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sábado, 22 de janeiro de 2011

Duas brasileiras entre as companhias áereas mais inseguras

Do Blog do Nassif (aqui)

O primeiro acidente da TAM, assim como o da Gol, foi uma tragédia. O segundo acidente da TAM foi criminoso. Era um avião com problemas técnicos, que deveria estar parado para manutenção. Mesmo assim foi de Porto Alegre para São Paulo com tanque cheio (para economizar ICMS), completamente lotado de passageiros, caracterizando sobrepeso (conforme post colocado na época por um especialista). Mesmo assim pousou em Congonhas, com sua pista curta, em um dia de chuva.

Em país sério, dava inquérito em cima da companhia e das autoridades aeronáuticas.



Por Nonato Amorim

Empresas brasileiras são as últimas em ranking mundial de segurança aérea. Lista é feita por um órgão conceituado no setor, cuja sede é em Hamburgo, na Alemanha. A TAM é a última da lista, que classifica as 60 maiores empresas aéreas do mundo conforme sua retrospectiva nos últimos 30 anos.

Em 2010, morreram mais pessoas em acidentes aéreos do que no ano anterior: foram 829 mortes contra as 766 registradas em 2009. No entanto, nenhum desses casos envolveu alguma das 60 maiores companhias aéreas do mundo.

Todos os anos, os dados são compilados e publicados pelo Jet Airliner Crash Data Evaluation Center, Jacdec, órgão com base em Hamburgo, Alemanha, que reúne informações relacionadas à segurança do setor. O ranking, obtido pela Deutsche Welle, considera o número de passageiros transportados por quilômetro, analisa os últimos 30 anos da aviação civil.

De baixo para cima

A brasileira TAM aparece em último lugar da lista, o mesmo posto de 2009. Segundo o registro da Jacdec, a empresa já registrou seis acidentes desde a sua criação, em 1980, que custaram a vida de 336 passageiros.

Questionada pela Deutsche Welle sobre a má posição no ranking, a TAM ressaltou sua preocupação em seguir os altos padrões de segurança do mundo, "atendendo rigorosamente os regulamentos das autoridades brasileiras e internacionais".

Além disso, lembrou que em janeiro de 2010 a TAM renovou a certificação IOSA (IATA Operational Safety Audit), que é o sistema independente de avaliação "mais completo e aceito internacionalmente em segurança operacional", destinado a avaliar os sistemas de gestão e controles operacionais de companhias aéreas.

Outra companhia aérea do Brasil entre os últimos colocados é a Gol, fundada em 2001. Em 2009, a empresa era a penúltima colocada, e na edição atual subiu uma posição, trocando de lugar com a China Airlines. Também a Saudi Arabian e a Garuda Indonesia estão classificadas entre as cinco últimas.

Feito notável

O destaque do ranking de 2010 vai para sete companhias que nos últimos 30 anos não registraram acidentes graves, que tenham envolvido a perda de aeronaves ou mortes. Entre elas estão a alemã Air Berlin, fundada em 1979, a finlandesa Finnair, de 1923, e a portuguesa TAP, de 1946.

A australiana Qantas, a Air New Zealand, a Cathay Pacific (Hong Kong) e a japonesa All Nipon também compõem o seleto grupo. O incidente registrado em 2010 com o Airbus A380 da Qantas, no entanto, não tirou pontos da empresa porque o avião não sofreu perda total. Na ocasião, aeronave teve que fazer um pouso forçado em Cingapura depois da explosão, em pleno voo, de uma de suas turbinas.

A gigante Emirates obteve também a nota máxima no ranking da Jacdec, ficando em 9º. No entanto, a companhia dos Emirados Árabes ainda não completou 30 anos – foi fundada em 1985.

A Lufthansa, maior empresa alemã do setor e segunda maior do mundo em números de passageiros transportados por quilômetro (atrás da Emirates) caiu uma posição, para o 21º lugar. O último acidente aéreo da Lufthansa foi em 1993, com um A320 em Varsóvia, devido ao mau tempo, com duas mortes.

Mudanças no ranking

Esta é a primeira vez que a Air New Zealand, fundada em 1940, figura entre as primeiras da lista (3ª). O acidente mais grave da companhia, registrado há mais de 30 anos, não é mais considerado na avaliação. Em novembro de 1979, um DC-10 colidiu na Antártica e causou a morte de 257 pessoas.

Entre as grandes companhias europeias, a British Airways está em 20º lugar, a holandesa KLM aparece em 23º, a Swiss é 29ª, a Alitália está em 37º, a Air France, em 41º, a Iberia, em 47º, e a Scandinavian Airlines, em 48º.

Autora: Nádia Pontes
Revisão: Roselaine Wandscheer

domingo, 1 de novembro de 2009

Fatos: ANAC, Empresas Aéreas e Palavra Empenhada

Há uma discussão interessante a respeito de o que exatamente mantém o aeroporto de Ilhéus sem operar plenamente, usando toda a sua capacidade. Há os que põem a culpa na ANAC e no Governo. Há os que põem a culpa nas Companhias Aéreas.

Na verdade os fatos apontam um pouco de razão nas duas linhas de pensar.

A restrição inicial ao aeroporto de Ilhéus foi para pousos de aeronaves do porte do AirBus A320, da TAM. Com isso a empresa passou a operar com os A319, e isso foi o primeiro dos problemas. O A319 trazia menos espaço para carga – fato que prejudica diretamente as empresas do Pólo de Informática – além de transportar menos passageiros – fato que afeta o Turismo e os Negócios. Além disso, como o A319 é operado na Ponte Aérea Rio-São Paulo, a empresa optou por diminuir a quantidade diária de vôos para a cidade de Ilhéus. É mais lucrativo manter os A319 ente Congonhas e Santos Dumont do que mandá-los ao Jorge Amado.

Portanto, nesse ponto há alguma razão em se dizer que os interesses das empresas afetaram as operações do aeroporto.

Mas é importante observar que tanto a Gol quanto a TAM mantinham, cada uma, uma aeronave estacionada no aeroporto de Ilhéus durante o período noturno. Os aviões pousavam durante a noite e permaneciam em manutenção até que, no final da madrugada, decolavam novamente.

Essa opção das duas empresas foi decidida estrategicamente. Porque elas têm interesse em transportar o máximo de equipamento e material das empresas do Pólo. Gol e TAM operaram dessa forma até que as operações noturnas foram suspensas pela decisão da ANAC de restringir os vôos por instrumentos – e por conseqüência os vôos noturnos – do aeroporto Jorge Amado.

Com isso tanto da Gol quanto da TAM foram demitidos dezenas de funcionários – principalmente aqueles que trabalhavam nas madrugadas.

Além disso, era no decorrer dessas horas que os porões das aeronaves eram convenientemente carregados com os equipamentos do Pólo, já que essa operação demanda algumas horas e não é simples de ser feita durante os vôos diários, cuja escala é de poucos minutos.

Logo, a restrição de vôos noturnos foi mais um duríssimo golpe contra o Pólo de Informática de Ilhéus e, portanto, contra toda a economia do Sul da Bahia.

É importante observar que as empresas aéreas mantiveram a decisão de manter seus aviões estacionados em Ilhéus durante a madrugada, gerando empregos e facilitando a logística do Pólo, até que a ANAC as proibiu de fazê-lo. Logo, as empresas tinham, sim, interesse em operar os vôos naqueles horários. É insustentável creditar apenas às empresas aéreas a responabilidade pelas decisões que tornam cada vez mais precárias as condições de operação do aeroporto. A volta das operações noturnas traria de volta os vôos "corujões", geraria mais empregos e reduziria os custos de logística das empresas do Pólo.

Bem medido, bem pesado, temos que a palavra empenhada e não cumprida do Governador e do Presidente de que o aeroporto voltaria a operar em Outubro foi, sim, mais um golpe contra a economia da cidade e da região.

É o que dizem os fatos. Os argumentos precisam se submeter a eles.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

O Acidente do vôo JJ3054 da TAM

Eu nunca postei nada sobre isso antes. Porque não tinha nada a dizer. Mas sou um grande aficcionado por aviação, e os acidentes sempre me impressionam e me entristecem muito.

Naquele caso do vôo 3054 da TAM, uma das coisas que me chamaram à atenção foi a velocidade de muitos setores da grande imprensa em culpar o Governo Federal e o "Caos Aéreo" pelo acidente. Um movimento que ultrapassa os limites da ética. Mas que não é incomum na imprensa brasileira.

Enrtetanto, as causas do acidente sempre me interessaram. Pelo mesmo motivo que à ANAC, às companhias aéreas e ao CENIPA: entender e garantir que tais falhas jamais ocorram novamente.

E somos brindados com essa matéria de "O Globo". Eles ainda estão tentando encontrar um culpado. Porque é tão difícil de entender que ninguém queria que aquilo ocorresse? Que ninguém se beneficiou com aquilo?

De O GLOBO
CENIPA: FALHA HUMANA CAUSOU ACIDENTE DA TAM
Relatório afirma que piloto, preocupado com pista molhada de Congonhas, errou a posição de manete; 119 morreram

De Tahiane Stochero:

Uma falha do piloto provocada pela pressão de ter que pousar em uma pista em condições inadequadas é uma das principais causas apontadas pelo relatório do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) para explicar o acidente com o Airbus da TAM no Aeroporto de Congonhas, em 17 de julho de 2007. Na ocasião, morreram 199 pessoas, entre passageiros do voo e pessoas que estavam em um prédio atingido pelo avião.

O relatório, que o “Diário de S.Paulo” publica hoje, aponta ao menos oito fatores que contribuíram para que o piloto cometesse o erro de manter uma das manetes (alavanca que controla a potência do motor) na posição de “climb” (aceleração) durante o pouso. A transcrição das caixas-pretas comprova que só a manete esquerda foi colocada na posição certa, de “reverse” (freio).

A investigação entende que a pista de Congonhas, que estava sem grooving (ranhuras) e “molhada e escorregadia” na hora do pouso, preocuparam o piloto. Nas conversas na cabine, o comandante Kleyber Lima relembra três vezes nos cinco minutos que antecedem o acidente que o reverso (freio aerodinâmico) direito estava inoperante. A pressão para parar o jato em circunstâncias adversas, agravadas por problemas psicológicos, fisiológicos e falhas na preparação, induziram o piloto ao erro, concluiu o Cenipa.

Comentário (do Blog do Nassif - leia aqui)

"
A falha pode ter sido do piloto. A culpa, não.

Se um motorista passa em um buraco na rua deixado pela companhia de gás, o erro foi dele, por não ter visto o buraco, ou da companhia, por ter deixado o buraco por lá?

Os pílotos da TAM “erraram” tendo que conviver com as seguintes circunstâncias:

1. FIm da Varig e disputa insana pelo seu espólio de passageiros.

2. Aviões da TAM recebendo manutenção nos intervalos dos pousos em aeroportos, para não perder uma migalha de oportunidade de ampliar seu share no mercado.

3. Justamente por isso, permissão para o avião voar sem o reverso.

4. Mais que isso: sem o reverso, com o avião com lotação máxima de passageiros e com tanques cheios, para lucrar com o ICMS menor do Rio Grande do Sul, deixando a nave extremamente pesada.

5. Mais que isso: em noite de chuva.

6. Mais que isso: em pista curta e recentemente recapeada.

O crime está em ter se permitido esse acúmulo de problemas. A falha foi dos pilotos. A culpa foi da TAM e da ANAC. "

Perfeito. Faço minhas as palavras do Nassif.