Parece que o governo estadual assumiu publicamente o que já se sabia, e já era alardeado por inúmeras pessoas. Não cumprirá (mais uma) promessa, e Ilhéus não receberá seu aeroporto internacional, tantas vezes prometido pelo governador Wagner. Vai ter que se contentar com o velho e sofrido Jorge Amado mesmo. Outra decepção com o governo estadual.
Governo que, aliás, absolutamente não tem o que mostrar, de relevante, feito nesta pobre, e cada vez mais pobre, região ex-cacaueira.
Ilhéus ficará mesmo com o velho, congestionado e ultrapassado aeroporto
As publicidades oficiais iniciaram uma mega-ofensiva em favor dos empreendimentos FIOL e Porto Sul. Vê-se campanhas em out-doors, multiplicam-se os banners em blogs (até nos que se opõem ao projeto) e sites, e repete-se a veiculação de peças na televisão e no rádio.
"Agora vai!", dizem-me as pessoas. E eu começo a pensar que vai mesmo.
Mas aí meu velho amigo Algo, aquele pessimista inveterado, o cidadão que derrama água fria em todas as minhas esperanças desvairadas, me fez uma visita ontem.
Muitas e muitas vezes temos ouvido e lido de muitas fontes diversas, notadamente o grupo de ativistas e ambientalistas que são contrários à implantação do Complexo Intermodal, que o novo aeroporto de Ilhéus não virá. Alegam que trata-se apenas de uma “isca”, com o objetivo de atrair a simpatia dos cidadãos.
Observando os fatos recentes, acho que é hora de considerarmos seriamente isso.
Porque as autoridades do executivo estadual e federal, nas pessoas do Governador Wagner e do presidente Lula, bem como de seus assessores diretos, os ministros, secretários e presidentes de estatais, além dos políticos aliados - que deveriam defender os interesses da região - simplesmente não tocam mais no assunto. Falam muito da Ferrovia, que será iniciada em breve, ao que parece, e do Porto. Mas o Aeroporto caiu totalmente no esquecimento.
Se esse for o caso, então Ilhéus e a região toda ficará à mercê do velho aeroporto Jorge Amado.
Em outras palavras, ficará à mercê de uma série de contratempos que se acumulam: companhias que operam com aeronaves de menor porte, o que impede boa parte da logística das empresas do Pólo de Informática e das indústrias da região. Restrições de operação noturna e com tempo ruim, o que encarece as passagens e diminui a competitividade do Turismo. Quantidade limitada de companhias aéreas, que limita a concorrência e deixa os passageiros vítimas de serviços de qualidade lamentável.
O Velho Jorge Amado não suporta os novos desafios. Até o Banco do Brasil já o abandonou, fechando os caixas eletrônicos que ali existiam. Quem sair por último apague a luz.
Ilhéus precisa muito de um novo aeroporto: moderno, espaçoso, com alfândega, pista para grandes aeronaves, múltiplas companhias aéreas. A necessidade tão grande quanto urgente.
Infelizmente, de acordo com as atuais propostas orçamentárias, em breve é Vitória da Conquista que terá seu aeroporto de grande porte. Isso atrairá para aquela cidade uma série de operações de carga que hoje ainda são executadas no aeroporto de Ilhéus. Outro duro golpe contra esta cidade, impondo-lhe mais perda de arrecadação e impostos.
Com a vinda do presidente Lula a Ilhéus, na sexta-feira próxima, é a hora de a sociedade organizada cobrar dele, e do governador Wagner, e dos políticos regionais uma palavra final: Ilhéus terá seu Aeroporto Internacional, conforme prometido?
Ou os ambientalistas tinham razão, e a cidade inteira apenas mordeu uma isca?
Segundo notíciado (leiam aqui) a comissão mista de orçamento aprovou um total de 110 milhões de reais para a construção de novos aeroportos na Bahia.
Do total, 60 milhões irão para o aeroporto de Barreiras e 50 milhões para o aeroporto de Vitória da Conquista.
Ilhéus receberá o de sempre: Nada.
Não dá mais para empenhar muitas esperanças de que exista realmente uma grande vontade política, por parte dos governos estadual e federal, para a construção do novo aeroporto de Ilhéus. Ele já nem aparece mais nos discursos oficiais (leia aqui), bem como não consta oficialmente dos planos concretos do orçamento.
Vitória da Conquista está prestes a ver o seu aeroporto ser iniciado. Até Barreiras conseguirá o seu. Enquanto isso a cidade de Ilhéus patina, à mercê das promessas não cumpridas e dos nós não desatados.
Belo futuro aguarda esta Princesa Destronada: em breve os passageiros sairão daqui para embarcar em Conquista.
Observando as manchetes eleitorais, aquelas que são sempre as mais apaixonadas, otimistas e pretenciosas, vê-se que em certos casos é difícil continuar com Fé.
Particularmente, acho que os grapiúnas devem se preocupar a respeito do futuro Aeroporto Internacional de Ilhéus.
O Complexo Intermodal pode ficar manco: a Ferrovia Integração Oeste Leste e o Porto Sul andam de vento em popa. Em breve começarão a se tornar realidade.
Mas o Aeroporto, aquele que, para os sul-baianos, é a parte mais importante do Complexo, esse parece que anda a passos de Tartaruga. Se é que anda mesmo.
O aeroporto de Vitória da Conquista já está a caminho de ser licitado. E o Aeroporto de Ilhéus vai ficando pra depois.
Bem depois. Como dá a entender, em ato falho, a secretária estadual da Casa Civil, Eva Maria Chiavon (leia aqui).
A Secretária apresentou o plano estratégico de Infra-estrutura estadual. Na ocasião, mostrou uma série de projetos e realizações em recuperação de rodovias, aeroportos e aeródromos. Os mais atentos puderam observar: nem uma palavra sobre o caso do Aeroporto Internacional de Ilhéus.
E a Secretária foi além, como se notou sutilmente: “Está em curso ainda o processo da construção do sistema da BA-093, da Ferrovia Leste-Oeste e do Porto Sul. Nossas ações são concretas”.
Logo, o Aeroporto Internacional não parece ser uma ação concreta.
Efetivamente fica difícil de entender: se o Aeroporto Internacional de Ilhéus realmente estiver nos planos do Governo Estadual, porque a Secretária omitiu isso em seu discurso? O Aeroporto não é tão importante que mereça ser citado?
Pode ser. Todavia é forçoso pensar numa hipótese mais simples: talvez a Secretária não tenha citado o Aeroporto, embora tenha citado a Ferrovia e o Porto, por um motivo bem mais simples.
Não há Aeroporto Internacional de Ilhéus. Nem projeto de Aeroporto Internacional. Nem plano concreto de Aeroporto.
A Ferrovia virá. O Porto também. Mas pode ser apenas isso.
O grupo dos que são contrários ao Complexo Intermodal não consegue mostrar um motivo que seja minimamente razoável, pelo menos para mim, a fim de justificar o cancelamento do Projeto.
Aliás, para mim apenas não. A opinião pública da região já deixou claro que considera o Complexo um empreendimento importante, entre outras coisas porque o modelo econômico que rege Ilhéus e região é absolutamente perverso. Não há como se justificar o desejo de manter a economia da região baseada no Cacau e no Turismo. Não há como ser contrário à diversificação.
Mas há questionamentos que, apesar de não justificar o cancelamento do projeto, precisam ser convenientemente respondidos, explicados e debatidos. Por exemplo, num texto publicado no Blog do Gusmão (leia aqui), o Professor Rui Rocha - que defende a não instalação do Complexo - faz alguns questionamentos bastante razoáveis.
Não se pode ser maniqueísta numa questão como esta. Assim como não consigo entender porque para alguns a única solução seria não instalar o Complexo, também me foge o motivo pelo qual as pessoas temem em questionar.
Por exemplo eu, candidamente, gostaria de saber: quando será construído o novo Aeroporto?
O Governador já prometeu esse aeroporto inúmeras vezes, em inúmeras ocasiões diferentes. Mas ainda não se viu nada de concreto nessa direção. Já houve até audiências públicas para o Porto e para a Ferrovia. Porque nada se vê até agora a respeito do Aeroporto?
Ao mesmo tempo em que o novo aeroporto de Ilhéus não sai do papel - aliás, nem no papel entra - o aeroporto de Vitória da Conquista começa a ganhar corpo, e já está em vias de ser licitado (leia aqui).
É razoável que estranhemos a diferença da velocidade com que os dois aeroportos caminham em direção de se tornar realidade. É razoável cobrar uma explicação.
A visita do presidente Lula à região não trouxe nada de novo, em termos concretos. Mas ajudou a colocar alguns - não todos os que são necessários, infelizmente - pingos nos "ii".
Primeiro: não foi tocado no assunto do aeroporto. Isso significa que tudo permanecerá como dantes no quartel de abrantes. Ou seja, a debandada das companhias aéreas continuará inexoravelmente.
A propósito, e antes que me interpelem novamente, é tecnicamente possível pousar no aeroporto de Ilhéus à noite. Mas as condições são consideradas "adversas". Por esse motivo, o prêmio do seguro que as companhias aéreas tem de pagar torna isso proibitivo. Elas usarão o aeroporto durante a noite somente em situações imprevistas, como atrasos de vôos. Mas não voltarão a operar regularmente, porque o preço do seguro seria tão alto que, ao repassar para a tarifa, não conseguiriam vender uma só passagem.
E essa situação pode efetivamente ser revertida se houver vontade política, e os instrumentos necessários forem instalados para que o aeroporto se torne viável economicamente. Uma das promessas feitas e não cumpridas pelo presidente e pelo governador.
Mas outros pingos foram colocados. Após veemente pedido do prefeito para que a velha "nova ponte" seja construída (e há que se aplaudir o prefeito ao colocar contra a parede, no limite de suas forças, o Governador e o Presidente para tentar viabilizar o projeto), o governador Jacques Wagner fez um discurso escorregadio, prometendo "rever um projeto antigo da nova ponte Ilhéus Pontal e verificar, junto ao Derba, a viabilidade do projeto". Foi aplaudido, pois pareceu que a ponte estava finalmente sendo prometida.
Não estava. Como fica claro no vídeo abaixo, que está disponível no Blog do Gusmão (leia aqui). No vídeo, o Presidente Lula, muito honestamente por sinal, reconhece que não há nenhum projeto para nova ponte e que, portanto, o pedido não está sequer no estágio de promessa. Lula deixa tudo bem claro: Ilhéus não tem nenhuma perspectiva concreta de receber a tão prometida nova ponte.
Finalmente as notícias boas: o Gasoduto está instalado, a Ferrovia parece mesmo que será licitada, e os primeiros resultados - que sejam mesmo apenas os primeiros - aparentemente já começam a aparecer.
Um grupo de empresários pretende montar uma fábrica de motocicletas em Ilhéus. A notícia está no Blog "Sarrafo" (leia aqui), embora não cite a fonte da informação. Isso é o tipo de investimento que só é possível de acontecer em função da infraestrutura prevista para o Complexo Intermodal. Notícia que desmonta, se confirmada, a alegação de alguns grupos de que o novo porto se destinará exclusivamente a escoar minério. A mim, pessoalmente, realmente parece inverossímil. Porque a empresa "dona" do Porto se negaria a aumentar a rentabilidade de seu investimento, agregando funções ao equipamento, vendendo os serviços portuários a outros empreendedores interessados?
Também há notícias de que Ilhéus será incluída nos roteiros turísticos oriundos da Europa, conforme noticiado no Jornal Bahia Online (leia aqui). De acordo com o jornal, Ilhéus recebeu a visita de representantes de uma revista alemã de turismo "com o objetivo de elaborar um diagnóstico sobre as potencialidades do município que serão publicadas em suas edições revisadas sobre o Brasil ainda este ano". Isso será viabilizado com mais facilidade a partir da existência de um Aeroporto Internacional, que poderá receber vôos fretados ou regulares, trazendo os curiosos e exigentes, mas nada avarentos, turistas da Europa para visitar estas terras do sem fim.
Bem medido, bem pesado, foi boa a visita do Presidente. Porque esclareceu algumas coisas mal explicadas, mesmo as notícias ruins como as do aeroporto e da nova ponte. Porque consolidou um pouco mais alguns projetos interessantes para toda a região, como a Ferrovia Oeste-Leste e o Gasoduto. Enfim, colocou mais esperança, sem permitir o embarque excessivo em promessas vãs, no coração das pessoas de Ilhéus.
As coisas não estão como queremos. Mas parece que há uma tendência de melhora. A esperança cresceu mais um pouco, e os tempos vindouros parecem mais auspisciosos.
Esta eu achei no Agravo Ilheense. Muito interessante o texto. Apesar de discordar de certos pontos, e achá-lo um tanto passional, não deixo de reconhecer os méritos e os fatos apontados pelo autor. Por este motivo, tomei a liberdade de reproduzí-lo aqui,
O original pode ser lido no Agravo Ilheense (leia aqui).
" Escrito por Angelo Martins Qua, 24 de Março de 2010 13:05 Nem Lula, muito menos Wagner são governantes com apegos a dados realísticos. Lula inaugurou 3 vezes o aeroporto de recife. Lançou 3 vezes o Edital da construção do Contorno Ferroviário de São Felix/Cachoeira (que até hoje não saiu do papel). Já Wagner se "lambuja no verbo", promete a construção de um novo aeroporto em Ilhéus, Porto Seguro e Vitória da Conquista, além da Ponte de Itaparica, Fábrica de Avião, Oceanário e blá blá blá.
Ao invés de construir coisas novas (motivo pelo que foi eleito), terminou acabando coisas que já existiam. Aceitou, PASSIVAMENTE, o fechamento do aeroporto de Ilhéus, comemorou a reabertura parcial, e silencia com a transferência de vários vôos para a Ilha de Comandatuba. Isso pra não dizer da fuga de empresas do pólo de informática de Ilhéus, e de outras Indústrias baianas que foram pra Pernambuco e Ceará. É o estilo Wagner de ser!
No palanque permanente, Wagner prometeu ainda duplicar a Ilhéus Itabuna, Novo Porto de Ilhéus e a tal Ferrovia. É importante registrar que, se por um lado, nenhuma das obras são de competência final de Wagner (todas são obras da União Federal), ele, com sua verborragia insistente de se apresentar como “amigo do homem”, tem que também assumir o ônus da não realização das promessas, que faz em nome de terceiros.
Aos fatos. Os Jornais afirmar que, nesta semana, Lula e Wagner vem ao sul da Bahia para: 1º Inaugurar o Gasene (projeto esse iniciado ainda na gestão do ex presidente FHC e que, somente agora será findado); 2º Anunciar a construção da Ferrovia Leste Oeste.
Se de fato Lula (acompanhado de Dilma) e Wagner anunciarem o início da Obra de construção da Ferrovia Leste Oeste, estaremos diante de um absurdo ESTELIONATO ELEITORAL. Explico:
Em 29.12.2009 a VALEC (Empresa Federal que cuida da construção e gestão de Ferrovias no Brasil), lançou o Edital nº 13/2009, cujo objeto era “CONTRATAÇÃO DE EMPRESA DE CONSULTORIA DE ENGENHARIA PARA ELABORAÇÃO DE PROJETO EXECUTIVO PARA IMPLANTAÇÃO DA FERROVIA DE INTEGRAÇÃO OESTE LESTE, TRECHO: FIGUEIRÓPOLIS/TO – ILHÉUS/BA.” (confira em http://www.valec.gov.br/download/licitacoes/edital/concorrencia_Edital_2009-013.pdf). Traduzindo, trata-se de contratação de empresa pra definição de projeto (traçado, estudo de custos, estudo de solo e etc), algo que PRECEDE o Edital de Construção da Ferrovia. O custo dessa contratação gira em torno de 100 mihões, uma bagatela perto do preço da obra de construção, próximo a 2,5 Bilhões.
Pois bem, na data de ontem, 23.03.2010, a VALEC divulgou no Diário Oficial da União (em:http://www.in.gov.br/imprensa/visualiza/index.jsp?jornal=3&pagina=125&data=23/03/2010), o resultado da seleção destas empresas que ELEBORARÃO OS ESTUDOS DE PROJETO. Primeiramente, tal resultado ainda encontra-se em prazo de Recurso Administrativo (5 dias), após tal prazo, não havendo recursos, as empresas deverão formalizar o Contrato (dentro de 15 dias), onde, segundo o Edital, terão 6 (seis) meses pra realização dos projetos. Ou seja, Edital pra construção, somente depois de Novembro, claro, se tudo ocorrer absolutamente dentro dos prazos estabelecidos (o que, não é muito comum no Brasil – vide Gasene).
Assim, acaso seja verdade que Lula, Dilma e Wagner estarão, em grande estilo, lançando o início da obra da Ferrovia, ou o Edital pra início da Construção ou qualquer coisa do gênero, é possível afirmar tratar-se de uma inverdade. Basta consultar o Diário Oficial.
Enquanto isso, a população da Região que já caiu em outras dessas (vide “Pac do Cacau”), fica a pensar: Por que acreditar, há seis meses das Eleições, que Wagner vá trazer alguma obra importante pra Ilhéus?
Lamentavelmente, parece que o Governador não gosta do sul da Bahia. Ilhéus tem um caminhão de projetos solenimento arquivados no Gabinete do Governador. Não nos falta projeto, falta EXECUÇÃO, torná-los real.
Subir no palanque e prometer é fácil (vide novo aeroporto, duplicação, fábrica de avião e etc), o problema, Sr. Wagner, é descer do palanque e cumprir. Volte aqui quando tiver algo pra inaugurar, de promessas, estamos com a mala cheia.
A iminente visita a Ilhéus do Presidente Lula, junto ao Governador Wagner e outros políticos governistas de nível estadual e federal é uma excelente notícia.
Lula vem inaugurar o gasoduto, que é uma das conquistas que o Sul da Bahia obteve no decorrer do seu mandato. Há outras, sendo digna de menção o Complexo Intermodal, que pode ser a salvação da economia desta região. Não se deve negar os méritos dos governos federal e estadual nesses e em muitos outros episódios.
Eu não pertenço à imprensa, não terei acesso nem ao presidente nem ao governador. Mas estive aqui pensando que gostaria de fazer a ambos algumas perguntas. Quem sabe alguém da imprensa, e que tenha acesso, possa fazê-las por mim. Ficaria agradecido. Outras pessoas também, pois desejam ter as mesmas perguntas respondidas.
Senão vejamos.
Senhores Presidente e Governador. Os senhores se lembram que prometeram para Outubro de 2009 a data em que o aeroporto de Ilhéus voltaria a operar normalmente?
Há, no Brasil, alguns aeroportos em condições geográficas muito mais desfavoráveis, como o Santos Dumont, no Rio de Janeiro, o Goiabeiras em Vitória e o Hercílio Luz em Florianópolis. Não obstante, estes aeroportos não sofrem restrições porque possuem os instrumentos de navegação e aproximação adequados. Porque Ilhéus não merece a mesma atenção por parte da Infraero?
Os discursos a respeito do novo aeroporto são ouvidos na mídia quase que diariamente. Todavia, no plano de investimentos da Infraero não há uma só menção a respeito. Será essa mais uma promessa, como a da normalização dos vôos em outubro último?
Tomara que venha mesmo o novo aeroporto. Mas, infelizmente, serão anos até que esse equipamento esteja operando. O que será do aeroporto de Ilhéus até lá? O que será das atividades econômicas que dependem do aeroporto até lá?
Mudando de assunto. Há inúmeras promessas de uma nova ponte ligando Ilhéus ao Pontal. Se todas fossem cumpridas, não haveria mais como se ver as águas da baía, pois ela estaria totalmente coberta pelo concreto das pontes prometidas. Os senhores, porém, jamais se comprometeram com esse pleito antigo da região. Portanto, não podem ser cobrados. Mas será que é possível incluir a Ponte como parte do Complexo Intermodal, e/ou como parte do PAC do Cacau, já que sua importância está diretamente ligada aos dois empreendimentos?
Seria isso. Ficaria muito grato pela deferência dispensada.
O termo, uma redundância sarcástica, foi cunhado pelo genial Nélson Rodrigues.
É "óbvio e ululante" o argumento que alguns defendem a respeito dos problemas no aeroporto de Ilhéus e, mais recentemente, da iminente decisão das maiores empresas aéreas, Gol e TAM, que devem passar a operar em Comandatuba.
Dizer que "as empresas aéreas estão indo operar em Comandatuba porque lá é mais lucrativo do que operar no Jorge Amado" é mesmo uma constatação inegável. Vê-se logo a verossimilhança desta frase, e como ela se sustenta pelos fatos e indícios. É o que Nelson Rodrigues chamaria de "óbvio ululante". Eu mesmo já havia comentado sobre isso (leia aqui).
Mas a pergunta que ninguém, nem na ANAC, nem na Infraero, nem no Governo do Estado e nem no Governo Federal responde satisfatoriamente é a seguinte: porque não se envidam esforços a fim de tornar interessante para estas empresas a operação no aeroporto Jorge Amado?
Há soluções, que dependem de decisões administrativas - algo que passa adiante das palavras, e precisa da ação. Basta instalar os instrumentos adequados, como o VOR/DME ou o ILS. Também já tive o desprazer de comentar sobre isso em meu blog, como se pode ler aqui, aqui e aqui.
Promessas, todas vazias, algumas até maldosas, não faltaram. Eu mesmo tive a infeliz oportunidade de comentar algumas (leia aqui, aqui e aqui).
Assim, dizer que as empresas aéreas buscam maximizar o lucro, e por isso passarão a operar em Comandatuba, não isenta os gestores (ANAC, Infraero, Governo Estadual e Governo Federal) de suas responsabilidades: cabe-lhes, em respeito à população de Ilhéus e região, tornar o aeroporto Jorge Amado seguro e, com isso, economicamente viável para operação das grandes companhias. É tecnicamente possível. Mas precisa estar na lista de prioridades.
Nesse sentido sobraram promessas, incluindo aí as do Governador Wagner e do Presidente Lula. Mas inexistiram ações práticas.
O aeroporto de Ilhéus é viável, e pode plenamente operar com segurança e lucratividade pelas grandes companhias aéreas até que seja substituído pelo novo aeroporto (que, aliás, até o momento também não passa de uma promessa). Mas para isso acontecer, depende de investimento, e de decisões estratégicas por parte da Infraero.
Depende de vontade política.
E a cada dia parece mais que é exatamente aí que está o problema.
Segundo a revista especializada em turismo "BrasilTuris", a construção do novo aeroporto de Ilhéus são favas contadas. Leia aqui.
Que notícia excelente, não? Já está em fase de projeto, com orçamento de R$147 milhões!
Seria, se eu não me encontrasse com aquele meu amigo sacana, o Algo. Algo então me diz que não há licença ambiental, não há orçamento previsto em nenhuma rubrica do governo federal - nem da Infraero - e que a própria revista não cita a fonte de onde obteve a informação.
Algo me diz que não é muito salutar acreditar em notícias assim, tão rápido. Uma pequena verificação nas fontes das informações é sempre útil.
E lá, algo me diz, não se encontra nada alvissareiro a respeito do novo aeroporto de Ilhéus.
Nem do velho, tampouco.
Deve ser como A ZPE. A de Ilhéus foi a primeira a ser aprovada, que orgulho!
Mas até agora nunca saiu do papel, enquanto os ilheenses assistimos as outras começarem a se concretizar.
Interessante as notícias veiculadas de que as empresas Gol e TAM estariam transferindo parte de seus vôos para o aeroporto de Comandatuba. Leiam aqui.
O que se pode dizer a respeito?
Há quem diga que as companhias aéreas Gol e TAM tem interesse nas restrições impostas ao aeroporto Jorge Amado, e que depende apenas delas a volta à normalidade do aeroporto.
Infelizmente isso não se sustenta frente aos fatos.
Escolher espontaneamente operar em Comandatuba ao invés de Ilhéus não é obviamente a escolha mais inteligentes das companhias. Não há tantos passageiros para Comandatuba quanto para Ilhéus. As cargas precisam viajar por terra por mais quarenta quilômetros até chegar às aeronaves (ou sair delas e chegar aos seus destinos), o que encarece o preço dos fretes e aumenta o desinteresse das empresas que usam os serviços das companhias. É bobagem pensar que isso é um complô das companhias aéreas.
Ocorre que lá em Comandatuba há instrumentos, pode-se pousar à noite e com aeronaves de maior porte. Para pousar em Ilhéus durante à noite, dadas as atuais restrições do aeroporto, os custos com seguro tornariam a operação proibitiva. E é apenas esse o motivo que gera o interesse da Gol e da TAM pelo aeroporto de Comandatuba. Simples assim.
Tanto que, enquanto houve permissão para isso, elas mantiveram vôos noturno e operações com aeronaves de porte maior.
Houvessem instrumentos no aeroporto de Ilhéus para permitir tais operações, certamente as companhias prefeririam o velho Jorge Amado. Porque fica mais perto dos centros turísticos de Ilhéus e Itacaré, porque facilita o acesso por terra de cargas de frete, serviço que é contratado por empresas do Pólo de Informática, além de outras nas cidades de Itabuna, Itapetinga, Jequié e Vitória da Conquista.
Logo, a preferência das companhias seria pelo aeroporto Jorge Amado, porque facilita o acesso de cargas, e porque a quantidade de passageiros seria maior.
Mas não é possível. Ilhéus não foi contemplada pela Infraero com os instrumentos necessários. Nem pela ANAC com a conivência que se vê em outros aeroportos.
O problema do aeroporto de Ilhéus é basicamente formado por dois fatos distintos: por um lado a ANAC, com um preciosismo que, aparentemente, não se vê em outros aeroportos. Por outro, a Infraero se nega a instalar instrumentos de aproximação mais eficientes, como o VOR/DME ou o ILS (leia aqui).
No tocante à falta de investimentos por parte da Infraero, a atuação do governador do estado, que é do partido do Presidente, junto ao governo Federal, até agora não surtiu nenhum efeito prático. E de acordo com as declarações do próprio governador e do Secretário de Aviação, parece que não há mesmo força ou vontade política para resolver o problema.
A alternativa que se posa é operar em Comandatuba.
Para os empresários, custará uma hora a mais de transporte de cargas por terra. Em troca de poder usar a noite inteira para acomodar tudo nos porões das aeronaves. Porões, aliás, bem maiores, que comportam mais cargas.
Para as companhias aéreas, incluir um traslado de ônibus de Ilhéus até Comandatuba não é um custo proibitivo. Em troca do aumento do fluxo de passageiros em aeronaves que transportam mais pessoas e em horários mais convenientes.
E, evidentemente, o Hotel Transamérica, que ganha os slots das duas companhias, o que lhe valerá algum recurso financeiro, além de um aporte de hóspedes potenciais.
E a Ilhéus, já que as promessas não se realizaram, restará se conformar com o Velho Jorge Amado, operando aeronaves de pequeno porte, e apenas durante o dia. Até que venha o Novo Aeroporto.
Há uma discussão a respeito de serem de origem política ou técnica as restrições que existem ao funcionamento do aeroporto de Ilhéus.
Há os que alegam que há impedimentos técnicos que colocam em risco a segurança dos vôos, particularmente os casos de pousos e decolagens em condições adversas como chuva ou neblina intensas.
De outro lado existem os que vêem pouca vontade ou força política dos governantes para fazer a operação do Aeroporto voltar a ser como antes do fatídico acidente do AirBus A320 da TAM em 2007.
Uma análise fria dos fatos dá razão aos dois lados.
Porque, apesar de ignoradas até a ocasião do acidente da TAM, sempre houve muitas ponderações a respeito das condições de segurança na operação do Aeroporto Jorge Amado. Essas ponderações vinham sendo contornadas, ignoradas, esquecidas. Todavia, com o acidente em Congonhas, e temendo um acidente similar em outros aeroportos, a ANAC pôs em prática toda uma série crescente de restrições, até o aeroporto chegar às precárias condições em que está.
Mas por outro lado, se houvesse força e/ou vontade política, o aeroporto poderia funcionar plenamente, com a instalação de instrumentos de aproximação como o ILS ou o VOR/DME (quem quiser saber mais a respeito leia aqui).
Houvesse disposição para a instalação de tais instrumentos (na verdade provavelmente basta a instalação do VOR/DME), então o aeroporto de Ilhéus poderia funcionar plenamente, como funcionam os aeroportos de Congonhas e o Santos Dumont, no Rio de Janeiro.
Este último, inclusive, oferece pista ainda mais curta que o de Ilhéus. Mas possui os instrumentos.
Então a pergunta é: porque ninguém discute seriamente a instalação de instrumentos de aproximação e pouso para permitir a plena operação do Aeroporto Jorge Amado?
São indícios dos que defendem a tese de que falta força ou vontade política para resolver o problema.
A visita do Secretário de Aviação, Brigadeiro Godinho, trouxe a excelente notícia de que o Aeroporto Jorge Amado poderá operar vôos noturnos.
Ele explicou que “A nova carta estabelece um ponto onde a aeronave desce por instrumentos a dois mil pés de altitude, a partir dali, havendo condição visual, o piloto completa o pouso, não havendo, ele tem toda a segurança para interromper o procedimento e arremeter” (leia aqui).
Bom, eu não sou um expert em aviação. Mas parece que estão trocando Aipim por Macaxeira.
Na verdade os vôos noturnos não estão proibidos. Ocorre que a aproximação é que está comprometida, tendo que ser feita no visual.
Por isso a TRIP, por exemplo, consegue operar sem problemas. Suas aeronaves são menores, voam a velocidades menores, requerem menos pista para pouso e decolagem.
Entretanto, para as empresas que operam com aeronaves maiores, como Gol e TAM, isso é inviável, porque o seguro a ser pago para pousar ou decolar suas aeronaves à noite é muito caro.
Essas companhias só operarão no aeroporto de Ilhéus durante a noite se o pouso for, como era antes, totalmente auxiliado por instrumentos.
E, segundo a fala do Brigadeiro, aos 2000 pés (o que dá uns 600 metros de altura) não se pode mais usar instrumentos. Ou o piloto tem vista da pista ou terá que arremeter.
Na prática já era isso o que acontecia. E foi isso o que afugentou os preciosos vôos noturnos das companhias aéreas Gol e TAM do aeroporto de Ilhéus.
Ou seja, o que o Brigadeiro disse, embora usando outras palavras, foi que o aeroporto poderá operar à noite - como sempre pôde - mas continuará sofrendo restrições, o que continuará inviabilizando as operações noturnas das companhias Gol e TAM.
Sintomaticamente, talvez Freud explique, ele ainda sugere "buscar novas linhas com a Azul e a Trip". Justamente companhias que operam com aeronaves menores e que podem se sujeitar às restrições a que o aeroporto Jorge Amado continua submetido.
Talvez um Ato Falho. O Brigadeiro sabe, embora tenha dito de modo enviesado: não haverão aeronaves de grande porte pousando no aeroporto de Ilhéus à noite. Continua tudo como dantes no quartel de Abrantes.
E os problemas do Pólo de Informática, do Turismo e das empresas que utilizam os serviços aeroportuários permanecerão como estão.
Amanhã virá a Ilhéus um mutirão de funcionários do Ministério da Defesa, entre os quais o Brigadeiro Jorge Godinho, da Secretaria de Aviação Civil (leia aqui).
Vão todos se reunir com o prefeito, e um dos assuntos da Pauta é a velha novela do Aeroporto Jorge Amado.
Algo, aquele meu amigo que sempre me diz coisas inconvenientes, já sussurrou no meu ouvido.
Algo me diz que, se fossem boas notícias a serem dadas, viria o Governador, o Presidente, o Ministro, e uma enorme comitiva.
"Quando mandam apenas a turma menos patenteada", diz-me Algo, "é porque a notícia é ruim. Pois a imagem do Governador ou do Presidente precisa estar nas manchetes positivas dos jornais, e não no obituário".
É verdade que o sacana do Algo já errou no passado. É raro, mas acontece.
Eu tenho lá minhas dúvidas se existe de fato disposição política para se construir o Complexo Intermodal. Pelo que pude comprovar (leia aqui) não há nada de concreto ainda, sequer no papel. Só promessas.
Mas como sonhar não custa nada, eu tenho uma sugestão para o que fazer com a área do velho aeroporto, assim que o novo for de fato construído.
Fala-se de um Shopping Center. Fala-se de um Condomínio de Luxo. Fala-se de um grande Centro Empresarial, para as empresas que se instalarão em Ilhéus, com atividades voltadas para o Complexo.
Eu não descarto nenhuma dessas opções. Mas gostaria muito que o município de Ilhéus cuidasse mais de seus cidadãos.
Porque uma parte daquele enorme terreno, e nem precisa ser a parte mais nobre, de frente para o mar, não pode ser oferecida para usufruto dos próprios moradores de Ilhéus?
Eu tomei a liberdade de copiar uma área pública conhecida como “Parque da Criança”, que fica minha querida Campina Grande/Paraíba. É um espaço mantido pela prefeitura para que as pessoas possam fazer caminhadas, levar as crianças a se divertirem, fazer exercícios, praticar esportes. Espaço amplo, bem cuidado, totalmente cercado e protegido, além de devidamente vigiado.
A imagem abaixo (perdoem minha pouca habilidade em fazer montagens) mostra alguns detalhes de como poderia ser, por sugestão, o “Parque Jorge Amado”, que ofereceria às pessoas de Ilhéus, bem como seus visitantes, um espaço agradável de saúde e lazer. Se quiserem ver a imagem ampliada, cliquem sobre ela. O Parque contaria com pista de caminhada, ciclovia, parques infantis, pista de skate, quadras de esportes, campo de futebol e toda uma infra-estrutura de apoio.
E usaria menos de um quarto da área total do Aeroporto, como se pode ver na figura seguinte. Ainda restaria lugar para os empreendimentos privados (Shopping, Condomínios, etc.) que podem ser acomodados com folga na área “nobre” (de frente para o mar).
A Cidade de Ilhéus é uma cidade Turística. Mas precisa acrescentar ao seu modelo turístico um tipo sutil e inteligente de turismo, que não precisa dos meses de verão para existir, tampouco sofre com problemas de infra-estrutura portuária ou aeroportuária: o turismo Interno. O Ilheense precisa ser convidado a desfrutar de sua própria cidade.
Não basta tratar bem os turistas. Ilhéus precisa ser boa para seus filhos também.
Há uma discussão interessante a respeito de o que exatamente mantém o aeroporto de Ilhéus sem operar plenamente, usando toda a sua capacidade. Há os que põem a culpa na ANAC e no Governo. Há os que põem a culpa nas Companhias Aéreas.
Na verdade os fatos apontam um pouco de razão nas duas linhas de pensar.
A restrição inicial ao aeroporto de Ilhéus foi para pousos de aeronaves do porte do AirBus A320, da TAM. Com isso a empresa passou a operar com os A319, e isso foi o primeiro dos problemas. O A319 trazia menos espaço para carga – fato que prejudica diretamente as empresas do Pólo de Informática – além de transportar menos passageiros – fato que afeta o Turismo e os Negócios. Além disso, como o A319 é operado na Ponte Aérea Rio-São Paulo, a empresa optou por diminuir a quantidade diária de vôos para a cidade de Ilhéus. É mais lucrativo manter os A319 ente Congonhas e Santos Dumont do que mandá-los ao Jorge Amado.
Portanto, nesse ponto há alguma razão em se dizer que os interesses das empresas afetaram as operações do aeroporto.
Mas é importante observar que tanto a Gol quanto a TAM mantinham, cada uma, uma aeronave estacionada no aeroporto de Ilhéus durante o período noturno. Os aviões pousavam durante a noite e permaneciam em manutenção até que, no final da madrugada, decolavam novamente.
Essa opção das duas empresas foi decidida estrategicamente. Porque elas têm interesse em transportar o máximo de equipamento e material das empresas do Pólo. Gol e TAM operaram dessa forma até que as operações noturnas foram suspensas pela decisão da ANAC de restringir os vôos por instrumentos – e por conseqüência os vôos noturnos – do aeroporto Jorge Amado.
Com isso tanto da Gol quanto da TAM foram demitidos dezenas de funcionários – principalmente aqueles que trabalhavam nas madrugadas.
Além disso, era no decorrer dessas horas que os porões das aeronaves eram convenientemente carregados com os equipamentos do Pólo, já que essa operação demanda algumas horas e não é simples de ser feita durante os vôos diários, cuja escala é de poucos minutos.
Logo, a restrição de vôos noturnos foi mais um duríssimo golpe contra o Pólo de Informática de Ilhéus e, portanto, contra toda a economia do Sul da Bahia.
É importante observar que as empresas aéreas mantiveram a decisão de manter seus aviões estacionados em Ilhéus durante a madrugada, gerando empregos e facilitando a logística do Pólo, até que a ANAC as proibiu de fazê-lo. Logo, as empresas tinham, sim, interesse em operar os vôos naqueles horários. É insustentável creditar apenas às empresas aéreas a responabilidade pelas decisões que tornam cada vez mais precárias as condições de operação do aeroporto. A volta das operações noturnas traria de volta os vôos "corujões", geraria mais empregos e reduziria os custos de logística das empresas do Pólo.
Bem medido, bem pesado, temos que a palavra empenhada e não cumprida do Governador e do Presidente de que o aeroporto voltaria a operar em Outubro foi, sim, mais um golpe contra a economia da cidade e da região.
É o que dizem os fatos. Os argumentos precisam se submeter a eles.
"O aeroporto voltará a operar vôos noturnos em Outubro!"
Eu gostaria de entender o que está acontecendo por trás do impedimento da normalização do aeroporto de Ilhéus.
Uma garantia dada pessoalmente pelo presidente Lula e pelo governador Jacques Wagner pareceu que poria um ponto final nessa enorme novela. Afinal, ambos garantiram que, em Outubro "se desataria o nó do Aeroporto de Ilhéus".
Na época pareceu-me estranho que em apenas uma reunião se pudesse decidir isso. Pois se era tão fácil, porque essa reunião não havia acontecido antes?
Mas, assim como todos, confiei que o Presidente da República e o Governador do Estado não empenhariam suas palavras em vão.
É razoável supor que ambos confiavam nisso quando afirmaram que o Aeroporto voltaria a operar normalmente em Outubro. O desgaste político da palavra não cumprida é muito grande e, particularmente no caso do governador, pode ser decisivo, já que as pesquisas de intenção de voto o colocam em situação delicada. Logo, não há como crer que eles tenham garantido levianamente que o Aeroporto operaria normalmente a partir do mês de Outubro.
O que leva à conclusão de que alguma coisa aconteceu durante o período entre a data em que ouviu-se a garantia do Governador e do Presidente e o mês previsto por eles.
Ou então alguma coisa já estava acontecendo antes, a despeito do conhecimento e da vontade dos líderes do executivo Federal e Estadual.
De toda forma, como diria o personagem Shakespeariano, "há algo de podre do Reino da Dinamarca".
Não é fácil explicar as infinitas exigências da ANAC para liberar o Aeroporto. Não é fácil explicar que, mesmo depois de cumpridas todas (o que provavelmente parecia impossível) a ANAC insista em não liberar o Aeroporto. Não é fácil explicar que uma simples reunião pudesse resolver todos os empecilhos postos e repostos pela ANAC. Não é fácil explicar que o Presidente e o Governador empenhem suas palavras em vão.
Não é fácil explicar a passividade de toda uma região frente a todas essas seguidas demonstrações de falta de respeito e consideração por parte dos mais diversos níveis administrativos.
As recentes gritarias virtuais que se viu em Ilhéus a respeito do Pólo de Informática (leia aqui) e do aeroporto (leia aqui) parecem ter surtido algum efeito. Pois eis que o Governador do Estado aceitou receber os representantes do Pólo para discutirem alternativas (leia aqui) bem como procurou o presidente Lula para encontrar soluções para o aeroporto (leia aqui).
É a confirmação do velho ditado: quem não chora não mama. Não adianta esperar que os governantes tenham a iniciativa pela comunidade. Governos só funcionam sob pressão. Os pensadores franceses Rousseau e Montesquieu provavelmente sabiam disso quando propuseram os patamares onde se sustenta a maior parte das democracias modernas.
Mas a comunidade de Ilhéus não se deve considerar saciada. Pelo contrário. O que se ouviu até agora foi algo como “está bem, vou preparar sua mamadeira”. Mas ainda não se provou uma gota do leite pelo qual tanto se chora.
Basta observar com atenção: por um lado “o presidente Lula garantiu que vai desatar o nó do aeroporto”, mas não falou em datas, não disse como. Ouvem-se as mesmas garantias que já se tem ouvido desde 2007. O presidente confirmou apenas que convocaria uma reunião com as companhias aéreas. Nada foi dito sobre a instalação de novos instrumentos, que talvez pudessem resolver o problema, pelo menos provisoriamente. Não. Desse leite ninguém ainda provou.
Por outro lado, o governador Wagner acenou com um pacote de investimentos para o Pólo de Informática, com linhas de crédito para algumas empresas e melhorias na infra-estrutura. Mas os empresários, na pessoa do Sr. Gentil Pires, alegam que não é suficiente, e apresentaram uma contraproposta ao governo do estado. Não há respostas ainda. Mais uma mamadeira que ainda não está oferecida.
A importância do aeroporto e do Pólo de Informática para Ilhéus transcende o conceito de estratégico. É simplesmente vital. Com o aeroporto operando sob as intensas restrições impostas pela ANAC, toda a estrutura turística (do bom turismo, que engrandece ao invés de parasitar a cidade) está, a cada dia mais, se tornando inviável. As operações industriais, não só em Ilhéus, mas em toda a região, foram fortemente afetadas. O próprio Pólo de Informática sofreu perdas, pois as operações de carga e descarga de equipamento eram feitas durante as horas das madrugadas em que as aeronaves permaneciam no aeroporto. Agora, precisam ser feitas nos minutos de duração de uma escala, o que inviabiliza o embarque de muitos tipos de equipamento.
E o Pólo de informática representa mais da metade da arrecadação de ICMS da prefeitura de Ilhéus. Um quinhão particularmente representativo, sem o qual as finanças do município provavelmente não sobrevivem. Além disso, garante algumas centenas de empregos, o que definitivamente não pode ser desprezado.
Finalmente, caso os problemas imediatos – aeroporto e Pólo de Informática – sejam superados, é preciso que se chore também pelo projeto que pode representar um efetivo avanço econômico e social para a região: o Complexo Intermodal. O governador e o presidente reforçaram a importância estratégica do projeto – o que já é uma obviedade para quase todas as pessoas – mas não se apresenta detalhes como cronograma, valores, projetos de engenharia, etc.
Quem não chora não mama. Prometeram preparar a mamadeira, mas ela ainda não chegou. A fome é maior a cada minuto.