantes.

Subúrbio de Havana
Dizer que a Revolução Cubana está se esvaindo não é novidade nenhuma, evidentemente. As pressões externas e internas já são insuportáveis, e mesmo as conquistas obtidas a partir da revolução - que deixam a pequena Cuba como uma das nações de melhores indicadores sociais do planeta - já estão sob risco de serem perdidas. As pessoas em Cuba ainda contam com um excelente sistema educacional, de saúde e seguridade social públicos, e isso ameniza muito os efeitos da pobreza. Todavia,  a quantidade de pessoas em situação de pobreza, ou mesmo de pobreza extrema, cresce a cada dia. Até mesmo a manutenção desses sistemas públicos tão preciosos ao povo cubano podem acabar se tornando inviável.

sábado, 13 de junho de 2009

Pode ser mais fácil

Conheço muitos cubanos. A maioria é colega da UESC. Quem me conhece já me ouviu tecer declarações ácidas a respeito da ditadura absurda, mentirosa e injustificável que é imposta aos habitantes daquela ilha.

Mas também já me viu aplaudir as conquistas daquele povo. Eles tem muito a ensinar ao mundo todo, pois tantas vezes nos mostram que as coisas podem ser mais simples se os interesses forem mais claros.

Saúde, por exemplo: o intresse de quem cura deve ser ganhar dinheiro? Ou promover a vida humana?

Michael Moore, o polêmico cineasta americano, levou alguns cidadãos dos Estados Unidos até a ilha de Cuba. Aquelas pessoas, em seu país, não conseguiam encontrar a cura para seus males. Faltava-lhes dinheiro. Faltava-lhes a devida atenção aos seus casos.

É um vídeo longo. Mas vale à pena ser assistido.



Duas observações a mais: a) trata-se evidentemente de propaganda do modelo de medicina cubano. Mas nem por isso uma mentira. Conheço inúmeras testemunhas, cubanos e não-cubanos, que corroboram as alegações do vídeo. b) não vejo porque as idéias e as soluções encontradas pelos cubanos não possam servir de exemplo para o resto do mundo. O que é bom merece ser copiado.

Quando o interesse é o lucro o fundamento básico passa a ser reduzir custos, e maximizar ganhos. E as pessoas precisarão se sujeitar a isso.

Educação e Saúde não podem ser negócio. Preciam ser um direito natural.