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terça-feira, 5 de junho de 2012

À Deriva


Uma constatação sutil, inconveniente e nada alentadora começa a tomar forma. Ainda não se pode afirmar, mas já se pode colocar o dedo na ferida: o Complexo Intermodal, está, literalmente, afundando. E com ele as esperanças de tantas pessoas por dias melhores.

Antes era o aeroporto, que jamais passou de promessas, nunca esteve nem no papel. Agora, mais realistas, já não há mais quem faça nenhuma promessa. Nem o governo do Estado, nem o governo Federal.

Restava o alento de receber o Porto Sul e a Ferrovia. Mas infelizmente o empenho dos interessados, leia-se governo Federal e Estadual mais a empresa mineradora Bamin, parece ser cada vez menos relevante. Com efeito, as ações de divulgação cessaram totalmente, e o cuidado necessário na condução do processo não foi tomado. Talvez subestimando os inimigos do projeto, os documentos e os estudos acabaram se mostrando relativamente falhos, ainda que em questões minúsculas.
Ilhéus seguirá seu caminho: infra-estrutura, segurança e desenvolvimento social

domingo, 20 de maio de 2012

O Mito do Turismo

No calor dos debates a respeito da implantação do Complexo Intermodal, o argumento mais recorrente dos que se opõem coerentemente apontam o Turismo como a alternativa econômica principal para promover desenvolvimento sustentável na região ex-cacaueira. Aliás, o Turismo e o Cacau.

Sobre o Cacau já tive a oportunidade de discorrer (leiam aqui). Ilhéus perdeu, com as sucessivas crises da Lavoura, o posto de Celeiro Mundial da preciosa semente. Desde então os concorrentes ocuparam fatias cada vez maior do Mercado Internacional, que hoje é dominado por países da África e da Ásia. Da mesma forma, no próprio mercado nacional, o Pará já se prepara para tomar da Bahia o posto de principal estado produtor.

E o Turismo, apesar de ser uma atividade de importância indiscutível, também não demonstra fôlego para sustentar a economia da Região.

Esta indústria não tem promovido nenhum "desenvolvimento sustentável". Pelo contrário, é uma atividade com fortes aspectos sazonais e de concentração de renda.

Habitação típica de quem "vive do Turismo" em Ilhéus

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Castrou-se o Complexo

As publicidades oficiais iniciaram uma mega-ofensiva em favor dos empreendimentos FIOL e Porto Sul. Vê-se campanhas em out-doors, multiplicam-se os banners em blogs (até nos que se opõem ao projeto) e sites, e repete-se a veiculação de peças na televisão e no rádio.

"Agora vai!", dizem-me as pessoas. E eu começo a pensar que vai mesmo.

Mas aí meu velho amigo Algo, aquele pessimista inveterado, o cidadão que derrama água fria em todas as minhas esperanças desvairadas, me fez uma visita ontem.

Odeio quando ele aparece assim.

Algo me diz que está faltando um pedaço.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O Complexo e as Famílias

Tá lá no Blog de Gusmão: uma reunião de um grupo de agricultores que manifesta suas preocupações a respeito do Complexo Intermodal.

Há os que defendam que são apenas umas poucas famílias que participaram da reunião. Pode ser, mas ocorre que isso interessa muito pouco. Ainda que fosse uma só família, ou um só agricultor. Todos tem que ser engajados no processo de instalação do Complexo Intermodal. Ninguém deve ser engolido por ele.

domingo, 25 de setembro de 2011

Um Tripé contra o Complexo

Há muitos e muitos meses se têm debatido nesta região Sul da Bahia a respeito da iminente instalação do Complexo Intermodal. Os argumentos, e as armas usadas para o convencimento, são os mais apaixonados. Nem sempre os mais corretos. Este Blog mesmo publicou um e-mail que acabou se mostrando de procedência duvidosa. A publicação será mantida, em respeito à força dos argumentos e, principalmente, por destemor da Verdade.

A bem da verdade, o fato é que a tese dos que se opõem não convence muitas pessoas na cidade e na região. As pessoas já decidiram que desejam o empreendimento, e isto já foi manifestado publicamente em várias oportunidades.

Passeata de apoio ao Complexo Intermodal
Assim, deixando paixões, exageros e enganos à parte, e fazendo uma garimpagem muito cuidadosa, vê-se que a tese contrária à vinda do Complexo Intermodal se sustenta em um tripé: em linhas gerais argumenta-se que a quantidade de empregos que serão geradas pelo Complexo Intermodal não alcançará o prometido; também se afirma que as perdas ambientais serão irreparáveis, com efeitos sobre as pessoas e sobre a economia da região; e, finalmente, há a alegação de que sobre o restante da população o impacto será negativo, em função do preterimento das pessoas naturais da região em favor de pessoas de fora, bem como da “favelização” resultante da chegada de pessoas em busca de expectativas que se frustarão.

Todavia, em respeito ao bom raciocínio e ao bom pensamento há que se ponderar cada um dos argumentos cuidadosamente. Com freqüência as minorias possuem argumentos sólidos que são desprezados pelos demais.

Todavia, não não é este o caso: o tripé mostra-se frágil, e simplesmente rui quando é submetido a uma análise cuidadosa. Vejamo-no pé por pé.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

E-Mail publicado a pedido

"Olá,


Sou mulher, mãe, professora, tenho 48 anos e três filhos maiores de idade, dois deles desempregados. Sou também ilheense e católica… Frequentei durante muito tempo a igreja São José, da Avenida Itabuna, até a morte do Padre Getúlio. Depois disso, perdi um pouco a vontade de ir às missas porque não é mais como antes. Infelizmente, vejo uma igreja que se afasta cada vez mais dos objetivos que deveria ter, ignora as necessidades dos fiéis, não pisa no chão nem se inclina para ouvir o povo.


Um dos meus filhos desempregados é justamente o que concluiu o curso de Administração de Empresas na Uesc. Ele tem 25 anos e sua experiência profissional não passa de estágios do tempo da faculdade, nada além disso. Nós o queremos perto da gente, mas está difícil segurar um jovem de boa formação acadêmica e familiar, que vê seus sonhos cada vez mais se transformando em frustração. É duro!


Mas em Ilhéus está assim. Faltam oportunidades, as empresas fecham, assim como se fecham as portas para quem procura emprego. Por isso, é difícil para mim, como mãe e católica, entender a posição do bispo Dom Mauro, que resolveu combater o Porto Sul. Com que argumentos? Propondo o que em troca?


Não consigo entender uma suposta defesa do meio ambiente que não entende o ser humano como parte de todo esse contexto. Também não compreendo toda essa confusão em torno do assentamento Bom Gosto, já que – em trabalhos sociais dos quais já participei ali, descobri a miséria absurda em que vive a maioria das famílias. Existem áreas de 1 hectare onde 16 famílias tentam sobreviver, num verdadeiro processo de favelização rural. Muitos sequer vivem da terra, apenas moram nela e buscam seu sustento como trabalhadores informais em Ilhéus. Para mim, não tem nada melhor para essas pessoas do que negociar um reassentamento em boas condições, apoio financeiro e assistência técnica. O que não dá para entender é ser contra tudo e, em troca, oferecer nada. Aliás, o que se oferece é a manutenção de centenas de pessoas na miséria, no isolamento, longe dos serviços e distante de qualquer perspectiva.


É assim que muitos preferem viver em Ilhéus: na estagnação, na cegueira, de costas para as oportunidades. Ilhéus já perdeu várias chances de dar um futuro melhor ao seu povo. Muitos sonhos, como o de meus filhos, viraram frustração porque há gente com espírito de porco e mentalidade atrasada, que prefere ser contra… Para mim, na verdade, eles são contra Ilhéus.


Gostaria que essa carta fosse divulgada em todos os meios de comunicação, como um desabafo de uma mãe que está cansada de ver um filho formado, cada vez mais triste e decepcionado por não poder colocar em prática o que aprendeu na universidade. Sei que minha tristeza não é só minha. Há muitos na mesma situação, infelizmente.


Olga Ferreira"

segunda-feira, 16 de maio de 2011

E-Mail enviado ao Jô

Boa noite Jô Soares (ou assessoria).

Soube que hoje voces entrevistarão o meu colega, prof. Rui Rocha. Ele falará sobre o Complexo Intermodal que está prestes a ser implantado em Ilhéus, sul da Bahia.

É nacionalmente público que o prof. Rui se opõe ao projeto, segundo ele por razões ambientais. Digo que se opõe ao projeto em si, já que várias adequações já foram prpostas e feitas, mas nada satisfaz os anseios do prof. Rui. Para ele a única saída é a não execução do projeto.

Opinião que todos devemos respeitar, mas que não está acima da polêmica ou do contraditório. Contradizem o prof. Rui um contingente de mais de 80% das pessoas de Ilhéus e região.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Ilhéus perdendo tudo

Lá no Blog do Gusmão começou a aparecer o que se teme ser a ponta de um Iceberg: o cancelamento de verbas para a Ferrovias leste-Oeste. Leiam aqui.

Não há nenhuma dúvida razoável quanto a necessidade que a cidade de Ilhéus tem do complexo Intermodal. Não há grandes resistências entre as pessoas da região, que compreendem e desejam a vida do empreendimento.

Sendo um município que caminha rapidamente em direção à falência, o cancelamento desse projeto pode ser a pá de cal nesta região ex-cacaueira que experimenta a maior decadência econômica e social de todo o Brasil, já que enquanto o país melhora seus índices de emprego e renda, aqui só se vê números cada vez piores.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Boicote Externo ao Complexo Intermodal

Visão esquemática co porto off shore do Complexo Intermodal

Não é difícil perceber que há interesses claros em que o Complexo Interemodal não saia do papel. Também não é difícil de se ver que os interesses envolvidos vão muito além da questão ambiental. Há um boicote deliberado, e que talvez já esteja para ser desmascarado por empresários e políticos baianos.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Ir para Aritaguá

A recente decisão do governo da Bahia, alterando o local da instalação do Complexo Intermodal, foi largamente comemorada pelo grupo que se opõe ao empreendimento. De seu lado, os que apóiam o Porto Sul alegam que nada mudou na prática, e que nenhuma grande diferença fará a decisão do governo. Defendem que o evento não foi uma derrota para as pessoas de Ilhéus, que aguardam a execução do projeto.

Mas foi. Não adianta tapar o sol com a peneira.

O Complexo Intermodal segue sendo a única alternativa concreta para retirar esta cada vez mais pobre região ex-cacaueira da crise econômica em que se encontra. Ilhéus precisa do Porto, haja vista o decrescimento constante de sua população, a insuficiência crescente de sua arrecadação e a total estagnação econômica que a cidade vive.

Infelizmente ocorre que a vontade das pessoas, a necessidade da região e as carências da cidade não mudam os fatos: o Complexo Intermodal sofreu um duríssimo golpe.

Porque a mudança requererá novas análises. E os que são contrários certamente carregarão novamente suas armas, agora ainda mais animados com a vitória momentânea, e voltarão artilharia cerrada contra a instalação do Complexo em Aritaguá.

Bem como, aliás, qualquer outro ponto do litoral ilheense.

Os prejuízos não são apenas no prazo e nos custos da obra. Há uma grande perda política, que com certeza será muito eficientemente capitalizada pelo grupo que se opõe ao Complexo. Eles já mostraram que jogam muito bem nos bastidores da Imprensa e da Política.

Daqui de Ilhéus não se vê o alcance das ações contrárias ao projeto. Porque esse jogo está sendo jogado em São Paulo, com ONGs de fora da região Sul da Bahia, no Rio de Janeiro, em conjunto com os bastidores da grande imprensa nacional, e em Brasília, junto à classe política.

Daqui da cidade de São Jorge o horizonte é finito. A vista dá conta de que o Complexo virá, é uma realidade iminente. Todavia, lá fora, de onde se tenta impor, com mão de ferro, uma decisão contra a vontade das pessoas daqui, a impressão é bem outra.

Os que desejam ver o Complexo se tornar realidade que se cuidem. E se movam.

O jogo não está decidido ainda, mas o Rei está em xeque.

domingo, 3 de abril de 2011

Armadilha da Repetição Infinita

Eu e alguns amigos, na época de universidade, pregamos certa vez uma pequena peça em outros colegas. Chamamos isso de “Armadilha da Repetição Infinita”.

Aplicamos a armadilha enquanto se travava um debate sobre algum tema, que não me recordo agora. A gente sabotava o debate da seguinte maneira: a discussão ia evoluindo inicialmente sem a nossa presença. Quando se estava aproximando de seu termo, um de nós aparecia e exigia que o debate fosse reiniciado para incluir, democraticamente, o “nosso direito” de argumentar, ser ouvido.

Como éramos em número razoável, conseguimos, por brincadeira, fazer uma discussão que demandaria algumas horas durar uma tarde inteira. E prosseguiríamos indefinidamente, não fosse um dos demais que estavam debatendo desde o início se exasperar, percebendo que esse procedimento acabaria tornando o debate interminável.

Assim é a Democracia. Não é de se surpreender, aliás. Dialeticamente, é esperado que ela traga, como outros fenômenos sociais, a essência da sua negação dentro de si mesma. Ao respeitar seguidamente o direito de expressão de todos, permitindo que o debate seja infinitamente reiniciado, fazemos com que a Decisão, objetivo do debate, jamais seja tomada. Dessa forma, usando a Democracia nós negamos um preceito sagrado dela mesma: o respeito à vontade da maioria.

Porque, se levada ao extremo, a Democracia impede a si mesma de existir.

É por isso que os processos decisórios impõem prazos para os debates: há uma data para se realizar as eleições, ou o debate jamais permitiria que estas acontecessem. Da mesma forma acontece nas consultas públicas, nos tribunais, nos sindicatos, nas comunidades em geral. Para salvaguardar a Democracia é preciso regular ela própria.

O Bispo de Ilhéus, Dom Mauro Montagnoli, afirmou que o Complexo Intermodal precisa ser discutido mais profundamente. Leia aqui.

Cabe respeitar a opinião do Bispo, evidentemente. A princípio, não se vê nenhum problema em discutir nada “mais profundamente”. Pessoalmente acho ótimo.

O debate, aliás, deve permanecer vivo. Deve existir antes, durante e depois da execução dos projetos. Quaisquer que sejam eles.

Mas sempre há o risco de, ao retomarmos seguidamente a discussão, acabarmos caindo na “armadilha da repetição infinita”. Nada contra o debate. Mas não podemos correr o risco de que a retomada do debate seja usada como arma contra a própria Democracia, ao impedir que se estabeleça a vontade da maioria.

Talvez a maioria já possua um ponto de vista assegurado a respeito do Complexo Intermodal. Talvez os trâmites legais de debate, com consultas e audiências, e os informais, com a imprensa, os blogs, tenham sido suficientes para que os argumentos fossem postos e as pessoas formassem sua opinião. Neste caso, apenas um fato ou argumento novo poderia mudar isso.

Se o cenário for esse, então retomar repetitivamente um debate que não mudará em nada a opinião das pessoas é inútil. Mais ainda, não serve a nenhum propósito senão o de sabotar a vontade manifesta das pessoas.

Usar a democracia como um artifício contra ela mesma.

segunda-feira, 21 de março de 2011

IBAMA a favor do Complexo

No Blog do Gusmão tem uma matéria em que ele apresenta um parecer técnico do IBAMA (leia aqui), a respeito do qual ele mesmo, Gusmão, já se referira no mês de Fevereiro.

É onde os técnicos do IBAMA apresentam-se contrários à instalação do Terminal Portuário da BAMIN na Ponta da Tulha.

Na Ponta da Tulha.

O blogueiro tinha razão, afinal. Tratou-se, à época, de um grande furo de reportagem, e todos os que duvidaram ou até questionaram seus princípios devem, humildes, se desculpar com ele agora.

Não obstante, destoando dos que são contrários ao Complexo Intermodal, parece que a análise foi, na verdade, extremamente positiva para os que desejam a vinda deste empreendimento para Ilhéus.

Porque, apesar de serem contrários à instalação na Ponta da Tulha, aquele parecer ressalta estar, ele mesmo, sujeito “à consideração superior”.

Isso acontece porque há uma série de informações indisponíveis, as quais os analistas julgaram necessárias a fim de se medir o impacto ambiental do terminal na Ponta da Tulha. Da mesma forma, as ações de compensação e de mitigação dos danos ambientais pareceram inadequadas, mas naturalmente podem ser ajustadas de forma a atender o que desejam os técnicos do órgão. Mais ainda, o próprio relatório aponta que pode-se buscar uma “avaliação de alternativas locacionais para a instalação do empreendimento”.

A conclusão óbvia é que o IBAMA não é contrário ao empreendimento. Apenas entende que, com as informações atuais, o terminal da companhia de mineração não deve ficar na Ponta da Tulha. Simples assim.

Isso fica cristalino, no relatório, quando a equipe do órgão se posiciona como “não sendo contrária a instalação do empreendimento no município”. Sem meias palavras, sem subterfúgios, a conclusão imediata é que o IBAMA é a favor do Complexo Intermodal.

Mais importante, ainda no mesmo relatório, os analistas vão adiante e reconhecem a importância do empreendimento. No texto, “Ressalta-se, ainda, que esta equipe entende que o empreendimento traria benefícios sócio-econômicos para o município de Ilhéus”.

Além de ser a favor do Complexo, o IBAMA reconhece a importância deste empreendimento para romper a estagnação econômica que se impõe na região sul da Bahia.

Dessa forma, diferente do que pensam os que são contrários ao Complexo Intermodal, parece ser, o parecer do IBAMA, uma peça favorável à instalação do empreendimento.

A oportunidade que isto representa para Ilhéus não pode ser perdida. Até o órgão de fiscalização ambiental percebe isso.

Bem como, aliás, a imensa maioria das pessoas desta região ex-cacaueira. O Complexo tem de vir. Se não vier, será uma decisão imposta de cima pra baixo.

Um desrespeito aos anseios das pessoas do Sul da Bahia.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Concordância Agressiva

Há uma expressão em inglês para referir-se a pessoas que discutem apaixonadamente sobre um certo tema sendo que, na essência de seus argumentos, estão na verdade concordando. Chamam isso de Agressive Agreement, ou Concordância Agressiva (tradução minha).

Uma postagem (aqui) dava conta de uma cobrança da empresa de mineração que construirá um terminal portuário em Ilhéus. O autor basicamente propunha que a comunidade cobrasse desta empresa o máximo possível de contrapartidas, já que as que estão postas seriam consideradas insuficientes.

É fácil perceber que nesta ou em qualquer outra negociação a contrapartida buscada pelas partes deve ser a maior possível. É a busca pela maximização do ganho, conforme descrita na Teoria dos Jogos, que foi discutida pelo matemático americano John Nash (aqui).

Efetivamente não dá para discordar disso. Quanto mais esta região puder ganhar da empresa de mineração, melhor.

Da mesma forma, não é meramente pelo número de empregos diretos, tampouco simplesmente pelo impacto ambiental que se pode medir o tamanho da contrapartida recebida. Aliás, considerando a informação passada (aqui) dando conta que a empresa de mineração estaria dispondo de 80 hectares em troca de recuperar e manter livres da degradação 120 hectares de mata, uma diferença de 50% em favor da preservação, parece que a conta é até bastante favorável.

Em nenhum momento houve uma discordância neste debate. Um lado defende que a contrapartida deve ser tão grande quanto possível, e que se busque exaustivamente este objetivo. É fácil de concordar com esta Tese. O outro defende que efetivamente há contrapartidas, o que também é verdade. Mas isto não invalida a primeira afirmação.

Um não contradisse o outro. Não houve embate de idéias. São linhas de pensamento complementares que se encadeiam.

Às vezes as pessoas são tão apaixonadas por suas convicções que até concordam, mas permanecem debatendo sem perceber.

Concordância agressiva.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O rumo de Ilhéus

O recente movimento do grupo contrário ao Complexo Intermodal foi uma manifestação produzida por Paula Lavigne e acompanhada por alguns artistas, principalmente ligados à Rede Globo. A matéria pode ser lida aqui.

Em resposta, o grupo dos que apóiam o projeto propõe a indiferença, alegando que os artistas não sabem do que estão falando, não conhecem a realidade da região, não entendem a situação pré-falimentar pela qual passam as cidade de Ilhéus e região.

Assim, os que apóiam o Complexo Intermodal consideram que a manifestação não carece de resposta.

Acho que é exatamente o contrário. A força dos que estão do outro lado é muito maior do que se pensa. Amealharam aliados poderosos – embora nem sempre os mais recomendáveis – dentro da imprensa nacional. Apesar de estar minado pela Internet, não se deve subestimar o ainda imenso poder da grande mídia. A se ver os episódios das eleições presidenciais.

É importante contrapor a versão única que circula nos meios nacionais, particularmente na Rede Globo, mostrando o outro lado da história. Para o resto do Brasil parece que, por mero capricho, a cidade de Ilhéus vai destruir toda a sua Mata Atlântica. Parece que estão impondo isso contra toda a cidade. Parece que Ilhéus vai muito bem, mas que depois da instalação do Complexo a cidade vai se transformar num depósito de lixo. A Mata se tornará deserto.

É necessário mostrar ao país a outra versão dos fatos. Evidenciar que a imensa maioria da população de Ilhéus apóia o projeto. Deixar claro que a cidade não encontra alternativas econômicas para sua própria sobrevivência, e que as alternativas propostas continuarão levando a cidade em direção ao seu ocaso. Mostrar que o Complexo Intermodal não é incompatível com a preservação ambiental.

Ilhéus e região diminuem a cada dia. As receitas estão cada vez mais esparsas, a administração municipal com cada vez menos força. A cidade perde mais almas a cada aferição do IBGE. A região inteira está empobrecendo rápido e a olhos vistos. As pessoas vêem no Complexo uma esperança, uma chance.

Artistas, imprensa, políticos. Todos tem uma coisa em comum, ainda que por motivos diferentes: um enorme respeito pela opinião pública. Aí pode estar a alternativa a ser explorada.

Enquanto um dos lados dorme considerando a batalha vencida, o grupo do outro lado está se movendo rápido nos bastidores da mídia e da política em busca de reverter a atual decisão em favor do projeto. Eles já mostraram sua musculatura. Podem conseguir.

E Ilhéus terá que engolir uma decisão tomada de cima para baixo, condenando a cidade a permanecer na sua trajetória rumo ao naufrágio.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

A Isca?

Muitas e muitas vezes temos ouvido e lido de muitas fontes diversas, notadamente o grupo de ativistas e ambientalistas que são contrários à implantação do Complexo Intermodal, que o novo aeroporto de Ilhéus não virá. Alegam que trata-se apenas de uma “isca”, com o objetivo de atrair a simpatia dos cidadãos.

Observando os fatos recentes, acho que é hora de considerarmos seriamente isso.

Porque as autoridades do executivo estadual e federal, nas pessoas do Governador Wagner e do presidente Lula, bem como de seus assessores diretos, os ministros, secretários e presidentes de estatais, além dos políticos aliados - que deveriam defender os interesses da região - simplesmente não tocam mais no assunto. Falam muito da Ferrovia, que será iniciada em breve, ao que parece, e do Porto. Mas o Aeroporto caiu totalmente no esquecimento.

Se esse for o caso, então Ilhéus e a região toda ficará à mercê do velho aeroporto Jorge Amado.

Em outras palavras, ficará à mercê de uma série de contratempos que se acumulam: companhias que operam com aeronaves de menor porte, o que impede boa parte da logística das empresas do Pólo de Informática e das indústrias da região. Restrições de operação noturna e com tempo ruim, o que encarece as passagens e diminui a competitividade do Turismo. Quantidade limitada de companhias aéreas, que limita a concorrência e deixa os passageiros vítimas de serviços de qualidade lamentável.

O Velho Jorge Amado não suporta os novos desafios. Até o Banco do Brasil já o abandonou, fechando os caixas eletrônicos que ali existiam. Quem sair por último apague a luz.

Ilhéus precisa muito de um novo aeroporto: moderno, espaçoso, com alfândega, pista para grandes aeronaves, múltiplas companhias aéreas. A necessidade tão grande quanto urgente.

Infelizmente, de acordo com as atuais propostas orçamentárias, em breve é Vitória da Conquista que terá seu aeroporto de grande porte. Isso atrairá para aquela cidade uma série de operações de carga que hoje ainda são executadas no aeroporto de Ilhéus. Outro duro golpe contra esta cidade, impondo-lhe mais perda de arrecadação e impostos.

Com a vinda do presidente Lula a Ilhéus, na sexta-feira próxima, é a hora de a sociedade organizada cobrar dele, e do governador Wagner, e dos políticos regionais uma palavra final: Ilhéus terá seu Aeroporto Internacional, conforme prometido?

Ou os ambientalistas tinham razão, e a cidade inteira apenas mordeu uma isca?

sábado, 27 de novembro de 2010

Sul da Bahia Justo (?) e Sustentável (?)

No Youtube tem um vídeo muito bonito, que apóia as manifestações contra o Complexo Intermodal. Eu reproduzo o vídeo abaixo, mas ele pode ser assistido "in loco" se clicarem aqui.

O vídeo é realmente muito bem produzido. Extremamente emotivo, com músicas de fundo - destaque para a execução repetida do Hino Nacional Brasileiro - e tomadas paisagísticas de qualidade profissional.

Constrói vilões e mocinhos com a mesma maestria que a Rede Globo faz com suas novelas, e que a indústria do entretenimento faz nos Estados Unidos.

Pessoalmente me toca muito. Emociono-me fácil com boa música, belas imagens, histórias bem contadas. Então devo dizer que gostei do vídeo. Embora tenha sentido falta, nas imagens, das pessoas não tão bem vestidas, não tão bem penteadas, não tão bem alimentadas e não tão bem cuidadas que efetivamente moram naquela região. Pergunto-me porque não se vê os sem camisa, sem dentes e sem perspectiva que povoam às centenas a Ponta da Tulha e a Lagoa Encantada.

Mas deixando de lado o apelo emocional, e focando no ponto racional, é possível ver um pouco mais dentro do vídeo.

Ou, melhor dizendo, um pouco menos.

Porque ali há muita produção cenográfica e pouco – talvez nenhum – conteúdo relevante. O vídeo é uma compilação dos mesmos argumentos que são usados há muito. Não diz nada de novo. Apenas diz de maneira muito bem editada.

O vídeo fala da biodiversidade da mata atlântica e afirma, com uma autoridade difícil de ser demonstrada, que a real vocação desta região é o “Turismo Sustentável”.

E, com a mesma falta de evidências, ainda afirma que, com o Complexo Intermodal “todo aquele ecossistema estará irremediavelmente perdido”, e “o impacto será extremamente maior ao longo do tempo”.

Muitas afirmações, nenhuma sustentação técnica ou científica.

Com a bela seleção musical ao fundo e as tomadas aéreas tecnicamente perfeitas, efetivamente o vídeo causa um grande impacto. Mas não traz nenhuma luz à discussão. Apenas um apelo sem nenhum fundo racional. Chega à pachorra de mostrar imagens de baleias Jubarte como se estas também fossem se tornar vítimas do projeto.

Em essência, o vídeo propõe a manutenção do que sabidamente não funciona: defende que a região continue apostando suas fichas no desenvolvimento econômico baseado no turismo “sustentável”.

Que, até então, não reduziu minimamente a desigualdade social nem a crescente pobreza de Ilhéus, uma cidade que caminha a passos largos para o seu Ocaso.

Bem como também não discute o fato de que, segundo os relatórios técnico/científicos da COPPE/UFRJ, os impactos gerados pela instalação do Complexo Intermodal podem ser minimizados e compensados satisfatoriamente.

Efetivamente não discute nada. É uma mera peça publicitária. Portanto, a menção vai apenas para a inegável qualidade da produção. O resto é mera estratégia de propaganda.

Podem assistir. Vale à pena.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

FIOL para os descrentes

O Candidato ao senado Walter Pinheiro soltou um verdadeiro torpedo contra muitos que, como eu, puseram em dúvida a execução da FIOL, Ferrovia Integração Oeste-Leste. Leia aqui e veja como Pinheiro declarou que a licitação da ferrovia é uma "resposta aos descrentes".

Bem, ponho minha mão à palmatória. De fato, licitados os primeiros trechos, parece que realmente a obra será levada a cabo. Em breve teremos a FIOL, o que favorecerá sobremaneira a economia da região sul da Bahia.

Eu não tinha realmente tanta convicção, mas agora passo a ter. Tomara que eu erre assim outras vezes. Terei prazer em retificar. Parabéns aos governos estadual e federal pelo empenho em cumprir a promessa.

É que o início das obras da Ferrovia impõe a necessidade de algum porto para escoar o produto do transporte ferroviário. Ou isso, ou a Ferrovia vai dar em lugar nenhum.

Pode ser o mesmo porto que será usado pela empresa de mineração. Pode não ser. Mas que haverá um porto, com certeza haverá.

Portanto os Governos Lula/Wagner dão indícios suficientes de que o tripé do Complexo Intermodal não será apenas uma promessa. Será uma Promessa Cumprida. O que, convenhamos, já não era sem tempo.

E será muito bom para bafejar a economia desta região com um impulso, permitindo que se retome a rota do crescimento.

Mas não consigo me esquecer: ainda falta alguma coisa.

E estranhamente todos se calam a respeito. Porque não há mais nada sendo dito a respeito do Aeroporto Internacional?

Porque o aeroporto de Vitória da Conquista já está prestes a ser iniciado e o de Ilhéus não tem nem projeto ainda?

É fato conhecido que governos só funcionam sob pressão. Isso é a essência da própria Democracia. Por isso, é necessário incessantemente vigiar e cobrar.

Estamos vendo a Ferrovia. Conseguimos ver o Porto. Mas não se vislumbra o Aeroporto. E é aí que está o problema.

Quem não vê não crê.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

A ver navios

Observando as manchetes eleitorais, aquelas que são sempre as mais apaixonadas, otimistas e pretenciosas, vê-se que em certos casos é difícil continuar com Fé.

Particularmente, acho que os grapiúnas devem se preocupar a respeito do futuro Aeroporto Internacional de Ilhéus.

O Complexo Intermodal pode ficar manco: a Ferrovia Integração Oeste Leste e o Porto Sul andam de vento em popa. Em breve começarão a se tornar realidade.

Mas o Aeroporto, aquele que, para os sul-baianos, é a parte mais importante do Complexo, esse parece que anda a passos de Tartaruga. Se é que anda mesmo.

O aeroporto de Vitória da Conquista já está a caminho de ser licitado. E o Aeroporto de Ilhéus vai ficando pra depois.

Bem depois. Como dá a entender, em ato falho, a secretária estadual da Casa Civil, Eva Maria Chiavon (leia aqui).

A Secretária apresentou o plano estratégico de Infra-estrutura estadual. Na ocasião, mostrou uma série de projetos e realizações em recuperação de rodovias, aeroportos e aeródromos. Os mais atentos puderam observar: nem uma palavra sobre o caso do Aeroporto Internacional de Ilhéus.

E a Secretária foi além, como se notou sutilmente: “Está em curso ainda o processo da construção do sistema da BA-093, da Ferrovia Leste-Oeste e do Porto Sul. Nossas ações são concretas”.

Logo, o Aeroporto Internacional não parece ser uma ação concreta.

Efetivamente fica difícil de entender: se o Aeroporto Internacional de Ilhéus realmente estiver nos planos do Governo Estadual, porque a Secretária omitiu isso em seu discurso? O Aeroporto não é tão importante que mereça ser citado?

Pode ser. Todavia é forçoso pensar numa hipótese mais simples: talvez a Secretária não tenha citado o Aeroporto, embora tenha citado a Ferrovia e o Porto, por um motivo bem mais simples.

Não há Aeroporto Internacional de Ilhéus. Nem projeto de Aeroporto Internacional. Nem plano concreto de Aeroporto.

A Ferrovia virá. O Porto também. Mas pode ser apenas isso.

Ilhéus vai ficar a ver Navios.

sábado, 4 de setembro de 2010

A Pedra Fundamental

Notícia boa!

Parece que o Presidente Lula vem a Ilhéus bater a pedra fundamental da Ferrovia Oeste-Leste (FIOL) no mês de Setembro.

Quando soube disso fiquei exultante. Pois a FIOL é parte integrante do Complexo Intermodal, este que é a única alternativa concretamente posta para diluir a cruel estagnação econômica a que esta região ex-cacaueira está submetida.

Mas aí vem o meu amigo Algo com seu sorrisinho sacana no canto da boca (já falei que tenho um amigo inconveniente chamado Algo, que sempre me diz coisas desagradáveis quando estou feliz? Quem me apresentou o Algo foi João Ubaldo Ribeiro).

Algo me diz que pedra fundamental não é garantia de nada.

Como assim?” pergunto eu. “O Presidente é que está garantindo!”.

E o sacana do Algo me diz: “O mesmo que 'desatou o nó do aeroporto'?”.

Mas é uma pedra fundamental, o início concreto de uma obra! Agora não tem mais volta!” eu retruquei.

Algo me faz perguntar a mim mesmo: o que é, afinal, uma pedra fundamental? Que garantia ela dá de que o Projeto será levado a cabo?

Algo me lembra que já houve muitas outras pedras fundamentais, que acabaram se tornando apenas mais uma pedra no meio do caminho. Algo me faz lembrar que, se dependesse de pedra fundamental, Ilhéus teria um belo empreendimento comercial na Av. Soares Lopes.

Algo sempre derrama uma ducha friam em minhas melhores expectativas. "Não é culpa minha", alega Algo. "A culpa é de seu otimismo desvairado".

De fato, eu estou otimista. Permaneço otimista. Parece que o Complexo Intermodal pode sair do papel, afinal. Ou pelo menos parte dele. Porque o Aeroporto Internacional, que é o filho mais desejado dessa irmandade de empreendimentos de infra-estrutura, ainda não tem perspectiva de existir de fato. Nem de direito. Como Filho, ainda não passa de um simples teste de gravidez.

Com resultado inconclusivo”, completa Algo.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Porto Sul: o jogo democrático

Uma vez a mente aguda e veloz, embora nem sempre muito gentil, de Roberto Campos produziu uma frase que, para mim, é uma verdadeira pérola. Disse Robertão: “numa democracia o direito à liberdade de expressão não garante o direito de ser levado a sério”.

Antes de ser agressiva, e o é, a frase possui uma singeleza lapidar porque há muitos contextos diferentes em que a expressão “não ser levado a sério” pode ser utilizada. Pode ser o caso óbvio de alguém estar falando algo ridículo ou absurdo, e então não deverá mesmo ser levado a sério. Mas o contrário também pode se dar: o ridículo ou absurdo pode estar na compreensão das pessoas, que não levam a sério o que é dito por alguém.

Por exemplo, as eleições municipais de 2004 foram, para os eleitores de Ilhéus, uma excelente oportunidade perdida de se levar a sério algumas advertências. Mas a escolha, naquela oportunidade, foi exercer o direito democrático de não levar a sério o que alguns setores diziam.

Pleno exercício da Democracia. Embora de maneira lamentável.

É difícil ser minoria. Porque ser minoria significa ter perdido o debate, não ter convencido a maioria, não conseguir mostrar sua própria razão. Mas também pode ser simplesmente o caso de as pessoas terem ouvido, compreendido e discordado. Entendo que é difícil para a minoria admitir isso. Lembro-me bem como me senti frustrado por ocasião das eleições de 2004. É difícil. Mas mais pela paixão pessoal pelas causas do que pela falta de convencimento dos pares.

Todavia, do ponto de vista democrático isso não faz a menor diferença. A livre expressão e a decisão da maioria precisam simplesmente estar garantidas. Ponto.

Pessoalmente eu acho válida a opção de certos grupos na região sul da Bahia que são contrários ao Complexo Intermodal. Acho que eles têm todo o direito de criticar, apontar alternativas, defender seus interesses.

Mas é muito difícil argumentar que a Democracia está sendo vilipendiada, como se faz em alguns textos (leia aqui).

O grupo dos que são contrários ao Complexo pode ter suas razões. Podem estar certos ou errados em seus argumentos. Mas essa decisão é de foro pessoal: cada um deve refletir e decidir por si só. Aparentemente não estão sendo convincentes, pelo menos para a maioria das pessoas do Sul da Bahia. Logo, perderam o debate na Região.

Mas a alegação de que não tiveram espaço para expressar suas opiniões, bem como de que não houve debate é totalmente sem sentido. Houve inúmeras audiências, discussões, argumentações, manifestações de parte a parte, com flagrante uso de poder econômico para viagens, contratação de artistas, propaganda, infra-estrutura, etc. Ambos os lados usaram todas as suas armas: não há nenhum ingênuo nessa disputa.

Os contrários ao Complexo contam com o apoio da poderosa Rede Globo, além de terem inúmeras vozes espalhadas pela Internet (vejam aqui, aqui, aqui e aqui alguns exemplos).

Manifestaram-se nas audiências e nos debates. Apresentaram panoramas (alguns bastante inverossímeis) e perspectivas apocalípticas sobre o empreendimento. Mostraram alternativas para levar o investimento para a Capital do Estado, como sempre acontece com os investimentos importantes na Bahia. Tiveram e estão tendo um amplo espaço. Falaram e falarão. Foram ouvidos e ainda serão. Mas as pessoas claramente decidiram que não concordam.

Do ponto de vista da Democracia, não cabe julgar se a opinião da maioria está certa ou errada.

Gostaria de entender como a Democracia foi “sacrificada”. Decidindo-se que se leve a cabo um projeto que definitivamente conta com o apoio maciço da imensa maioria da comunidade regional? Colocando as duas propostas em debate, cada uma delas usando as armas que tem, seguindo todos os trâmites deliberativos definidos pela Lei? Buscando e usando espaços na imprensa Regional e Nacional?

As regras são claras, o jogo é direto, embora por vezes duro. O problema é aceitar que a Derrota é um resultado possível.

Mas inerente ao Processo Democrático.