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segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Carta a Felipe Massa

Flavio Gomes

Original aqui.

Felipe,

Começando do começo. Soube da sua existência lá pelo fim dos anos 90, você com uns 16 ou 17 anos na F-Chevrolet, meu amigo e quase sócio Ricardo Tedeschi te dando uma força. Então foi para a Europa numa pindaíba danada, teve até aquela história de ganhar um prêmio em cerveja por uma vitória e ter de vender as latinhas para pagar o aluguel, essas coisas que quando a gente olha para trás ri e se orgulha delas.

Aí, em 2001, um teste na Sauber. Ricardo, telefonei, que legal! O menino é bom, é humilde, rápido, vamos ver o que dá, responde o Ricardo.

Falipe Massa
No ano seguinte, a apresentação como piloto da Sauber aqui em São Paulo, num hotel na Vila Olímpia, ou no Itaim, você magrinho e meio assustado com aquela gente toda, e desde o início eu sabendo que no fundo era tudo com a Ferrari, mas sem poder publicar, cravar, como a gente diz, porque você e o Ricardo eram dois túmulos, souberam guardar o segredo por anos a fio.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Felipe Fora

Não resta mais dúvidas, ou argumentos, ou alternativas. Felipe Massa está definitivamente fora da Ferrari.

Felipe Massa vive seu ocaso na Ferrari
Sua saída pode se dar apenas ao final da temporada, e do contrato em vigência. Mas não é de se surpreender se a casa de Maranello resolver se despedir do brasileiro já, talvez antes mesmo da próxima corrida.

domingo, 18 de março de 2012

Melbourne: o início

Foi interessante a corrida de Melbourne. Um pouco modorrenta e previsível, ato típico de pilotos como Jenson Button que, cuidadosos, frios e perfeitos, guiam com naturalidade e impedem que lhe ameacem a liderança quando estão com um bom carro. Quem viu e lembra de Alain Prost sabe como esse estilo de piloto rápido sem erros é tão monótono quanto eficaz.

Houve disputas interessantes por posições intermediárias, com méritos para os tiradores de leite de pedra Pastor Maldonado e Fernando Alonso, que brigaram contra feras teimosas e desobedientes, os carros da Ferrari e da Williams, respectivamente.

Senna X Massa: desempenho pífio termina de forma bizarra

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Resta Um

Felipe Massa deve ser o único brasileiro na Fórmula 1 em 2012
Com a recente confirmação de Romain Grosjean como segundo piloto da Lotus, ao lado de Kimi Raikkonen, as perspectivas de Rubens Barrichello e Bruno Senna permanecerem na Fórmula 1 reduziram drasticamente.

domingo, 25 de julho de 2010

Bom Garoto

Não é novidade o jogo de equipe na Fórmula 1. Daí que não se pode considerar uma surpresa o que a equipe Ferrari pediu a Felipe Massa que fizesse neste GP da Alemanha. E não é incomum as equipes definirem claramente um primeiro e um segundo pilotos. Pelo contrário: incomum é isso não acontecer. Como em 1988, quando Ayrton Senna vai para a Mclarem e começa a enfrentar Alain Prost, primeiro piloto, bi-campeão e com então 4 anos no time, sem que houvesse resistência do staff.

Acontecia, porém, que Ayrton tinha as costas quentes, já que era o escolhido da Honda, a poderosa fornecedora de motores. Era efetivamente um grande apoio dentro da equipe. De mais a mais, a superioridade técnica ímpar daquele carro, que venceu 15 das 16 corridas no ano, era suficiente para que se deixassem os pilotos brigar sem sustos.

Porque normalmente não acaba bem para as equipes quando seus pilotos se engalfinham durante a temporada. Historicamente há exceções, que apenas confirmam a regra. Basta ver que, das poucas vezes em que o melhor carro não venceu o campeonato mundial, em quase todas as ocasiões isso se deveu à disputa fraticida entre colegas de equipe. Exemplos não faltam: Fittipaldi e Petterson conseguiram fazer a Lotus não vencer o campeonato de 1973, perdendo para Jackie Stewart. Jones e Reutemann conseguiram perder, com a Williams, o título para Nélson Piquet em 1981. A mesma Williams, aliás, repetiria a proeza, deixando Piquet e Mansell se engalfinhar e assistindo Alain Prost desfilar sua competência rumo ao título em 1986. E a Mclarem viu Alonso e Hamilton destruírem um as chances do outro, e Kimi Raikkonen comemorar o campeonato de 2007.

Definitivamente, deixar os pilotos de um mesmo time disputarem entre si é muito arriscado. É mais seguro estabelecer um primeiro piloto. Como fez a Tyrrel com Stewart em 1973, a Brabham com Piquet em 1981, a Mclarem com Prost em 1986, a Ferrari com Raikkonen em 2007. Venceram o campeonato mesmo sem ter um equipamento à altura, aproveitando-se das disputas internas dos adversários.

E casos mais extremos de superioridade por anos a fio, como Ayrton Senna, que sempre foi o principal do time, enquanto a Berger só restavam migalhas. Idem para o caso de Rubens Barichello na Ferrari, quando ali havia Schumacher.

É importante observar que são casos de sucesso. Portanto, não dá para acreditar que é ruim haver um primeiro e um segundo piloto. É preciso entender isso como uma solução inteligente e segura. O que machuca às vezes é quando o segundo piloto é o nosso preferido: Barrichello, Massa. Lembro bem que não havia, aqui no Brasil, tanta gente assim gritando na época em que Gerard Berger era o capacho de Ayrton Senna, ou quando Piquet tinha Hector Rebaque e Ricardo Patrese como segundos pilotos.

Entretanto, há limites esportivos para isso. Quando um piloto recebe menos atenção, ou recebe as atualizações de equipamento com mais atraso, ou tem sua estratégia montada em função do colega de equipe, aí ele está sendo segundo piloto. Precisa se conformar com isso, e precisa fazer jogo de equipe também, como Patrese fez para Piquet em Kyalami/1983, Berger fez para Senna em Suzuka/1991, Massa fez para Raikonnen em Interlagos/2007.

Mas não se pode, esportivamente, admitir que, sem um motivo forte, como a iminente conquista de um campeonato mundial, ainda seja necessária uma ordem de equipe para que o segundo piloto ceda uma posição sem disputa, ele que já está em inferioridade técnica e estratégica. Estar ali, afinal, é algo que ele conseguiu contra todas as probabilidades.

Assim despreza-se o mérito do Esporte, em que deve vencer o que suplantou os adversários, para se impor o mérito empresarial, em que deve vencer o que for do interesse dos cartolas. É fraude, pura e simplesmente.

É o caso do GP da Alemanha. E não há um único culpado: é importante ressaltar que a Ferrari propôs o lamentável jogo aos seus pilotos, mas estes concordaram.

Nas mesmas condições Webber não cederá para Vettel. Como Hamilton não cedeu para Alonso. Como Senna não cedeu para Prost. Administrar isso é responsabilidade da equipe. Nãp dos pilotos. Estes buscam apenas vencer.

E aqui especificamente cabe esclarecer que Felipe Massa também não agiu esportivamente. Porque um esportista precisa atuar eticamente, sem infringir regras, mas também precisa fazer todo o esforço possível para alcançar a vitória. Ou isso ou não merece ser tratado como um verdadeiro Esportista. Rubens não foi antes, Felipe não é hoje.

Não há justificativa para essa submissão: nem o favorecimento à equipe, nem a cláusula contratual, nem o medo de perder o emprego.

A única recompensa que se faz digno dela o piloto que se permite ser usado assim foi exatamente o que Felipe Massa ouviu, via rádio, de sua equipe, no melancólico final da corrida: “Bom Garoto”.

Como ouve, de seu dono, o feliz cachorrinho que se comporta bem.

sábado, 25 de julho de 2009

O Azar e a Sorte

O acidente de Felipe Massa nos treinos para o GP da Hungria foi mesmo impressionante. Não tanto pela violência, que já se viu cenas muito mais fortes. Tampouco pelos danos, pois a concussão cerebral e a pequena cirurgia para retirada de fragmentos de ossos quebrados foi realmente muito pouco perto do que poderia ter sido.

É um misto de azar e sorte.

A probabilidade de uma peça – tudo indica que era uma mola – que se desprendeu de um carro que andava centenas de metros à frente ferir o crânio de um piloto que vem atrás é infinitamente pequena. É necessário que a combinação perfeita de cota, abscissa e afastamento, seja obtida aleatoriamente, ou seja, há infinitas direções para onde ela pode ser lançada, e pouquíssimas conduzem à viseira do capacete de um outro piloto. Porque há uma grande chance de o piloto que está atrás veja o objeto e desvie. Porque a própria chance de uma peça se soltar é muito remota.

Mas aconteceu. Veja na imagem abaixo, a peça se dirige inexoravelmente para o capacete de Massa. Um azar muito grande. Um acidente imprevisível, que de certa forma lembrou o fim de Ayrton Senna, bem como o acidente do jovem Henry Surtees alguns dias atrás, em eventos tão improváveis quanto este.

É a lei dos grandes números: por mais ínfima que seja a probabilidade de um evento, ele acabará ocorrendo se for feito um número suficientemente alto de tentativas.



O ponto em que a peça atingiu o capacete, pode-se ver na fotografia abaixo, também não deixa dúvidas: míseros 10 centímetros para cima, ou para o lado seriam suficientes, e Felipe teria escapado incólume.



Mas ao mesmo tempo deve-se considerar a sorte do brasileiro. Considerando a fotografia acima, o choque teve mesmo uma intensidade muito grande, considerando que o capacete do piloto é construído para suportar o impacto de (alguns) projéteis de arma de fogo. Dessa forma, viesse a peça numa trajetória um pouco mais abaixo, entre o capacete e a carenagem do carro, e encontraria o pescoço ou o peito do piloto, protegidos apenas pelo tecido do macacão anti-incêndio. Considerando o estrago promovido no capacete, é fácil imaginar um afundamento de traquéia, uma artéria principal rompida, costelas, coração ou pulmões dilacerados. Nesse sentido, foi mesmo muita sorte.

O acidente de Felipe provavelmente vai levantar inúmeras críticas aos aparatos de segurança nos autódromos, bem como surgirão inúmeras propostas de mudança de regulamento, de preparo de carros para não acontecerem novas peças soltas, de proteção dos pilotos.

Mas não adiantará: automobilismo é um esporte de alto risco. Simples assim. Os pilotos, mesmo os que são apenas bons, como é o caso de Felipe Massa, são revestidos de glamour, ganham muito dinheiro, fazem inúmeras viagens pelo planeta inteiro, freqüentam os círculos sociais mais elevados. Encontram tudo o que há de bom e de melhor no mundo. Mas também podem encontrar o erro, o acidente, talvez a morte. A cada corrida, a cada treino, a cada curva.

Porque acelerar a 300 km/h, com as nádegas a menos de 15cm do chão, dentro de um pequeno automóvel que pesa pouco mais de 600 kg, que na verdade é uma montagem de inúmeras peças metálicas, acompanhado de outros 19 bólidos similares que dividem o mesmo pedaço de asfalto não é, definitivamente, a maneira mais segura de ganhar a vida.

Felipe Massa não disputa o GP da Hungria, mas vai ficar bem de novo, é o que tudo indica. Depois voltará a correr, e a se arriscar por uma vitória, por uma posição, por um décimo de segundo. É o que os pilotos fazem. Eles não conseguem ficar longe das pistas.

O perigo também não.