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segunda-feira, 26 de abril de 2010

Os dois lados da Força

O debate entre os favoráveis e os desfavoráveis ao projeto intermodal está terminado, ao meu entender, no tocante à Ilhéus e região. Na cidade a imensa maioria é favorável ao projeto, e o entendimento é bem simples: nem a mais pessimista, inverossímil e sombria projeção dos ambientalistas e dos demais interessados em que o projeto não saia do papel assustou as pessoas o suficiente para elas deixarem de ver a própria realidade. Que é bem pior.

Por mais nefastas que sejam as conseqüências apregoadas, ainda que sem um fundamento concreto, a situação atual e as perspectivas futuras de Ilhéus e região são ainda mais assustadoras. Simples assim. Dessa forma ficou fácil para as pessoas entenderem.

Mas chamou a atenção a demonstração de força de parte a parte. De um lado uma grande empresa mineradora, o governo estadual, o governo federal, prefeitos, a opinião pública de uma região. O que restaria ao outro lado? Parecia que a batalha estava ganha.

Ledo engano.

O "outro lado da Força" ainda tem muita musculatura. E está sendo munido, embora não se saiba exatamente por quem, com muita capacidade bélica. Perdida a batalha na região, inicia-se noutra trincheira.

Assim, uma reportagem no Fantástico da Rede Globo, conduzida de maneira lamentavelmente unilateral pela emissora - a Globo simplesmente esqueceu o óbvio do jornalismo, que é dar espaços iguais a todos os lados envolvidos numa reportagem - mostra que os grupos contrários à implantação do Complexo Intermodal não são formados por gente simples e modesta. Muito pelo contrário, são bons articuladores e possuem muito poder político e econômico. Apenas ainda não se conhece exatamente quem são, e de onde vem tanto poder.

A estratégia de batalha, nesse caso, é simples de entender, embora bastante perspicaz: o governo federal está com uma batata quente nas mãos, que é o caso da Usina de Belo Monte. Então, joga-se outra batata quente, apostando que o governo federal não tenha condições de tratar os dois problemas, dado o desgaste político que sofrerá. Ou sacrifica a Usina, ou sacrifica o Complexo Intermodal de Ilhéus.

Porque pode sair caro a decisão de levar a cabo as duas empreitadas, ainda que tenha aprovação do IBAMA, ainda que derrube as liminares que foram e serão interpostas, ainda que apresente planos de contingenciamento e compensação de danos ambientais. O governo federal pode sair desse debate com a pecha de autoritário e antiecológico.

Dessa forma, os contrários ao novo porto não mostraram apenas a força financeira necessária para mover uma Rede Globo inteira: mostraram-se capazes de trabalhar inteligentemente nos bastidores da política e da mídia nacional, a fim de abrir novas trincheiras para que não se dêem por vencidos.

Perderam, o que parece, o debate no plano regional, mas suas forças não se haviam esgotado. Muito pelo contrário, agora se sabe que eles têm força política e econômica para continuar a luta, ainda que fora da região e, talvez, fora do debate.

É o poder do Outro Lado da Força.

4 comentários:

  1. É o lado negro da força, professor. O lado dos que se dão bem com o atraso de Ilhéus, e querem que tudo continue assim.

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  2. Professor, gostaria de publicar seu artigo em nosso jornal (Jornal Bahia Hoje) e peço sua autorização para isso.
    Nosso email: redacao@jornalbahiahoje.com.br

    Grato

    Beto Boaretto
    Editor

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  3. Permissão concedida... previamente a todos os textos que eu publicar em meu Blog. São de domínio público!

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  4. O Porto não vai sair. Voces não vão destruir Ilhéus! Podem voltar para seus lugares e deixar Ilhéus com os ILHEENSES!

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