Eis que a COELBA aparece a dar explicações a respeito da qualidade do serviço de fornecimento de energia elétrica que presta à cidade de Ilhéus. Finalmente! Leia aqui e aqui para ver que a COELBA se explicou à câmara de vereadores, à prefeitura e, indiretamente, a uma série de representantes da sociedade organizada da cidade.
Mas é pouco. Muito pouco mesmo quando se vê que o serviço de péssima qualidade que a empresa presta na cidade vem afetando praticamente a totalidade das pessoas do município. UESC e Universidades Particulares, CEPLAC, Escolas públicas e particulares, comércio, indústria, hotelaria, restaurantes, residências. É indistinguível o grupo de cidadãos que vem sendo prejudicados pelas mazelas no fornecimento de energia prestado pela COELBA.
Que não se acuse, portanto, a empresa de ser sectária ou preconceituosa. Isso seria uma injustiça. A COELBA presta um serviço com qualidade abaixo do mínimo a todos os segmentos da cidade. Ilhéus como um todo, indistintamente, recebe o mesmo péssimo serviço de fornecimento de energia elétrica.
Dessa forma, acho que não cabe mais à empresa estar dando explicações a grupos específicos. A empresa precisa ser interpelada por todos os segmentos da cidade indistintamente. Porque a péssima qualidade é disseminada por todos. Porque os prejuízos são acumulados por todos. Assim, a empresa deve satisfações e compensações a todos.
O caminho mais adequado, então, deve ser uma ação civil pública. O Ministério Público precisa convocar a COELBA a se explicar e a indenizar a população de Ilhéus pela péssima qualidade do serviço prestado. Juntamente à COELBA, também devem ser chamadas às falas a AGERBA e a ANEEL, que são, afinal, responsáveis pela fiscalização, sanção e garantia da qualidade prestada pelos serviços da concessionária.
O sistema de concessão de serviços públicos, como o caso do fornecimento de energia elétrica, se suporta muito numa estrutura regulatória atuante e eficaz. Porque empresas visam unicamente o lucro e, num ambiente sem concorrência, só atuarão satisfatoriamente se estiverem sob pressão.
Assim, sejamos céticos ao ouvir que a COELBA está “sempre a seu lado”.
Quem está lado a lado são os cidadãos, indistintamente prejudicados pela qualidade do serviço.
Notícias e Reflexões sobre Ilhéus, Automobilismo, Computação e o que mais for de noticiar ou de refletir
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domingo, 30 de agosto de 2009
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Dez Estrofes
Bálsamo
Para todo herói que já siga cansado
Apesar de vencendo seguidas batalhas
Resta então o mais doce veneno guardado
Ostentado em segredo, pedrinha canalha
Xisto tão caro, alimento da alma
Enterra bem fundo as dores do amor
Talvez seja esse seu grande segredo
Invencível e quimicamente sem dor
Não vacila ó guerreiro, não há o que temer
Afinal guerrear é somente vencer
Para todo herói que já siga cansado
Apesar de vencendo seguidas batalhas
Resta então o mais doce veneno guardado
Ostentado em segredo, pedrinha canalha
Xisto tão caro, alimento da alma
Enterra bem fundo as dores do amor
Talvez seja esse seu grande segredo
Invencível e quimicamente sem dor
Não vacila ó guerreiro, não há o que temer
Afinal guerrear é somente vencer
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Mais sobre o "Caso Lina"
Já expliquei os motivos pelos quais eu considero inválida a afirmação da Ex-secretária Lina Vieira, afirmando que ela se encontrou com a Ministra Dilma Rousseff para ser pressionada.
Leia aqui.
E agora há novos indícios que explicariam, não só a motivação da ex-secretária, como o que de fato aconteceu. Ouçam essa entrevista, numa emissora da Rede Globo, em que três convidados desmentem categoricamente as alegações da Secretária e esclarecem, entre outras coisas, que:
a) A Sra. Lina Vieira foi demitida por incompetência - não conseguiu, com sua equipe, preparar o planejamento da arrecadação para 2009. Com isso a arrecadação da Receita caiu em 2009, num percentual muito maior do que a redução do PIB nacional.
b) A Sra. Lina Vieira, sim, politizou a receita, pois nomeou para sua equipe uma série de pessoas que são ligadas a ela e ao sindicato que ela compõe, cuja qualidade técnica é contestável.
c) O famoso "pedido de demissão coletiva" dos antigos superintendentes foi apenas uma antecipação para demissões que ocorreriam. Todos pelo mesmo motivo da Sra. Lina: incompetência.
d) Cabe ao ministro da fazenda escolher o secretário da Receita. Isso é atribuição constitucional, não ingerência política.
e) A alegação de que, na gestão da Sra. Lina Vieira, houve um aumento na arrecadação dos grandes contribuintes é falsa, como mostra o ex-secretário da receita (do tempo de FHC), Sr. Everardo Maciel.
f) Everardo Maciel esclare também que a mudança do regime de caixa da Petrobrás não tem nada de irregular, é uma regra criada em 1999 para que as empresas possam enfrentar problemas de desvalorização do Real, e que trata-se de um boato que foi criado para justificar a queda da arrecadação na gestão Lina. Naturalmente, explica o ex-secretário, a queda tem muitos outros fatores que a explicam, entre os quais a crise. Mas a competência da ex-secretária deixou a desejar.
g) Esclarecem também os entrevistados que a Sra. Lina Vieira teria cometido prevaricação, caso a reunião tivesse ocorrido e ela não denunciasse imediatamente.
Assistam o vídeo e entendam.
Mas não considerem o que Mônica Waldvogel diz no início: há uma clara distorção do real conteúdo da entrevista.
Leia aqui.
E agora há novos indícios que explicariam, não só a motivação da ex-secretária, como o que de fato aconteceu. Ouçam essa entrevista, numa emissora da Rede Globo, em que três convidados desmentem categoricamente as alegações da Secretária e esclarecem, entre outras coisas, que:
a) A Sra. Lina Vieira foi demitida por incompetência - não conseguiu, com sua equipe, preparar o planejamento da arrecadação para 2009. Com isso a arrecadação da Receita caiu em 2009, num percentual muito maior do que a redução do PIB nacional.
b) A Sra. Lina Vieira, sim, politizou a receita, pois nomeou para sua equipe uma série de pessoas que são ligadas a ela e ao sindicato que ela compõe, cuja qualidade técnica é contestável.
c) O famoso "pedido de demissão coletiva" dos antigos superintendentes foi apenas uma antecipação para demissões que ocorreriam. Todos pelo mesmo motivo da Sra. Lina: incompetência.
d) Cabe ao ministro da fazenda escolher o secretário da Receita. Isso é atribuição constitucional, não ingerência política.
e) A alegação de que, na gestão da Sra. Lina Vieira, houve um aumento na arrecadação dos grandes contribuintes é falsa, como mostra o ex-secretário da receita (do tempo de FHC), Sr. Everardo Maciel.
f) Everardo Maciel esclare também que a mudança do regime de caixa da Petrobrás não tem nada de irregular, é uma regra criada em 1999 para que as empresas possam enfrentar problemas de desvalorização do Real, e que trata-se de um boato que foi criado para justificar a queda da arrecadação na gestão Lina. Naturalmente, explica o ex-secretário, a queda tem muitos outros fatores que a explicam, entre os quais a crise. Mas a competência da ex-secretária deixou a desejar.
g) Esclarecem também os entrevistados que a Sra. Lina Vieira teria cometido prevaricação, caso a reunião tivesse ocorrido e ela não denunciasse imediatamente.
Assistam o vídeo e entendam.
Mas não considerem o que Mônica Waldvogel diz no início: há uma clara distorção do real conteúdo da entrevista.
terça-feira, 25 de agosto de 2009
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Soneto
Lição
Se há um dia que é feito de erro
Também havia de haver o de acertar
Mas acerto que possa reparar
O que esteja torto, sem conserto
Se há um tempo que se fez errado
Que seja então, o Tempo, consertado
Erro passado que insiste, até o presente
Pois o Tempo não mata o erro, persistente
Não te atreves pois, a apostar e errar!
Porque a vida segue, como um rio zangado
E a água só vai, sem voz e sem pecado
Se tens desejo de água limpa e boa
Te lembra disso, toda vida, e sempre
O Rio não se arrepende. A água não perdoa.
Se há um dia que é feito de erro
Também havia de haver o de acertar
Mas acerto que possa reparar
O que esteja torto, sem conserto
Se há um tempo que se fez errado
Que seja então, o Tempo, consertado
Erro passado que insiste, até o presente
Pois o Tempo não mata o erro, persistente
Não te atreves pois, a apostar e errar!
Porque a vida segue, como um rio zangado
E a água só vai, sem voz e sem pecado
Se tens desejo de água limpa e boa
Te lembra disso, toda vida, e sempre
O Rio não se arrepende. A água não perdoa.
Álvaro Vinícius de Souza Coêlho
domingo, 23 de agosto de 2009
E Deu Rubinho!

Não é que meu palpite estava equivocado? Eu apostei na ordem Hamilton, Barrichello e Kovalainen.
E realmente temia que Barrichello fizesse menos do que eu esperava. Mas foram os dois pilotos da Mclarem que conseguiram resultados aqüém do previsto: Lewis ficou em segundo e Heikki em quarto.
Rubens venceu, e fez uma bela corrida, tendo merecido a vitória. Mesmo beneficiado pelo erro da Mclarem nos boxes, a verdade é que Rubens provavelmente venceria a corrida independente desses erros.
A conta é muito simples: Hamilton ficou nos boxes por 6 segundos a mais do que seria normal numa parada. E Rubens, ao voltar de sua parada, estava quase 7 segundos à frente do piloto Inglês.
Mas independente da matemática e dos erros, vale uma menção: foi a centésima vitória de pilotos brasileiros na Fórmula 1. E ela acontece quase 5 anos depois da última vitória desse Rubens "Fênix" Barrichello.
sábado, 22 de agosto de 2009
Pitaquinhos F1: GP da Europa
Amanhã será disputado o GP da Europa de Fórmula 1, direto de Valencia - Espanha, circuito que fica nas ruas de uma marina. A partir dos treinos classificatórios algumas coisas se tornaram evidentes.

1. Luca Badoer não sabe exatamente o que está fazendo ali. E o pior: não sabe como fazer. O seu desempenho foi aquém que todas as expectativas.
Não adianta usar a desculpa de falta de conhecimento do carro porque Jaime Alguersuari e Romain Grosjean também não conheciam os seus respectivos equipamentos (Alguersuari estreou na Hungria) e tiveram desempenho muito superior ao de Badoer. Com certeza falta ritmo de corrida ao italiano, ao contrário de Romain e Jaime que estavam disputando corridas nos últimos meses.
Mas ainda assim é injustificável uma Ferrari ficar, em último lugar, a 1,5 segundos de uma Toro Rosso. Talvez Luca nem devesse disputar o GP. Pode se tornar uma ameaça ambulante aos demais.
2. Romain Grosjean andou muito bem. Tanto que, inclusive, colocou um indício a mais nas suspeitas (suspeitas ou convicções?) a respeito da capacidade de Nélson Piquet (o júnior) pois, apesar de nunca ter guiado consistentemente esse carro da Renault, mostrou desempenho relativamente próximo ao de Fernando Alonso.
Claro que Grosjean não vai andar na frente de Alonso. Até porque o espanhol é o primeiro piloto, e recebe as atenções principais da equipe. Alonso é, também, o melhor piloto do mundo na atualidade. Ocorre, porém, que nas mesmas condições que Piquet, e com muito menos tempo para conhecer o equipamento, Romain já andou mais perto de Alonso do que Nelsinho normalmente conseguia fazer, durante mais de um ano e meio de tentativas.
3. Foi engraçado ver Felipe Massa acertar o pole position sem estar em contato direto com o ambiente, palpitando do Brasil. Evidentemente Felipe possui conhecimentos privilegiados. Mas com certeza ele teve sorte.
4. Para a corrida de amanhã eu aposto em Lewis Hamilton. Porque Heikki Kovalainen não vai incomodar, que ele não é louco. Rubens Barrichello, estando quase 10 quilos mais pesado, poderá parar algumas voltas depois de Lewis. Mas o inglês é rápido e, com seu colega de equipe como escudeiro, deverá conseguir uma vantagem suficiente para não perder a posição. Não há a mínima esperança para Rubens de ganhar alguma posição dos Mclarem na largada porque os dois carros possuem o sistema KERS, permitindo-os partir como foguetes. Rubens sairá em terceiro, e terá que comboiar os dois carros prateados. Isso se os seus pneus não se deteriorarem - coisa que vem acontecendo frequentemente com o carro da Brawn quando a equipe opta por mandá-lo à pista com muito peso.
5. Espera-se boas corridas dos dois pilotos da Red Bull, principalmente Sebastien Vettel. Mark Webber está com muito peso, depende de um pouco de sorte para sua estratégia funcionar. Além desses, Niko Rosberg e Nick Heidfeld, também muito pesados, podem se dar bem, a depender das circunstâncias da corrida.
6. Interessante vai ser assistir à corrida de Jenson Button, que precisará correr com inteligência, mirando em seus adversários diretos na luta pelo campeonato, que são os pilotos da Red Bull. Jenson precisará se manter muito perto de Vettel, já que Webber não deverá ser um grande problema, saindo 4 posições atrás. Só que, além disso, Button também terá que atuar com perfeição, e no instante preciso. É que Sebastien Vettel tem 6 quilos a menos de combustível, e isso deve dar a Button uma ou duas voltas a mais. Terá que ser rápido para estar muito perto de Sebastien, e na hora exata ainda precisará ser perfeito para ganhar a posição dos boxes.
Apesar de ser num circuito que não possibilita ultrapassagens - deverão ser raras - deverá ser interessante o Grande Prêmio da Europa amanhã. Pessoalmente vou fazer uma apostinha: 1o Hamilton, 2o Barrichello 3o Kovalainen. Temo que Rubens não vá corresponder às minhas expectativas.
Amanhã se verá.

1. Luca Badoer não sabe exatamente o que está fazendo ali. E o pior: não sabe como fazer. O seu desempenho foi aquém que todas as expectativas.
Não adianta usar a desculpa de falta de conhecimento do carro porque Jaime Alguersuari e Romain Grosjean também não conheciam os seus respectivos equipamentos (Alguersuari estreou na Hungria) e tiveram desempenho muito superior ao de Badoer. Com certeza falta ritmo de corrida ao italiano, ao contrário de Romain e Jaime que estavam disputando corridas nos últimos meses.
Mas ainda assim é injustificável uma Ferrari ficar, em último lugar, a 1,5 segundos de uma Toro Rosso. Talvez Luca nem devesse disputar o GP. Pode se tornar uma ameaça ambulante aos demais.
2. Romain Grosjean andou muito bem. Tanto que, inclusive, colocou um indício a mais nas suspeitas (suspeitas ou convicções?) a respeito da capacidade de Nélson Piquet (o júnior) pois, apesar de nunca ter guiado consistentemente esse carro da Renault, mostrou desempenho relativamente próximo ao de Fernando Alonso.
Claro que Grosjean não vai andar na frente de Alonso. Até porque o espanhol é o primeiro piloto, e recebe as atenções principais da equipe. Alonso é, também, o melhor piloto do mundo na atualidade. Ocorre, porém, que nas mesmas condições que Piquet, e com muito menos tempo para conhecer o equipamento, Romain já andou mais perto de Alonso do que Nelsinho normalmente conseguia fazer, durante mais de um ano e meio de tentativas.
3. Foi engraçado ver Felipe Massa acertar o pole position sem estar em contato direto com o ambiente, palpitando do Brasil. Evidentemente Felipe possui conhecimentos privilegiados. Mas com certeza ele teve sorte.
4. Para a corrida de amanhã eu aposto em Lewis Hamilton. Porque Heikki Kovalainen não vai incomodar, que ele não é louco. Rubens Barrichello, estando quase 10 quilos mais pesado, poderá parar algumas voltas depois de Lewis. Mas o inglês é rápido e, com seu colega de equipe como escudeiro, deverá conseguir uma vantagem suficiente para não perder a posição. Não há a mínima esperança para Rubens de ganhar alguma posição dos Mclarem na largada porque os dois carros possuem o sistema KERS, permitindo-os partir como foguetes. Rubens sairá em terceiro, e terá que comboiar os dois carros prateados. Isso se os seus pneus não se deteriorarem - coisa que vem acontecendo frequentemente com o carro da Brawn quando a equipe opta por mandá-lo à pista com muito peso.
5. Espera-se boas corridas dos dois pilotos da Red Bull, principalmente Sebastien Vettel. Mark Webber está com muito peso, depende de um pouco de sorte para sua estratégia funcionar. Além desses, Niko Rosberg e Nick Heidfeld, também muito pesados, podem se dar bem, a depender das circunstâncias da corrida.
6. Interessante vai ser assistir à corrida de Jenson Button, que precisará correr com inteligência, mirando em seus adversários diretos na luta pelo campeonato, que são os pilotos da Red Bull. Jenson precisará se manter muito perto de Vettel, já que Webber não deverá ser um grande problema, saindo 4 posições atrás. Só que, além disso, Button também terá que atuar com perfeição, e no instante preciso. É que Sebastien Vettel tem 6 quilos a menos de combustível, e isso deve dar a Button uma ou duas voltas a mais. Terá que ser rápido para estar muito perto de Sebastien, e na hora exata ainda precisará ser perfeito para ganhar a posição dos boxes.
Apesar de ser num circuito que não possibilita ultrapassagens - deverão ser raras - deverá ser interessante o Grande Prêmio da Europa amanhã. Pessoalmente vou fazer uma apostinha: 1o Hamilton, 2o Barrichello 3o Kovalainen. Temo que Rubens não vá corresponder às minhas expectativas.
Amanhã se verá.
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
O Encontro da Ministra
Não se trata de defender desvairadamente o PT ou a ministra Dilma Rousseff. Longe disso. E, aliás, Deus me livre!
Mas observando atentamente os fatos – eu ainda não tinha reservado tempo para uma análise mais aprofundada, tendo apenas as informações despejadas pela mídia – eu creio que o encontro não ocorreu.
Não sei explicar os motivos que levaram a Sra. Lina Vieira a alegar esse encontro. E pode ser que eu esteja errado. Não obstante, apesar de reconhecer que o depoimento da Sra. Lina Vieira foi coerente e sereno como o dos que falam a verdade, meu intelecto insiste em discordar.
Primeiro porque existem excelentes mentirosos. Não sei se é o caso da Sra. Lina Vieira. Mas também não sei se não é. Concedo-lhe, muito justamente, o benefício da dúvida.
Mas a dúvida começa a cair por terra quando a Ministra, muito rapidamente (e muito inteligentemente também) perguntou candidamente quando e onde foi o encontro.
Ocorre que a essa pergunta, se a secretária respondesse uma mentira, corria o sério risco de se ver entregue. Porque ela – bem como qualquer pessoa – não sabia o que a Ministra estava fazendo em cada um dos dias daquele Dezembro de 2008.
Aqui faço uma análise do pensamento da Ministra e da Secretária. Primeiro considerando a hipótese de que o encontro tenha ocorrido. Nesse caso, seria estúpido a Sra. Dilma Rousseff fazer o desafio à Secretária, instigando-a para dizer o dia e a hora, porque a resposta certamente viria e isso deixaria a versão da Ministra totalmente a descoberto. Da mesma forma, a Secretária não perderia nada em dizer a data e a hora nesse caso. Assim, ou ambas as mulheres possuem intelecto extremamente limitado, ou então a hipótese de que o encontro tenha existido não se sustenta.
A alternativa é que o encontro não tenha acontecido. Esta hipótese explica a ousadia da Ministra, pedindo data e hora, porque sabe que a secretária não poderia responder. Como não respondeu. Porque se respondesse, correria o sério risco de apontar um instante em que a Ministra estivesse comprovadamente em outro endereço. Seria flagrante, por exemplo, se a Secretária apontasse uma data/hora em que a Ministra estivesse viajando, ou reunida com dezenas de testemunhas. Lina Vieira não poderia saber, e não podia arriscar.
Por esse motivo alegou que não se lembrava.
E a imprensa, mais os senadores, mais os comentaristas políticos, entenderam que o encontro poderia ter ocorrido, e se entrincheiraram para usar o fato como disputa política, independente de ser real ou não. Isso explica o comportamento desesperado dos senadores do governo e da oposição no interrogatório a que a Secretária foi submetida.
Dessa forma, considerando os elementos que se tem em mãos, a conclusão que eu chego é que o encontro simplesmente não aconteceu. Se eu estiver enganado, reconhecerei isso publicamente.
Mas de momento não tenho nenhuma dúvida.
Mas observando atentamente os fatos – eu ainda não tinha reservado tempo para uma análise mais aprofundada, tendo apenas as informações despejadas pela mídia – eu creio que o encontro não ocorreu.
Não sei explicar os motivos que levaram a Sra. Lina Vieira a alegar esse encontro. E pode ser que eu esteja errado. Não obstante, apesar de reconhecer que o depoimento da Sra. Lina Vieira foi coerente e sereno como o dos que falam a verdade, meu intelecto insiste em discordar.
Primeiro porque existem excelentes mentirosos. Não sei se é o caso da Sra. Lina Vieira. Mas também não sei se não é. Concedo-lhe, muito justamente, o benefício da dúvida.
Mas a dúvida começa a cair por terra quando a Ministra, muito rapidamente (e muito inteligentemente também) perguntou candidamente quando e onde foi o encontro.
Ocorre que a essa pergunta, se a secretária respondesse uma mentira, corria o sério risco de se ver entregue. Porque ela – bem como qualquer pessoa – não sabia o que a Ministra estava fazendo em cada um dos dias daquele Dezembro de 2008.
Aqui faço uma análise do pensamento da Ministra e da Secretária. Primeiro considerando a hipótese de que o encontro tenha ocorrido. Nesse caso, seria estúpido a Sra. Dilma Rousseff fazer o desafio à Secretária, instigando-a para dizer o dia e a hora, porque a resposta certamente viria e isso deixaria a versão da Ministra totalmente a descoberto. Da mesma forma, a Secretária não perderia nada em dizer a data e a hora nesse caso. Assim, ou ambas as mulheres possuem intelecto extremamente limitado, ou então a hipótese de que o encontro tenha existido não se sustenta.
A alternativa é que o encontro não tenha acontecido. Esta hipótese explica a ousadia da Ministra, pedindo data e hora, porque sabe que a secretária não poderia responder. Como não respondeu. Porque se respondesse, correria o sério risco de apontar um instante em que a Ministra estivesse comprovadamente em outro endereço. Seria flagrante, por exemplo, se a Secretária apontasse uma data/hora em que a Ministra estivesse viajando, ou reunida com dezenas de testemunhas. Lina Vieira não poderia saber, e não podia arriscar.
Por esse motivo alegou que não se lembrava.
E a imprensa, mais os senadores, mais os comentaristas políticos, entenderam que o encontro poderia ter ocorrido, e se entrincheiraram para usar o fato como disputa política, independente de ser real ou não. Isso explica o comportamento desesperado dos senadores do governo e da oposição no interrogatório a que a Secretária foi submetida.
Dessa forma, considerando os elementos que se tem em mãos, a conclusão que eu chego é que o encontro simplesmente não aconteceu. Se eu estiver enganado, reconhecerei isso publicamente.
Mas de momento não tenho nenhuma dúvida.
Pressão Estudantil
Conversando com algumas pessoas, percebi que certa parcela dos meus interlocutores consideraram um desserviço à comunidade a manifestação dos estudantes na Praça da Prefeitura. Os estudantes exigiam a revogação dos atos do prefeito, um decreto que cassou parte de seus direitos junto ao transporte coletivo público.
De fato, a foto abaixo foi divulgada no site de notícias mais acessado do país, o UOL.

Não obstante, ao contrário de meus interlocutores, eu considero a matéria positiva. Eu acho que é bom para a cidade de Ilhéus ter reconhecida a combatividade de seus estudantes. Numa manifestação extremamente rigorosa e dura, que é a única resposta que merece, dos estudantes, a modificação das regras da meia-passagem.
Mas, não obstante a força demonstrada no protesto, tudo se deu sem nenhuma ocorrência grave de excessos (só de ruído) ou de violência. Livre, autônoma e madura manifestação democrática. A presença da força policial, embora sempre necessária, foi para atuar meramente como observadores.
A manifestação trouxe resultados, já que o prefeito reconsiderou o decreto. Vitória dos estudantes. Vitória, porque não dizer, da cidade. Ilhéus não tem do que se envergonhar nesse caso.
Além do mais, as relações entre as concessionárias de transporte público e as administrações municipais – não é privilégio de Ilhéus - carecem mesmo de certos esclarecimentos. Não é fácil entender, por exemplo, que num cenário em que os custos com salários crescem quase que vegetativamente, e os custos com combustível e manutenção de veículos permanecem praticamente estagnados há vários anos, haja a necessidade de aumentos anuais de tarifa – em alguns casos mais de um aumento por ano.
Uma vez tive a oportunidade de ver a famosa planilha de custos, que é o objeto de estudo determinante do aumento das tarifas: ali os empresários “provam” que seus custos subiram e assim “justificam” o aumento da tarifa.
Tratava-se de algumas folhas de papel ofício com uma série de valores, a maioria abreviados, que para mim não mostrou nenhum significado. Mas efetivamente havia uma seqüência anual (e mensal em outras folhas), sempre crescente, de valores.
Não tenho competência para duvidar do que havia ali na planilha, pois meus conhecimentos em contabilidade vão muito pouco além dos conceitos básicos de partidas dobradas. Mas imediatamente chamou-me à atenção um fato interessante: não havia cotação de preços.
Talvez ali já se tratasse do melhor preço de mercado, mas isso não ficou muito claro. Pareceu que havia um preço único, e uma única condição de aquisição e pagamento dos insumos. Não é tipicamente o comportamento de um mercado competitivo.
Pessoalmente, e particularmente no caso de Ilhéus, acho que o problema do transporte coletivo precisa ser visto numa ótica mais ampla. Em primeiro lugar, não entendo porque ainda não há uma estação de integração na cidade, que poderia funcionar onde hoje está o terminal urbano. Em segundo lugar, é urgente se montar uma região metropolitana com (pelo menos) as cidades de Ilhéus, Itabuna e Uruçuca. Aí se pode planejar linhas intermunicipais, com forte redução de custos e consequentemente melhoria das tarifas.
Tenho certeza que idéias não faltam. Mas tenho também a convicção de que os governos só funcionam sob pressão, mesmo para os pleitos mais elementares. Os estudantes mostraram isso quando fizeram a prefeitura recuar.
Que se pressione então. Mas que se dialogue também.
De fato, a foto abaixo foi divulgada no site de notícias mais acessado do país, o UOL.
Não obstante, ao contrário de meus interlocutores, eu considero a matéria positiva. Eu acho que é bom para a cidade de Ilhéus ter reconhecida a combatividade de seus estudantes. Numa manifestação extremamente rigorosa e dura, que é a única resposta que merece, dos estudantes, a modificação das regras da meia-passagem.
Mas, não obstante a força demonstrada no protesto, tudo se deu sem nenhuma ocorrência grave de excessos (só de ruído) ou de violência. Livre, autônoma e madura manifestação democrática. A presença da força policial, embora sempre necessária, foi para atuar meramente como observadores.
A manifestação trouxe resultados, já que o prefeito reconsiderou o decreto. Vitória dos estudantes. Vitória, porque não dizer, da cidade. Ilhéus não tem do que se envergonhar nesse caso.
Além do mais, as relações entre as concessionárias de transporte público e as administrações municipais – não é privilégio de Ilhéus - carecem mesmo de certos esclarecimentos. Não é fácil entender, por exemplo, que num cenário em que os custos com salários crescem quase que vegetativamente, e os custos com combustível e manutenção de veículos permanecem praticamente estagnados há vários anos, haja a necessidade de aumentos anuais de tarifa – em alguns casos mais de um aumento por ano.
Uma vez tive a oportunidade de ver a famosa planilha de custos, que é o objeto de estudo determinante do aumento das tarifas: ali os empresários “provam” que seus custos subiram e assim “justificam” o aumento da tarifa.
Tratava-se de algumas folhas de papel ofício com uma série de valores, a maioria abreviados, que para mim não mostrou nenhum significado. Mas efetivamente havia uma seqüência anual (e mensal em outras folhas), sempre crescente, de valores.
Não tenho competência para duvidar do que havia ali na planilha, pois meus conhecimentos em contabilidade vão muito pouco além dos conceitos básicos de partidas dobradas. Mas imediatamente chamou-me à atenção um fato interessante: não havia cotação de preços.
Talvez ali já se tratasse do melhor preço de mercado, mas isso não ficou muito claro. Pareceu que havia um preço único, e uma única condição de aquisição e pagamento dos insumos. Não é tipicamente o comportamento de um mercado competitivo.
Pessoalmente, e particularmente no caso de Ilhéus, acho que o problema do transporte coletivo precisa ser visto numa ótica mais ampla. Em primeiro lugar, não entendo porque ainda não há uma estação de integração na cidade, que poderia funcionar onde hoje está o terminal urbano. Em segundo lugar, é urgente se montar uma região metropolitana com (pelo menos) as cidades de Ilhéus, Itabuna e Uruçuca. Aí se pode planejar linhas intermunicipais, com forte redução de custos e consequentemente melhoria das tarifas.
Tenho certeza que idéias não faltam. Mas tenho também a convicção de que os governos só funcionam sob pressão, mesmo para os pleitos mais elementares. Os estudantes mostraram isso quando fizeram a prefeitura recuar.
Que se pressione então. Mas que se dialogue também.
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